O superintendente de Atenção à Saúde de Palmas, Andreis Vicente da Costa, já havia solicitado seu desligamento da Secretaria Municipal de Saúde antes da prisão preventiva decretada pela Justiça, segundo informou a defesa. O servidor, lotado em cargo de assessoria especial, foi exonerado do cargo após ter sido alvo da Operação Falsa Emergência, que investiga supostas irregularidades na contratação da entidade responsável pela gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul da capital.

A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município de terça-feira, 16 de junho. Conforme a Prefeitura de Palmas, a saída ocorreu a pedido do próprio servidor.

Segundo o advogado de Andreis, o pedido de retorno ao órgão de origem havia sido formalizado antes mesmo da decisão judicial que determinou sua prisão, cumprida em 10 de junho.

“É um equívoco imaginar que ele teria pedido exoneração em razão da prisão”, afirmou a defesa. De acordo com o advogado, Andreis é servidor concursado do Estado há cerca de 20 anos, estava cedido ao município e aguardava apenas a conclusão dos trâmites administrativos para retornar à Secretaria Estadual da Saúde.

A defesa afirma que a solicitação foi feita justamente em razão da investigação, para evitar qualquer alegação de influência do servidor sobre a Secretaria Municipal de Saúde durante a apuração dos fatos.

Além de questionar a interpretação dada ao pedido de exoneração, o advogado também contesta as suspeitas levantadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Tocantins.

Segundo a defesa, a investigação atribui a Andreis a elaboração de pareceres e manifestações administrativas relacionadas ao processo de contratação das UPAs, mas não demonstra quais informações desses documentos seriam falsas ou ilícitas.

“O que a investigação afirma é que ele teria elaborado pareceres e manifestações administrativas, o que era precisamente o trabalho dele. A investigação não fala o que existiria de ilícito ou falso nos pareceres e manifestações que ele elaborou”, sustenta a defesa.

Outro ponto contestado envolve a suspeita de recebimento de vantagem indevida por meio da utilização de uma BMW alugada pela empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, também investigada no caso.

De acordo com a investigação, o veículo teria sido utilizado frequentemente por Andreis e poderia representar uma forma indireta de pagamento de propina. A defesa, entretanto, afirma que a própria apuração registrou apenas uma ocasião em que o servidor aparece utilizando o automóvel.

Segundo o advogado, Andreis foi fotografado quando devolvia o veículo na garagem do prédio onde mora a empresária, após utilizá-lo por algumas horas. A defesa afirma ainda que a relação entre ambos era de caráter pessoal e sem vínculo com a atuação do servidor na administração pública.

Conforme dados do Portal da Transparência, Andreis ocupava desde outubro de 2025 o cargo de assessor especial de Planejamento Estratégico em Saúde, com remuneração bruta de R$ 20.704,90. Servidor de carreira do Estado, ele estava cedido à Prefeitura de Palmas.

A Operação Falsa Emergência apura suspeitas de direcionamento de contratação, falsidade ideológica e corrupção relacionadas ao contrato de aproximadamente R$ 139 milhões firmado para a gestão das UPAs da capital. Além de Andreis, a investigação resultou na prisão da então secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, e da empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva.

A defesa afirma que Andreis nunca respondeu a processo administrativo disciplinar ao longo de sua trajetória no serviço público e nega a prática de qualquer irregularidade.