Candidatos são convocados a dizer o que farão pelo Cerrado nas eleições de 2026
21 setembro 2026 às 14h55

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A proteção do Cerrado deve entrar na agenda das eleições de 2026. Uma mobilização articulada por organizações da sociedade civil e apoiada no Tocantins apresenta uma Carta-Compromisso com oito propostas direcionadas a candidatos aos cargos dos Executivos e Legislativos estadual e federal.
A campanha #VotePeloCerrado pretende estimular candidatos e eleitores a discutir medidas relacionadas à conservação do bioma, à proteção das águas, aos territórios de povos e comunidades tradicionais e à biodiversidade. A carta também propõe ações voltadas à agricultura familiar, agroecologia e sociobiodiversidade.
No Tocantins, a Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática está entre as organizações que apoiam a iniciativa. Para a secretária-executiva da rede, Janykelle Ribeiro, a discussão sobre a conservação do Cerrado deve considerar os impactos da degradação sobre o abastecimento de água, a produção rural e as comunidades.
“O Cerrado é de uma riqueza enorme, é fonte de água pro campo e pra cidade e alimenta muitas famílias”, afirma.
A campanha ocorre por meio de mobilização digital e utiliza a hashtag #VotePeloCerrado nas redes sociais. A iniciativa reúne organizações como o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Rede Cerrado, Instituto Cerrados, Funatura, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Campanha Cerrado.
Pressão sobre recursos naturais
A carta parte da importância do Cerrado para a disponibilidade de água e para a produção agropecuária brasileira. Segundo as organizações envolvidas na campanha, mais da metade da vegetação nativa do bioma já foi desmatada, enquanto estudos apontam redução de 27% na vazão dos rios.
O Cerrado abriga nascentes que contribuem para algumas das principais regiões hidrográficas brasileiras, entre elas as bacias do Amazonas, Araguaia/Tocantins, São Francisco e Paraná/Paraguai.
A coordenadora do Programa Cerrado do ISPN, Isabel Figueiredo, afirma que a conservação do bioma também está relacionada à continuidade da produção agrícola.
“O Cerrado é um bioma estratégico para o Brasil. Além de ser o coração das águas, 42% da produção agrícola nacional está aqui”, afirma.
Segundo ela, a conversão acelerada da vegetação nativa para monocultivos pode comprometer as condições que sustentam a própria atividade agropecuária.
Povos e comunidades tradicionais
Outro eixo da carta trata dos povos e comunidades tradicionais que vivem no Cerrado e das atividades econômicas associadas à sociobiodiversidade.
Produtos como pequi, baru, babaçu e buriti fazem parte de cadeias produtivas que geram renda para comunidades do bioma. A proposta da campanha é que políticas públicas considerem também a agricultura familiar, a agroecologia e o acesso a crédito, assistência técnica e mercados.
“A economia não se separa de território, cultura e conservação”, afirma a secretária-executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira.
A iniciativa também relaciona a preservação ambiental às condições de produção no campo. Para o diretor executivo do Instituto Cerrado, Yuri Salmona, a degradação do bioma pode afetar a disponibilidade de água, a previsibilidade climática e os habitats de polinizadores.
A Carta-Compromisso com as oito propostas está disponível no site da campanha. A mobilização busca estimular candidatos e eleitores a incorporar a discussão sobre o futuro do Cerrado durante o processo eleitoral de 2026.
