A eleição para deputado federal no Tocantins começa com uma certeza antes mesmo da abertura das urnas: pelo menos 62,5% da bancada será renovada. Dos oito parlamentares que atualmente representam o Estado na Câmara dos Deputados, apenas três disputam a reeleição neste ano — Ricardo Ayres (Republicanos), Filipe Martins (PL) e Tiago Dimas (Podemos).

Isso significa que, independentemente do desempenho dos três candidatos à reeleição, pelo menos cinco das oito cadeiras terão novos ocupantes a partir de 2027. O cenário abriu espaço para uma disputa que reúne ex-governador, ex-prefeitos, deputados estaduais, vereadores, empresários e políticos que tentam retornar à Câmara.

A ausência de cinco deputados da corrida pela reeleição também reduz uma das principais barreiras enfrentadas por quem tenta chegar pela primeira vez a Brasília: competir contra parlamentares com quatro anos de mandato, emendas destinadas aos municípios e estruturas políticas espalhadas pelo Estado. Neste ano, somente três candidatos carregam essa vantagem.

É nesse espaço que Republicanos, PL, Podemos, PSDB, PT e a federação União Brasil/PP tentam avançar. As principais chapas fazem contas para conquistar duas ou até três vagas e carregam, por trás das nominatas, algumas das maiores lideranças políticas do Tocantins. Wanderlei Barbosa, Eduardo Gomes, Eduardo Siqueira Campos, Vicentinho Júnior, Lula e Dorinha Seabra terão participação direta na tentativa de eleger aliados para a próxima bancada.

A matemática, porém, impõe um limite às projeções partidárias: são apenas oito cadeiras. E cinco delas já estão, necessariamente, à procura de novos donos.

Republicanos aposta em Wanderlei e trabalha com três cadeiras

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O Republicanos montou uma das chapas que mais concentram candidatos com estruturas políticas próprias. Entre os principais nomes estão Ricardo Ayres, Alfredo Júnior, Lucas Campelo, Fábio Vaz e Enfermeira Sol. A principal liderança do grupo é o governador Wanderlei Barbosa, presidente estadual da legenda. Dentro do partido, a expectativa é disputar pelo menos três das oito vagas.

Ricardo Ayres é um dos apenas três integrantes da atual bancada que buscam a reeleição. Chega à campanha com o peso das emendas do mandato, trânsito em Brasília e interlocução com o governo Lula. O mandato e a rede de prefeitos e lideranças construída nos municípios dão ao deputado uma posição diferente da maioria dos concorrentes.

Fábio Vaz, ex-secretário estadual da Educação, caminha para ocupar o espaço de candidato diretamente ligado ao governador. Lucas Campelo tenta ampliar para o estado a base construída em Araguaína, onde exerce mandato de vereador, enquanto Alfredo Júnior percorreu municípios e fechou alianças com lideranças locais. Os dois também buscaram dobradinhas com deputados estaduais fora dos limites dos partidos que integram a majoritária de Dorinha.

Enfermeira Sol completa o grupo de nomes com votação anterior conhecida. Em 2022, recebeu 10.599 votos para deputada federal.

PL busca duas vagas

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No PL, os principais nomes são Filipe Martins, Maurício Buffon e Professora Elizabeth. A força política por trás da chapa é o senador Eduardo Gomes, presidente estadual da legenda e vice-presidente do Senado. No partido, a conta é de que a nominata tenha condições de brigar por pelo menos duas cadeiras.

Filipe Martins é outro dos três deputados federais do Tocantins que buscam a reeleição. Além do mandato, chega às urnas com o suporte da Assembleia de Deus Madureira, comandada no estado por seu pai, pastor Amarildo Martins, e com identificação consolidada com o eleitorado bolsonarista.

Maurício Buffon apresenta um perfil diferente. Ligado ao agronegócio, foi presidente da Aprosoja Tocantins e da Aprosoja Brasil e ocupa a segunda suplência de Dorinha Seabra no Senado. A candidatura tenta transformar a inserção no setor produtivo em votos para a Câmara.

Professora Elizabeth entra nessa conta com um desempenho anterior que não pode ser desprezado. Em 2022, recebeu 15.757 votos. Naquele pleito, teve votação individual superior à de Lázaro Botelho, que recebeu 13.668 votos, mas acabou eleito dentro da composição partidária beneficiada pelo desempenho da chapa.

O exemplo ajuda a explicar por que o PL fala em duas vagas mesmo sem apresentar uma quantidade grande de candidatos de votação conhecida: na proporcional, tão importante quanto a votação dos favoritos será a capacidade do restante da chapa de produzir os votos necessários para alcançar as cadeiras.

Eduardo Siqueira comanda aposta do Podemos em Sandoval e Tiago Dimas

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O Podemos tem Sandoval Cardoso e Tiago Dimas como seus dois principais nomes para a Câmara. O partido é comandado no Tocantins pelo prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, que administra o maior colégio eleitoral do estado e trabalha com a expectativa de conquistar duas cadeiras.

Sandoval retorna às urnas carregando o peso de já ter ocupado o governo do Tocantins. Sem mandato atualmente, percorreu municípios durante a construção da candidatura e fechou compromissos com lideranças em diferentes regiões.

Tiago Dimas tem situação distinta. Sua principal base permanece em Araguaína e ele entra na eleição já como deputado federal. Dimas não havia sido inicialmente declarado eleito em 2022, mas assumiu a cadeira depois da retotalização dos votos decorrente de decisões judiciais.

A chegada posterior à Câmara reduziu o tempo de mandato em comparação aos demais candidatos à reeleição, mas ainda lhe oferece a estrutura e a exposição de um deputado federal na tentativa de permanecer em Brasília.

Para o Podemos, a força de Eduardo Siqueira em Palmas será outro componente dessa conta. A eleição também permitirá medir a capacidade do prefeito de transformar o comando político da capital em votos para a chapa proporcional fora dos limites do município.

PSDB coloca experiência eleitoral na conta de duas cadeiras

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Iratã Abreu, Cinthia Ribeiro e Osires Damaso formam o principal trio do PSDB na disputa. A legenda integra a oposição estadual e sustenta Vicentinho Júnior para o governo. Entre os tucanos, a avaliação é de que a chapa pode disputar duas cadeiras.

Osires Damaso já conhece eleições proporcionais e mandatos legislativos. Ex-deputado estadual, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-deputado federal, recebeu 41.113 votos para a Câmara em 2022, mas ficou fora. Quatro anos depois, tenta retornar a Brasília.

Cinthia Ribeiro entra com Palmas como seu principal reduto. Depois de dois mandatos como prefeita, deixou o comando do maior colégio eleitoral tocantinense com um grau de conhecimento que poucos candidatos da proporcional possuem na capital. O desafio será transformar esse recall em votação e avançar também sobre outros municípios.

Iratã Abreu estreia na disputa federal carregando a experiência política de uma família que ocupou durante anos espaços na Câmara e no Senado. A pré-campanha foi construída com definição de regiões e lideranças a serem procuradas, numa tentativa de aproveitar parte da rede política acumulada pela família Abreu.

Ele será ainda o único integrante da família nas urnas neste ano. O senador Irajá Abreu desistiu da candidatura à reeleição, enquanto Kátia Abreu ficou fora da disputa por mandato e participa da coordenação da campanha de Lula no Tocantins.

Com isso, a eleição de Iratã terá também outro componente: saber quanto da estrutura política e eleitoral dos Abreu ainda pode ser transferida para uma candidatura proporcional.

Sem bancada, PT tenta transformar votação de Lula em cadeira

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O PT chega à eleição sem deputados federais ou estaduais eleitos pelo Tocantins em 2022. José Salomão e Célio Moura estão entre os principais nomes da legenda para tentar quebrar esse jejum. O maior cabo eleitoral do partido será o presidente Lula.

A expectativa inicial de setores petistas incluía Paulo Mourão entre os nomes capazes de dar peso à proporcional. O ex-prefeito de Porto Nacional e ex-deputado federal, porém, tornou-se candidato ao Senado. Sua saída dessa conta retirou da nominata um político com histórico eleitoral e capacidade potencial de contribuir para a soma de votos da chapa.

José Salomão tenta compensar parte dessa ausência com uma base regional conhecida. Ele deixou a Prefeitura de Dianópolis para disputar a Câmara depois de quatro eleições para o executivo municipal. Governou entre 2005 e 2012, retornou ao cargo em 2021 e foi reeleito em 2024. Sua principal força está no Sudeste do Tocantins, região na qual construiu sua trajetória política.

Célio Moura traz experiência federal. Foi eleito deputado em 2018 e tentou permanecer na Câmara quatro anos depois. Em 2022, recebeu 36.186 votos, mas o PT não conseguiu eleger nenhum deputado federal pelo estado.

A estratégia petista passa por tentar aproximar ao máximo as candidaturas proporcionais da campanha de Lula. O presidente tem histórico eleitoral forte no Tocantins, mas a eleição passada mostrou que o voto presidencial não é automaticamente transferido para candidatos do partido.

Em 2022, Lula venceu a disputa presidencial no estado, mas o PT terminou a eleição tocantinense sem cadeira tanto na Câmara dos Deputados quanto na Assembleia Legislativa. Transformar essa votação majoritária em votos proporcionais será novamente um dos principais desafios da legenda.

União Brasil e PP colocam Dorinha por trás de Jair, Janad, Luana e Barbosa

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Na federação formada por União Brasil e PP, Jair Farias, Janad Valcari, Luana Nunes e Coronel Barbosa aparecem entre os nomes de maior projeção. A principal liderança política da chapa é a senadora Dorinha Seabra, candidata ao governo.

Jair e Janad chegam com candidaturas mais consolidadas e mandatos na Assembleia Legislativa. Dentro do grupo, há quem trabalhe com a perspectiva de eleição dos dois e veja possibilidade de uma terceira cadeira a depender do desempenho conjunto da nominata.

Essa eventual terceira vaga aumenta a importância de Luana Nunes e Coronel Barbosa.

Luana tem Gurupi como principal ponto de sustentação. É filha da prefeita Josi Nunes, que administra o terceiro maior colégio eleitoral do estado, e leva para a campanha a estrutura política construída pelo grupo familiar no sul do Tocantins.

Coronel Barbosa entrou definitivamente na disputa depois de ter o nome considerado para a vice de Dorinha. Ex-comandante-geral da Polícia Militar, poderia definir sua filiação apenas na convenção em razão da condição de militar. Seu nome chegou a ser discutido no Republicanos, mas perdeu espaço na disputa pela vice e Barbosa acabou no União Brasil como candidato à Câmara.

Além da trajetória na Polícia Militar, ele conta com uma ligação de forte exposição pública: é sogro do cantor Henrique, da dupla Henrique & Juliano. A expectativa é que essa relação também dê visibilidade à candidatura.

Barbosa mantém ainda interlocução com nomes da direita nacional. Tem relação com Flávio Bolsonaro e esteve recentemente na convenção que confirmou Tarcísio de Freitas na disputa pela reeleição ao governo de São Paulo.