Borges, Dimas e Cayres: pais e filhos dividem as urnas no Tocantins nas eleições de 2026
14 agosto 2026 às 11h52

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A eleição de 2026 terá pelo menos três famílias do Tocantins com pais e filhos envolvidos simultaneamente na disputa. Os Dimas, em Araguaína, terão Ronaldo candidato ao Senado e Tiago em busca da reeleição para deputado federal. Em Palmas, Eli Borges também concorre ao Senado enquanto o filho, Thiago Borges, tenta deixar a Câmara Municipal para chegar à Assembleia Legislativa. No Bico do Papagaio, Amélio Cayres integra como vice a chapa de Vicentinho Júnior (PSDB) ao governo e o filho Raul Cayres busca uma das 24 cadeiras da Aleto.
São seis candidaturas que reúnem políticos em momentos diferentes da carreira. Ronaldo Dimas e Eli Borges tentam chegar ao Senado depois de décadas na vida pública; Amélio deixa a disputa proporcional após cinco eleições consecutivas para deputado estadual e concorre pela primeira vez ao governo como vice. Do lado dos filhos, Tiago Dimas já está na Câmara dos Deputados, Thiago Borges exerce mandato de vereador e Raul Cayres tenta chegar ao Legislativo estadual.
As três famílias também ajudam a mostrar como estruturas políticas construídas em diferentes regiões atravessaram gerações. Os Dimas têm sua principal referência eleitoral em Araguaína; os Borges construíram parte importante de sua base em Palmas; e os Cayres mantêm presença histórica no Bico do Papagaio. Em outubro, pais e filhos dependerão do mesmo eleitorado estadual, ainda que concorram a cargos distintos.
Dimas buscam duas cadeiras no Congresso

Ronaldo Dimas chega à disputa pelo Senado depois de uma trajetória que passou pela Câmara dos Deputados e pela Prefeitura de Araguaína. Engenheiro civil, comandou a segunda maior cidade do Tocantins por dois mandatos, entre 2013 e 2020, e permaneceu como uma das principais referências políticas do município depois de deixar o cargo.
Foi durante o período de Ronaldo na prefeitura que Tiago Dimas entrou na política eleitoral. Em 2018, o filho conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados. Agora, em 2026, tenta renovar o mandato enquanto o pai busca retornar ao Congresso, desta vez pelo Senado.
A família terá, assim, dois nomes nas eleições federais. Ronaldo disputa uma das duas cadeiras de senador abertas neste ano, enquanto Tiago depende do desempenho da chapa proporcional do Podemos e de sua própria votação para permanecer entre os oito deputados federais do Tocantins.
A situação também inverte parte da dinâmica existente quando Tiago entrou na política. Em 2018, Ronaldo estava no comando da Prefeitura de Araguaína e o filho buscava o primeiro mandato federal. Oito anos depois, Tiago já chega à eleição como deputado e é o pai quem tenta conquistar um novo cargo.
Dos mandatos de Eli à candidatura de Thiago

Entre os Borges, a eleição reúne uma das carreiras parlamentares mais longas entre os pais que estarão nas urnas. Eli Borges passou pela Câmara Municipal de Palmas e pela Assembleia Legislativa antes de chegar à Câmara dos Deputados. Está no segundo mandato consecutivo de deputado federal, com legislaturas iniciadas em 2019 e 2023.
Antes da Câmara Federal, Eli construiu uma longa passagem pelo Legislativo estadual. Agora troca novamente uma eleição proporcional por uma majoritária e concorre a uma das vagas para o Senado.
O filho Thiago Borges percorre o início de um caminho semelhante pelo Legislativo. Atualmente vereador de Palmas, ele disputa uma cadeira de deputado estadual. Caso seja eleito, deixará a Câmara Municipal para ingressar na Aleto, uma das Casas pelas quais o pai passou antes de chegar ao Congresso.
A eleição coloca, portanto, os Borges em duas disputas diferentes. Eli precisa construir votação em todo o Estado para o Senado; Thiago tenta transportar para a eleição estadual a base que já lhe garantiu mandato na capital. O sobrenome estará nas urnas duas vezes, mas em eleições com exigências distintas.
Cayres acumulam mandatos no Bico do Papagaio

A história familiar mais extensa entre os três grupos aparece no Bico do Papagaio. Amélio Cayres começou sua carreira eleitoral no Executivo municipal. Foi eleito prefeito de Esperantina em 1996 e reeleito em 2000. Em 2006, conquistou pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa. Depois vieram outras quatro eleições consecutivas, em 2010, 2014, 2018 e 2022. Está, portanto, no quinto mandato de deputado estadual.
Amélio também preside atualmente a Assembleia Legislativa. Em 2026, deixa a corrida pela renovação do mandato parlamentar e integra como candidato a vice-governador a chapa encabeçada por Vicentinho Júnior. O filho Raul segue no sentido contrário: tenta entrar justamente na Casa em que o pai está há quase duas décadas.
A presença política da família em Esperantina não se limita a Amélio. Geneci Perpétua dos Santos Almeida, mãe de Raul, também foi prefeita do município, eleita para o mandato de 2009 a 2012, segundo o histórico oficial da Câmara Municipal de Esperantina. Raul é, portanto, filho de dois ex-prefeitos da cidade.
A família Cayres alcançou também Augustinópolis. Antônio Cayres de Almeida, o Antônio do Bar, irmão de Amélio e tio de Raul, foi eleito seis vezes prefeito do município. A própria Prefeitura de Augustinópolis registra os seis mandatos e identifica Antônio como irmão do atual presidente da Assembleia. Ele morreu em outubro de 2025, quando exercia novamente a prefeitura.
Raul chega, assim, à primeira disputa por uma cadeira na Assembleia cercado por uma história familiar que atravessa dois municípios e os poderes Executivo e Legislativo. Se pai e filho vencerem em outubro, Amélio deixará a Aleto para assumir a vice-governadoria, enquanto Raul poderá ocupar uma cadeira na mesma Casa em que o pai foi eleito cinco vezes.
