A Polícia Civil do Tocantins atribui à atuação de uma rede de apoio, formada principalmente por familiares, a principal dificuldade para localizar e prender Waldecir José de Lima Júnior, investigado pelo assassinato do vigilante Dhemis Augusto Santos. A prisão dele ocorreu na manhã desta segunda-feira, 23, na região sul da Capital.

De acordo com o delegado responsável pelo inquérito, Israel Andrade, o suporte recebido pelo suspeito foi determinante para que ele permanecesse foragido por meses, mesmo após a decretação da prisão preventiva logo no início das investigações. “O autor estava cercado de uma grande rede de apoio, especialmente familiares”, afirmou.

Segundo a apuração, essa estrutura permitiu que o investigado mudasse de localização com frequência e evitasse abordagens policiais, inclusive fora do Tocantins. Durante o período de fuga, ele passou por diferentes cidades, as equipes chegaram a identificar a presença do suspeito em municípios de Goiás, como Goiânia, Trindade e Anápolis, mas, em diversas ocasiões, ele já havia deixado os locais pouco antes da chegada dos policiais, dinâmica que, segundo o delegado, foi facilitada justamente pelo apoio logístico recebido.

A Polícia Civil destacou que esse tipo de rede, ao oferecer abrigo, deslocamento e suporte ao investigado, interfere diretamente no andamento das investigações e exige estratégias mais prolongadas de monitoramento e inteligência.

Mesmo com as dificuldades, o caso permaneceu como prioridade, e o suspeito seguiu sendo rastreado até ser localizado novamente em Palmas, em imóvel ligado a familiares. Waldecir teria informado que estava em Palmas para o aniversário do filho.

O delegado responsável pelo inquérito afirmou que a atuação da rede de apoio ao suspeito pode, em tese, ser enquadrada no crime de favorecimento pessoal, previsto no Código Penal. No entanto, ele explicou que a responsabilização depende de análise individualizada, especialmente porque a maior parte das pessoas envolvidas possui vínculo familiar com o investigado, situação que pode afastar a aplicação de pena, conforme a legislação.

Ainda assim, o delegado ressaltou que eventuais colaboradores sem relação de parentesco poderão ser identificados e responsabilizados. “Quem não for parente, a gente considera delimitar essa autoria”, afirmou.

Apesar dessa possibilidade, a autoridade policial destacou que o foco principal da investigação sempre foi a captura do autor do homicídio. Segundo ele, a prioridade era garantir a responsabilização pelo crime mais grave. “O nosso foco era encontrar o autor, e ele merece ser responsabilizado, como está sendo neste momento”, concluiu.