Contador é alvo de operação que investiga fraude fiscal de R$ 55 milhões no Tocantins
23 junho 2026 às 16h35

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Um esquema de fraude tributária investigado pela Polícia Civil do Tocantins teria provocado prejuízo superior a R$ 55 milhões aos cofres estaduais, segundo as apurações da Operação El Dourado. Nesta terça-feira, 23, uma nova fase da investigação teve como alvo um contador suspeito de desempenhar papel estratégico na movimentação financeira da organização criminosa.
O mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência de I.P.K., de 32 anos, no Plano Diretor Sul, em Palmas. A ação foi realizada pela Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT), com apoio de auditores fiscais da Superintendência de Enfrentamento a Fraudes Fiscais Estruturadas (SEFFE), vinculada à Secretaria da Fazenda.
As investigações apontam que o grupo utilizava empresas de fachada, conhecidas como “noteiras” ou “de prateleira”, para simular operações de compra e venda de grãos. A partir dessas transações fictícias, eram gerados créditos irregulares de ICMS utilizados por terceiros para reduzir o pagamento de tributos.
De acordo com a Polícia Civil, apenas uma das empresas ligadas ao esquema teria causado prejuízo superior a R$ 55 milhões ao Estado.
Contador teria assumido estrutura após fuga de líder
Conforme a investigação, o contador não figurava entre os principais alvos nas etapas iniciais da Operação El Dourado. A situação mudou após a fuga de Paulo César Maciel dos Santos, apontado como líder da organização criminosa e atualmente foragido da Justiça.
Segundo os investigadores, o suspeito passou a administrar o escritório de contabilidade utilizado pelo grupo e assumiu funções consideradas essenciais para a manutenção das operações financeiras.
As apurações indicam que ele controlava contas bancárias utilizadas pelo esquema por meio do próprio telefone celular. Quando era necessário autorizar transferências ou movimentações financeiras, o contador se deslocava até os chamados “laranjas” para realizar o reconhecimento facial exigido pelas instituições financeiras.
Para a Polícia Civil, o procedimento permitia movimentar grandes quantias de dinheiro mantendo a estrutura criminosa em funcionamento mesmo após a saída do principal investigado.
Material apreendido
Durante as buscas, os policiais apreenderam notebooks, aparelhos celulares e carimbos que, segundo a investigação, pertencem a Paulo César Maciel dos Santos e a outro contador também investigado.
Além dos equipamentos eletrônicos, foram encontradas duas porções de substância semelhante à maconha, prontas para consumo.
Todo o material será submetido à perícia da Polícia Científica e analisado pela Diretoria de Inteligência Policial (DIP), que busca identificar novas movimentações financeiras, possíveis beneficiários do esquema e outros envolvidos.
Investigação continua
O delegado Vinicius Mendes de Oliveira, responsável pelo caso, afirmou que a nova fase da operação tem o objetivo de aprofundar a responsabilização dos integrantes do grupo e ampliar a coleta de provas relacionadas aos crimes tributários e à lavagem de dinheiro.
Enquanto as investigações avançam, Paulo César Maciel dos Santos continua foragido. Conforme a Polícia Civil, pedidos de liberdade apresentados pela defesa foram negados pela Justiça de primeiro grau, pelo Tribunal de Justiça do Tocantins e também pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Operação El Dourado apura crimes contra a ordem tributária, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo a utilização de empresas de fachada para obtenção irregular de benefícios fiscais no Tocantins.

