O Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO) manifestou posicionamento contrário à criação de uma nova unidade da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado de Goiás (UNIRG) no município de Colinas, nesta quarta-feira, 7. Segundo o conselho, a expansão da instituição não apresenta condições estruturais adequadas para o funcionamento de um curso médico.

Em vistoria recente às possíveis instalações do campus e ao Hospital Municipal de Colinas, o CRM-TO constatou que o prédio ainda está inacabado e que a unidade hospitalar possui apenas 70 leitos, número considerado insuficiente pelo Ministério da Educação (MEC) para atender 120 alunos por ano. Além disso, a equipe médica disponível no ambulatório e no pronto-socorro não cobre todas as especialidades exigidas para o ensino prático.

O conselho ressaltou ainda que a expansão desenfreada de escolas médicas no país tem sido feita sem critérios, podendo prejudicar tanto futuros estudantes quanto a população. Nos últimos 20 anos, o número de faculdades de medicina no Brasil passou de 143 em 2004 para 494 em 2024, com cerca de 44 mil novos médicos formados anualmente, apesar de o número de vagas autorizadas já superar 50 mil.

O CRM-TO também alertou que a infraestrutura de saúde não acompanha a expansão do ensino. Entre 2010 e 2023, o Brasil perdeu mais de 25 mil leitos do Sistema Único de Saúde (SUS), o que compromete a realização de estágios e internatos. No Tocantins, nove escolas médicas formam cerca de 568 novos médicos por ano, mas nenhuma atende plenamente aos pré-requisitos estabelecidos pelo MEC.

Além disso, a UNIRG obteve nota 1 no Conceito Preliminar de Curso (CPC) do MEC em 2023, entre as mais baixas do país, abaixo da nota mínima exigida para expansão, que é 3. Estudantes da instituição já haviam registrado denúncias sobre falta de materiais didáticos e desvio de equipamentos para outras filiais.

O CRM-TO também questionou a viabilidade de realizar estágios em cidades vizinhas, como Araguaína, devido à superlotação dos serviços médicos e à necessidade de deslocamentos frequentes pela rodovia BR-153, considerada de alto risco.

Em nota, o conselho afirmou que o Brasil precisa de políticas voltadas à capacitação e à fixação de médicos no interior, e não apenas da abertura de novas escolas, alertando para o risco que a expansão sem critérios representa para estudantes e população.

O Jornal Opção Tocantins entrou em contato com a UNIRG solicitando um posicionamento sobre a manifestação do CRM-TO e aguarda resposta.