A reestruturação do Banco de Brasília (BRB) inclui a criação de um fundo de investimento para reorganizar parte de seus ativos. A instituição informou nesta segunda-feira, 20, que assinou um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital com esse objetivo.

Segundo o banco, os ativos que devem compor o fundo têm origem em operações incorporadas a partir do Banco Master. A transação tem valor de referência de até R$ 15 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista, enquanto o restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do fundo, responsável pela gestão e eventual monetização desses ativos.

Em comunicado ao mercado, o BRB afirmou que a iniciativa busca melhorar a estrutura de capital, elevar a liquidez e organizar o portfólio. A instituição também aponta expectativa de efeitos na organização patrimonial e financeira.

A conclusão do acordo depende do cumprimento de condições previstas no memorando. O banco informou que continuará divulgando atualizações ao mercado conforme as regras da Comissão de Valores Mobiliários.

O tema envolve ativos ligados ao Banco Master, que já vinham sendo discutidos nas últimas semanas. Em 10 de abril, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que um fundo de investimentos apresentou proposta de R$ 15 bilhões por parte desses ativos, sem detalhar a composição ou o nível de risco. Não há confirmação de que o memorando anunciado agora corresponda à mesma negociação.

Levantamento do Ministério Público Federal indica que, entre 2024 e 2025, o BRB destinou ao menos R$ 16,7 bilhões ao Banco Master. Desse montante, cerca de R$ 12,2 bilhões envolvem operações com indícios de irregularidades.

Dias antes do anúncio, em 9 de abril, a governadora e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, estiveram em São Paulo para reuniões com investidores, representantes do Fundo Garantidor de Créditos e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.