A presença do biscoito Amor Perfeito na cerimônia do Guia Michelin 2026, realizada nesta semana no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, marcou a inserção de um produto tradicional do Tocantins em um dos principais circuitos da alta gastronomia internacional. Produzido artesanalmente no município de Natividade, o item integrou um prato assinado pelo chef italiano Nello Cassese junto a um público formado por críticos, empresários e formadores de opinião do setor.

A participação ocorre no contexto da plataforma Do Brasil à Mesa, iniciativa que conecta pequenos produtores a chefs e mercados especializados, com foco na valorização da biodiversidade e dos saberes tradicionais brasileiros. A proposta envolve a construção de narrativas gastronômicas baseadas em origem, identidade e rastreabilidade, características que vêm ganhando espaço no cenário global.

De acordo com o gerente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Bruno Vieira, a inclusão do produto no evento indica a capacidade de inserção de itens regionais em mercados de maior valor agregado. Segundo ele, a atuação da instituição envolve a criação de conexões entre produtores e oportunidades comerciais, além de ações voltadas à qualificação, desenvolvimento de marca e adequação dos produtos.

Segundo o Sebrae, a utilização do biscoito na composição do prato também acompanha um movimento observado na gastronomia contemporânea, que prioriza ingredientes com identidade territorial e valor cultural. Nesse cenário, chefs assumem o papel de intermediários entre a produção artesanal e o consumidor final.

Ainda conforme o Sebrae, a exposição em eventos internacionais pode gerar efeitos diretos na cadeia produtiva, ao abrir possibilidades de comercialização e estimular a economia local. Produtos oriundos de regiões como o Tocantins costumam enfrentar desafios relacionados à logística, escala e reconhecimento de mercado, o que motiva iniciativas voltadas à redução dessas barreiras.

Símbolo tocantinense

O Amor Perfeito é considerado um dos principais símbolos da cultura alimentar tocantinense e é produzido de forma artesanal em Natividade, tem origem centenária e sua receita foi preservada por gerações de doceiras locais, entre elas Ana Benedita de Cerqueira e Silva, conhecida como Tia Naninha, responsável por difundir o modo de preparo tradicional.

A produção mantém técnicas como o preparo manual e o uso de fornos a lenha, além de utilizar ingredientes como polvilho, leite de coco, manteiga e açúcar. O resultado é um biscoito de textura leve e formato característico, associado à identidade cultural da região.