Disputa pelo Palácio Araguaia também passa pelos palanques do Planalto
27 julho 2026 às 10h20

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A eleição para o Governo do Tocantins também será disputada pelos palanques presidenciais. Enquanto Lula (PT) já tem dois candidatos alinhados no estado, os demais concorrentes administram diferentes graus de aproximação com a direita nacional, em um cenário que mistura neutralidade partidária, afinidades ideológicas e estratégias eleitorais.
O cenário mais definido é o de Laurez Moreira (PSD). Mesmo com o PSD lançando nacionalmente Ronaldo Caiado para presidente e Gilberto Kassab para vice, o acordo firmado no Tocantins manteve o PT ao lado da candidatura de Laurez. O mesmo ocorre com Witer Naves, da federação PSOL-Rede, que também representa o campo de apoio ao presidente Lula. Assim, o petista chegará à campanha com dois palanques no estado, resultado de uma composição regional que seguiu caminho diferente da estratégia nacional do PSD.
No grupo liderado por Dorinha Seabra (União Brasil), a equação é mais complexa. A federação União Progressista deve permanecer neutra no primeiro turno da disputa presidencial, preservando a liberdade dos seus quadros. No Tocantins, porém, boa parte da chapa majoritária está politicamente identificada com Flávio Bolsonaro. O senador Eduardo Gomes (PL), candidato à reeleição, participou do lançamento da candidatura do presidenciável, defende sua presença no palanque da senadora e já afirmou que a maioria dos integrantes da chapa acompanha esse projeto. Ao mesmo tempo, Dorinha tende a preservar um ambiente plural, sem vincular sua campanha exclusivamente a um nome da disputa nacional. A possível indicação do candidato a vice de Flávio Bolsonaro pelo Republicanos, partido do governador Wanderlei Barbosa, também aproxima parte desse grupo do projeto presidencial da direita.
Os demais candidatos chegam com posicionamentos mais previsíveis. Ataídes Oliveira (Novo) deve acompanhar a candidatura de Romeu Zema, reproduzindo uma agenda liberal e de defesa da redução do tamanho do Estado, perfil que aproxima os dois empresários que migraram para a política. Já Vicentinho Júnior (PSDB) reúne um histórico de identificação com o bolsonarismo e deverá caminhar ao lado de Flávio Bolsonaro, embora tenha razões para evitar que a eleição estadual fique subordinada ao debate presidencial. Em um estado onde parte do eleitorado costuma distinguir o voto para presidente da escolha pelo governo, a construção desses palanques pode ser tão importante quanto a capacidade de cada candidato manter a campanha voltada aos temas do Tocantins.
