Brasileiros entram na lista de sanções dos Estados Unidos por suposta conexão com o PCC
02 julho 2026 às 07h58

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Os Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira, 1º, sanções contra dois brasileiros e quatro empresas apontados pelas autoridades norte-americanas como integrantes de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Uma empresa sediada em Portugal também foi incluída nas medidas.
Os alvos são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. De acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA, Shimada seria um “elo fundamental” entre integrantes da facção criminosa no Brasil e membros do grupo na Flórida, onde teria participado da lavagem de mais de US$ 30 milhões em diversas cidades norte-americanas. Ele também é apontado como proprietário da empresa Victory Trading.
Stella é acusada pelas autoridades dos EUA de atuar como “secretária” de Shimada e de possuir vínculo familiar com ele.
As sanções também atingem as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda., que, segundo o governo norte-americano, estariam ligadas a Shimada. A Victory Trading e a Pixwave atuam no setor de serviços financeiros, a Wave é uma construtora e a Avenidas Flutuantes opera nos segmentos de transporte e armazenagem, com sede próxima a Lisboa, em Portugal.
Segundo o Departamento do Tesouro, a medida é resultado de uma investigação conduzida pela Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF), em parceria com o escritório do FBI em Miami e a Seção de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Em comunicado, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) afirmou que a ação busca ampliar o impacto das operações contra redes criminosas transnacionais. “Essa abordagem unificada e abrangente do governo garante a coordenação operacional para maximizar o impacto contra as redes criminosas transnacionais”, informou o órgão.
A decisão marca a primeira sanção aplicada por Washington contra brasileiros ou empresas do Brasil após o governo Donald Trump classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
“Essa designação é mais um passo do governo dos EUA para abordar e reconhecer a crescente presença da geração de receita ilícita do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras”, afirmou Gene Lange, subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira.
Com a medida, ficam bloqueados todos os bens das pessoas e empresas sancionadas que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos norte-americanos. O Ofac também informou que instituições financeiras e outras pessoas poderão ser alvo de sanções caso realizem determinadas transações ou atividades envolvendo os indivíduos e empresas incluídos na lista.
