Brasil pode ter 13,3 mil mortes por calor durante super El Niño, aponta estudo
24 setembro 2026 às 11h36

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O Brasil pode registrar 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, segundo uma projeção do Climate Impact Lab, iniciativa ligada a pesquisadores das universidades de Chicago e Berkeley, nos Estados Unidos. O país aparece na quinta posição entre os mais afetados pelo fenômeno.
A estimativa considera mortes acima do que seria esperado em um período considerado normal e está relacionada ao aumento das temperaturas associado ao atual episódio de El Niño. No Brasil, cerca de 8 mil das mortes adicionais projetadas devem ocorrer entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, de acordo com o estudo.
A pesquisa estima que as temperaturas médias sobre áreas terrestres do planeta ficarão 1,2 °C acima do normal nos próximos meses. O cenário também pode provocar 44% mais dias de calor extremo em comparação com um ano típico.
Entre os países analisados, as maiores estimativas de mortes adicionais estão na Nigéria, com 31,4 mil; Indonésia, com 19,3 mil; Sudão, com 17,5 mil; Índia, com 15,8 mil; e Brasil, com 13,3 mil.
Calor deve se intensificar no Brasil
De acordo com os pesquisadores, o impacto do calor no Brasil tende a ser maior na segunda metade do período analisado. A projeção de 8 mil mortes adicionais entre dezembro e fevereiro representa cerca de 60% do total estimado para o país nos seis meses.
O estudo relaciona o aumento da mortalidade à exposição da população a temperaturas acima das condições consideradas habituais para cada região. Para chegar às estimativas, os pesquisadores consideraram fatores como características climáticas locais, vulnerabilidade da população e capacidade de adaptação.
A análise foi realizada em 24.378 regiões do mundo, utilizando previsões de temperatura do sistema europeu ECMWF SEAS5 e dados sobre a relação entre temperatura e mortalidade registrados entre 1996 e 2025.
Projeção não significa 13,3 mil mortes causadas diretamente pelo El Niño
Os pesquisadores fazem uma distinção importante sobre os números. As 13,3 mil mortes são uma estimativa de óbitos adicionais associados ao calor, em comparação com o que seria esperado em um período considerado normal.
O número, portanto, não representa uma previsão de que exatamente 13,3 mil brasileiros morrerão diretamente por causa do El Niño. A estimativa também está limitada ao período entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027 e pode mudar conforme as condições climáticas evoluam.
O estudo ainda não passou pelo processo completo de revisão por pares. Segundo os pesquisadores, os detalhes da metodologia deverão ser publicados posteriormente em uma revista científica.
El Niño como sinal de um clima mais quente
Os pesquisadores também apontam que o atual episódio de El Niño pode servir como uma espécie de referência para condições de calor que tendem a se tornar mais frequentes nas próximas décadas.
Segundo o relatório, as temperaturas previstas para os próximos meses se aproximam de condições que modelos climáticos projetam para aproximadamente 20 anos à frente. A interpretação apresentada pelos cientistas é que o fenômeno expõe atualmente populações a níveis de calor que poderão se tornar mais comuns com o avanço das mudanças climáticas.
