Canetas emagrecedoras ficam 70% mais baratas e podem ser oferecidas pelo SUS
29 setembro 2026 às 16h12

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Os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras registraram uma redução de aproximadamente 70% nos preços das farmácias em menos de um ano. Com a queda, o Ministério da Saúde avalia ampliar o acesso aos produtos por meio de uma possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). A estimativa inicial prevê um orçamento de cerca de R$ 1,5 bilhão por ano para disponibilizar os medicamentos gratuitamente à população de forma ampla. A expectativa é de que a compra em escala pelo sistema público e a produção nacional possam gerar uma redução de 80% a 90% nos preços de aquisição.
Segundo o Ministério da Saúde, medidas adotadas desde 2025 contribuíram para ampliar a oferta dos medicamentos e criaram condições para a análise de uma possível incorporação das canetas ao SUS. “Fizemos uma série de ações que favorecem um novo cenário. Barramos a tentativa de prorrogação da patente, viabilizamos a produção nacional e chamamos fabricantes a registrar novos produtos no país. Conseguimos ampliar o acesso. Deixou de ser só para ricos”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A redução dos preços ocorreu em meio ao aumento da quantidade de produtos disponíveis no mercado. Após um chamamento feito pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa, ainda no ano passado, com o objetivo de estimular a entrada de novos fabricantes, 16 novos produtos foram registrados somente em 2026, entre genéricos e similares. Pelo menos quatro deles são fabricados no Brasil. Dados da Anvisa apontam ainda que o número de pessoas que utilizam canetas emagrecedoras passou de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil por mês.
Queda nos preços
O aumento da concorrência, a possibilidade de fabricação nacional e a ampliação das opções disponíveis no mercado abriram espaço para uma nova etapa de discussão, voltada à oferta dos medicamentos em escala pelo sistema público. “Na farmácia, o preço já está 70% mais barato. Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço. Estamos projetando que, a um custo de R$ 1,5 bilhão ao ano, a gente consegue trazer esses produtos e incorporar no SUS”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde apresentou nesta semana um pedido para que os medicamentos sejam avaliados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por analisar a incorporação de novas tecnologias ao sistema público de saúde.
“Quando a gente fala em incorporar ao SUS, não estamos falando de incorporar um milagre estético. Estamos falando de incorporar uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação e atividade física, certamente poderá ter um impacto muito positivo, inclusive nos custos do sistema de saúde. Vai reduzir o volume de cirurgias bariátricas, de internações por doenças cardiovasculares e de internações por recidiva de câncer, por exemplo”, destaca Padilha.
Diretriz internacional
A proposta também considera as recomendações mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o uso de terapias baseadas em GLP-1, grupo ao qual pertencem as chamadas canetas emagrecedoras, no tratamento da obesidade. A entidade recomenda que essas terapias sejam utilizadas dentro de estratégias mais amplas de cuidado, associadas à alimentação saudável, à atividade física e a outras medidas de saúde pública. A OMS também aponta a necessidade de ampliar o acesso e reduzir os preços, além de destacar a importância de garantir acesso equitativo a essas terapias nos sistemas de saúde.
“No final do ano passado, lançamos a nova portaria da Academia da Saúde, que prevê chegar a quase 2 mil unidades, com novo investimento não só para compra de equipamento, mas para a contratação de nutricionista, educador físico, fisioterapeuta. O Ministério colocou esses recursos, os municípios aderiram, a gente criou um outro ambiente no SUS para esse enfrentamento”, destaca Padilha.
As atividades da Academia da Saúde passaram de 331,6 mil, em 2022, para 492,1 mil em 2025, crescimento de 48,5%. A política prevê 582 novos estabelecimentos credenciados em 448 municípios de todas as regiões do país, com investimentos de R$ 80,7 milhões. Integrada à Atenção Primária, a Academia da Saúde oferece atividades físicas e outras ações voltadas à promoção da saúde, à prevenção de agravos e à produção do cuidado nos territórios.
