Dorinha aposta na técnica, Vicentinho no confronto e Laurez ainda busca se firmar no debate
27 agosto 2026 às 17h12

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O debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins nesta quinta-feira, 27, deixou mais claras as estratégias das três candidaturas com maior estrutura política na disputa. Professora Dorinha Seabra (União Brasil) procurou demonstrar domínio técnico dos assuntos; Vicentinho Júnior (PSDB) adotou postura mais provocativa e concentrou cobranças na atual administração; e o vice-governador Laurez Moreira (PSD) teve dificuldades para apresentar respostas objetivas em alguns dos confrontos.
Dorinha mostrou preparação não apenas para responder aos adversários, mas também na escolha dos assuntos que levou ao confronto. No primeiro bloco, por exemplo, questionou Laurez sobre o Fundo Estadual de Transporte (FET), tema diretamente relacionado ao setor produtivo diante de uma plateia formada por empresários. Na réplica, explicou o funcionamento do fundo e defendeu sua posição sobre a cobrança. A estratégia permitiu que utilizasse as próprias perguntas para apresentar propostas e demonstrar conhecimento dos temas.
A senadora, porém, enfrentou uma dificuldade que deve acompanhá-la durante a campanha: o apoio do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) faz com que adversários tentem transferir para sua candidatura problemas da atual administração. A saúde foi o exemplo mais evidente. Vicentinho abordou o caso dos medicamentos vencidos encontrados em depósito do Estado e direcionou a cobrança para Dorinha. Depois do debate, a candidata reconheceu que a saúde precisa melhorar, mas ressaltou que não é responsável pela gestão da área.
Vicentinho
Vicentinho esteve mais provocativo e também mais leve em comparação com o primeiro debate. Ainda assim, preservou uma linha central: apresentar Dorinha como continuidade de Wanderlei e cobrar dela problemas da administração estadual. A estratégia permite ao tucano explorar dificuldades do governo sem limitar o confronto a questões pessoais ou exclusivamente eleitorais.
O candidato do PSDB também procura demarcar sua condição de oposição. No debate, fez isso principalmente pela crítica à gestão estadual e pela tentativa de associar Dorinha às áreas mais vulneráveis do governo. É uma construção importante para uma candidatura que precisa convencer o eleitor de que representa uma alternativa ao grupo que atualmente administra o estado.
Laurez
Laurez, por sua vez, teve momentos de menor objetividade. Em algumas perguntas, demorou a chegar ao ponto central ou apresentou respostas genéricas. A dificuldade pesa especialmente para um candidato que tem na experiência administrativa um dos principais argumentos da campanha. Laurez foi prefeito de Gurupi, comandou interinamente o governo estadual em 2025 e atualmente ocupa a Vice-Governadoria.
O episódio do FET mostrou essa dificuldade. Questionado por Dorinha, Laurez não conseguiu desenvolver com clareza sua posição sobre a revogação do fundo. Na réplica, a senadora ocupou o espaço com uma explicação mais detalhada sobre o tema. Para Laurez, debates são uma oportunidade de associar a experiência acumulada na administração pública à capacidade de apresentar soluções concretas, algo que ainda apareceu de forma irregular nesta quinta-feira.
Witer
Entre os demais candidatos, Professor Witer (PSOL) também buscou uma abordagem técnica. Procurou aproveitar as perguntas para discutir políticas públicas e apresentar propostas, embora enfrente a mesma limitação de candidatos com menor estrutura: transformar respostas curtas em mensagens capazes de diferenciar sua candidatura.
Ataídes
Ataídes Oliveira (Novo) tinha diante de si uma plateia especialmente relacionada à sua trajetória empresarial. Voltou a apresentar o discurso dos “três cânceres” que, segundo ele, prejudicam o Tocantins, entre eles a corrupção e os favores políticos. O candidato também falou sobre saúde e segurança pública, mas frequentemente relacionou os problemas dessas áreas ao mesmo diagnóstico.
A mensagem dá unidade ao discurso de Ataídes, mas deixou menos espaço para explicar, diante de empresários, como pretende executar suas propostas e quais medidas econômicas e administrativas adotaria no governo. Pela composição do público presente na FIETO, o debate oferecia uma oportunidade para aprofundar justamente esse aspecto de sua candidatura.
Entre os três principais nomes, as diferenças ficaram mais evidentes. Dorinha procurou transformar conhecimento técnico em argumento eleitoral, ao mesmo tempo em que precisou responder pelo apoio ao atual governo. Vicentinho concentrou esforços em fazer dessa ligação uma vulnerabilidade da adversária. Laurez, apesar do currículo administrativo e da condição de atual vice-governador, ainda precisa traduzir essa experiência em respostas mais claras e objetivas nos confrontos.
