A rotina entre atendimentos como designer de sobrancelhas, aulas da graduação em Direito e horas diárias de estudo marcou a preparação de Jordana Alves Jardim, 25 anos, para o concurso da Polícia Militar do Tocantins (PMTO). Eliminada inicialmente pelo critério de altura previsto no edital, ela conseguiu reverter a desclassificação após decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, Jordana destacou que durante esse período, ela conciliou os estudos com o trabalho como designer de sobrancelhas, atividade que, segundo relatou, oferece maior flexibilidade na rotina. “Como já tinha dois anos que eu estava estudando, eu sempre tirava um tempo. Como trabalhava com sobrancelhas, tinha mais liberdade para estudar, porque atendia os clientes e voltava para casa.”

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Foto: Divulgação

A candidata, natural de Ananás e atualmente moradora de Araguaína, também relatou que a graduação em Direito contribuiu para a preparação, já que parte do conteúdo da faculdade coincidia com as disciplinas cobradas no concurso. “À noite eu tinha faculdade. Como sou estudante de Direito e já estou no 9º período, a faculdade acaba acrescentando também, porque as matérias coincidem. Então a Faculdade de Direito ajudou nessa preparação, porque às vezes a mesma matéria que eu estava estudando para o concurso era a matéria que eu estava estudando na faculdade”, contou.

Mesmo nos dias de maior demanda, Jordana afirmou que mantinha uma meta mínima diária de estudos. “Às vezes tinha um dia mais puxado, mas eu sempre priorizava estudar nem que fosse uma hora por dia, o mínimo, para conseguir bater a meta”, relatou.

Porém, com a publicação do edital, ela interrompeu os atendimentos para se dedicar integralmente à preparação e aos treinamentos físicos. “Eu não tinha aquela rotina extremamente dedicada somente à PMTO porque o edital não estava aberto. Então vivia a vida normal, mas sempre tinha a responsabilidade de estudar. Quando o edital abriu, foi quando parei completamente os atendimentos para me dedicar somente aos estudos. Eu tratava como se fosse meu trabalho: acordar cedo, bater a meta de estudo e correr, porque estava conciliando os treinamentos com o estudo”, destacou.

Ao falar sobre a decisão do STF, Jordana resumiu o momento vivido após retornar ao processo seletivo como grande conquista e realização de sonho. “Só quero falar que eu estou feliz em poder realizar meu sonho de pertencer a gloriosa”, concluiu.

Decisão do STF

A decisão que garantiu o retorno da candidata ao concurso foi publicada na quinta-feira, 23, pelo ministro do STF, Cristiano Zanin. A defesa argumentou que Jordana possui 1,55 metro, medida que, segundo entendimento já adotado pela Corte em casos semelhantes, atende ao parâmetro mínimo exigido para mulheres em carreiras da segurança pública.

Na liminar, o ministro determinou a suspensão do ato que havia eliminado a candidata, permitindo que ela siga nas próximas etapas do concurso, desde que cumpra os demais critérios previstos no edital. Também foi considerado o risco de prejuízo com a proximidade da homologação do certame, etapa final de validação do resultado.