Com 60% da população adulta praticando atividade física, cultura do bem-estar cresce em Palmas
19 abril 2026 às 18h17

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O interesse por práticas de autocuidado e qualidade de vida tem se consolidado em Palmas e já aparece em diferentes esferas do cotidiano, do lazer ao consumo. Dados do Vigitel, sistema de monitoramento do Ministério da Saúde que acompanha, todos os anos, indicadores relacionados à saúde, indicam que cerca de 60% da população adulta da capital pratica atividade física, índice que ajuda a situar a cidade entre as mais ativas do país e contextualiza o avanço de hábitos ligados ao bem-estar.
Esse conjunto de comportamentos é identificado como cultura wellness, termo usado para descrever um estilo de vida voltado ao equilíbrio entre saúde física, mental e social. A avaliação desse movimento foi feita por Caroline Cirqueira, graduada e especialista em moda pela Belas Artes, com formação complementar em comportamento de consumo e coolhunter por instituições como a FAAP. Ela integra o perfil do Instagram @assinedose, que reúne diferentes colaboradores e se apresenta como uma iniciativa de placemaking voltada à valorização do comportamento e da criatividade local.
A atuação de um cool hunter envolve observar padrões emergentes e mudanças no comportamento coletivo, antecipando movimentos que podem ganhar escala. Segundo Caroline, o avanço da cultura wellness passou a orientar escolhas diversas do dia a dia: “Quando se fala da tendência Wellness é importante atenuar que ela não se trata só de academia, mas de vários outros segmentos, como estética, suplementação, alimentação e recentemente até as viagens e hotelaria com o turismo do relaxamento.”

Conforme Caroline, o contexto local favorece essa conjuntura, ela descreve que o padrão de vida da cidade já estimula práticas associadas à saúde e ao lazer ao ar livre: “Na verdade é cultural que quem more na capital siga esse estilo de vida como uma norma social, inspirado pelos colegas de trabalho que praticam esporte, passeio pela urbanização da cidade onde não é raro ver pessoas correndo ou andando de bike, não esquecendo de citar os amigos que quando há oportunidade se reunem para ir nas cachoeiras se divertir e relaxar”, diz.
Esse ambiente contribui para que o tema deixe de ser restrito a grupos específicos e passe a ganhar escala, a presença crescente de serviços e formações profissionais voltadas ao cuidado pessoal é apontada por ela como um dos indícios dessa mudança: “Os sinais que mostram que isso deixou de ser comportamento de nicho e virou algo em ascensão são várias, como grupos de corrida, bike, vôlei. Spas. A ascensão dos Centros Acadêmicos inserindo graduações para formar e especializar Esteticistas, Educadores Físicos. Clínicas especialistas em cuidados holísticos. E claro, talvez um dos mais ilustre de todos: as academias que estão sempre abrindo com novidades”, afirma.
A movimentação observada em Palmas acompanha mudanças que já aparecem em outros contextos. Segundo a especialista, o conceito de bem-estar vem deixando de ocupar um espaço restrito e passa a influenciar diferentes áreas, como tecnologia e turismo. “Provavelmente a nível global a tendência wellness tende a continuar ganhando força e conquistando outros segmentos”, afirma. Ela cita como exemplo o avanço de dispositivos vestíveis, que monitoram indicadores de saúde no dia a dia, e a crescente oferta de experiências voltadas ao descanso.
Ao tratar dos fatores que sustentam esse comportamento, ela destaca a influência das relações sociais na disseminação de hábitos. A circulação de novas práticas entre grupos próximos tende a acelerar a adesão e a naturalizar o autocuidado como parte da rotina: “O comportamento e os ciclos sociais. A Teoria da Difusão da Inovação diz que só precisamos de duas peças centrais para fazer algo hitar, são eles: o Vanguardistas e o Early-Adopter”, afirma.
Além disso, características estruturais da capital são citadas como facilitadoras desse processo, como o planejamento urbano, o ritmo de vida e a presença de áreas naturais: “E além das conexões, a própria estrutura de Palmas colabora, a cidade é urbanizada, o estilo de vida é slow, o trânsito é o mais tranquilo de todas as capitais do Brasil, as belezas naturais que cercam Palmas inspiram à contemplação. As pessoas aqui só precisam dessa base para fazer o bem-estar acontecer, a tendência wellness vem como consequência”, diz.
Na avaliação sobre o futuro desse comportamento, Caroline considera fatores mais recentes como a forma como as pessoas lidam com tempo, tecnologia e relações pessoais são consideradas como parte do que sustenta o crescimento do tema: “O Espírito do Tempo dessa década é um dos principais indicadores que essa tendência tão cedo não irá perder tração. O Zeitgeist, como também é conhecido, é um comportamento e sentimento tão forte que é capaz de atravessar fronteiras.”
Ela também observa alterações perceptíveis no cotidiano: “Pessoas buscando se desconectar das redes, a normalização das microcomemorações, e até mesmo a valorização do fator humano como resposta à Inteligência Artificial, são tendências que juntas formam um balde inteiro de milho que virou pipoca, o Wellness nesse sentido foi um dos primeiros milhos a estourar.”
Mesmo sem previsões definitivas, a leitura de Caroline é de continuidade: “Ainda que o futuro se revele incerto, isso numa capital que naturalmente busca e valoriza o estilo de vida que contempla o autocuidado, dificilmente os palmenses vão dar o braço a torcer para algo que antes de virar tendência global para eles já era vanguarda e comportamento local”, finalizou.
