Ausências e movimentos próprios indicam que Irajá trabalha para campanha solo ou tem plano alternativo para 2026
21 julho 2026 às 17h59

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A sequência de movimentos protagonizados pelo senador Irajá Abreu (PSD) nas últimas semanas aponta para uma conclusão cada vez mais evidente dentro da política tocantinense: ele dificilmente permanecerá passivamente na composição desenhada hoje pelo PSD. O lançamento de Ivanete Lima como pré-candidata ao Senado, em um evento realizado sem a presença do presidente estadual da sigla, Laurez Moreira, e a ausência no ato que confirmou o coronel Silva Neto como candidato a vice da chapa indicam que o senador trabalha com alternativas para 2026.
Na configuração atual, Irajá ocupa a primeira vaga ao Senado na aliança formada entre PSD e PT, enquanto Paulo Mourão é tratado como o nome petista para a segunda cadeira. O problema é que os movimentos do senador não dialogam com a lógica da chapa construída até aqui. Ao apresentar Ivanete como pré-candidata e aparecer ao lado do ex-governador Mauro Carlesse, anunciado como suplente, Irajá sinalizou que mantém um projeto político próprio, paralelo ao que vem sendo organizado por Laurez.
A leitura é que o senador opera em duas frentes. A primeira passa pela possibilidade de buscar outro palanque depois das convenções, permanecendo no PSD, mas fora da composição liderada por Laurez. Nesse cenário, a chapa de Vicentinho Júnior aparece como destino possível, embora a operação dependa de uma negociação complexa.
Isso porque Irajá chegaria a outro grupo sem levar consigo o comando partidário, o tempo de televisão e a estrutura do PSD. Além disso, o bloco formado por Vicentinho, Amélio Cayres e Alexandre Guimarães já apresenta uma identidade política consolidada, o que reduziria o espaço para a construção de uma candidatura ao Senado com protagonismo semelhante ao que o senador busca preservar.
A segunda hipótese é que Irajá tente alterar a composição da própria aliança antes do período eleitoral. O lançamento de Ivanete Lima pode ser interpretado justamente como um recado interno: o senador pretende manter influência sobre o desenho final da chapa e não descarta mudanças que preservem sua centralidade dentro do PSD, inclusive com uma redistribuição dos espaços hoje ocupados pelo PT.
Por isso, as ausências recentes e as decisões tomadas fora do núcleo político de Laurez parecem dizer menos sobre distanciamento e mais sobre estratégia. No momento em que a chapa do PSD começa a ganhar forma, Irajá dá sinais de que trabalha com um plano alternativo, seja para disputar a eleição em outro palanque, seja para tentar redesenhar a composição da própria aliança.
