Bispo de Araguaína se une a 46 religiosos em carta com críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro
24 outubro 2026 às 17h20

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O bispo da Diocese de Araguaína, Dom Giovane Pereira de Melo, integra um grupo de 47 líderes católicos de 19 estados brasileiros que divulgaram uma carta com críticas a uma das candidaturas à Presidência da República. Publicado nesta quinta-feira, 22, o documento aborda questões relacionadas à democracia, aos direitos sociais e às políticas públicas, em um momento em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam o segundo turno das eleições, marcado para domingo, 25.
Apesar de não mencionar diretamente os nomes dos presidenciáveis, o texto apresenta referências ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e a propostas atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro. Entre os pontos questionados pelos religiosos estão a flexibilização do acesso às armas, as políticas de combate à pobreza, os direitos trabalhistas, a preservação ambiental e as relações diplomáticas do Brasil com os Estados Unidos.
“O cenário é muito grave, pois uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da Doutrina Social da Igreja, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”, afirmam os signatários em um dos trechos da carta.
Ao tratar da política de armamento, os religiosos fazem uma referência direta ao vínculo familiar entre um dos candidatos e o ex-presidente. “Um dos candidatos promete liberar o acesso amplo às armas, como fez o seu pai em seu Governo”, diz o documento, que também apresenta críticas a posicionamentos atribuídos à candidatura em relação aos programas sociais e à soberania nacional.
A participação de Dom Giovane coloca o Tocantins entre os estados representados na manifestação. Os 47 signatários correspondem a aproximadamente 9,4% dos 498 bispos brasileiros, considerando também os eméritos, e a iniciativa não representa um posicionamento institucional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A entidade, por sua vez, divulgou uma manifestação própria na qual defendeu o cumprimento da Constituição Federal, a preservação das instituições democráticas, o respeito aos resultados das urnas e a participação consciente dos cidadãos no processo eleitoral.
Ao final da carta, os religiosos orientam os fiéis católicos a participarem da votação de domingo, 25, e a considerarem os princípios da Doutrina Social da Igreja na escolha do próximo presidente da República.
