A área da educação terá 21 representantes entre os 355 candidatos registrados para as Eleições 2026 no Tocantins, segundo levantamento feito a partir dos dados de ocupação declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O grupo reúne professores de diferentes níveis de ensino, pedagogos e um profissional classificado como professor e instrutor de formação profissional. Os dados desconsideram aqueles professores que colocaram outra ocupação no registro de candidatura.

Os candidatos ligados à educação representam 5,91% do total de candidaturas registradas no Estado. A maior parte disputa cargos proporcionais: 13 concorrem a deputado estadual e cinco a deputado federal. Também há um candidato ao governo, um ao Senado e um a primeiro suplente.

Entre as ocupações declaradas, a maior presença é de professores de Ensino Médio, com oito candidatos (2,25% do total de registros), seguida por professores de Ensino Fundamental, com seis nomes (1,69%). Pedagogos e professores de Ensino Superior aparecem com três candidatos cada, enquanto a categoria “Professor e Instrutor de Formação Profissional” tem um representante.

Distribuição dos candidatos da educação

Ocupação declaradaQuantidadePercentual
Professor de Ensino Médio82,25%
Professor de Ensino Fundamental61,69%
Pedagogo30,84%
Professor de Ensino Superior30,84%
Professor e Instrutor de Formação Profissional10,28%
Total215,91%

Candidatos por ocupação

Pedagogos — 3 candidatos

NomeNome na urnaCargoPartido
Marcos Mota do NascimentoProf. Marcos MotaDeputado EstadualPSD
Telma Correia de Oliveira da SilvaTelminhaDeputado EstadualPSD
Débora Ribeiro dos SantosDébora RibeiroDeputado FederalRepublicanos

Entre os pedagogos, dois candidatos disputam vaga na Assembleia Legislativa e um concorre à Câmara Federal.


Professores de Ensino Fundamental — 6 candidatos

NomeNome na urnaCargoPartido
Sileia da Silva MonteiroSileia MonteiroDeputado FederalPDT
Mariane Ferreira da SilvaMariane FerreiraDeputado EstadualPL
Roberto Cesar Ferreira de OliveiraCesarDeputado EstadualPRD
Alessandro Gonçalves BorgesAlessandro BorgesDeputado EstadualPSDB
Maria Alice da Silva JorgeAlice JorgeDeputado FederalPV
Giane Oliveira da SilvaGiane da Arca Rainha Animais1º SuplenteRede

A categoria tem três candidatos a deputado estadual, dois a deputado federal e uma candidata a primeira suplência.


Professores de Ensino Médio — 8 candidatos

NomeNome na urnaCargoPartido
Efren Carlos Gonçalves SirqueiraEfren RamonesDeputado FederalNovo
Vanderley José de OliveiraProf. DeleyDeputado EstadualPL
Nilmar Gavino RuizNilmarDeputado EstadualPL
Lêida da Silva TheophiloProf.ª Lêida TheophiloDeputado EstadualPodemos
Leila Cristina Moreira Senn Franco RochaProfessora LeilaDeputado EstadualPRD
Witer Fonseca NavesProf. Witer NavesGovernadorPSOL
Rosilene Pereira de Sousa CruzRosilene MartinsDeputado FederalRepublicanos
Adriano Rodrigues de MoraesProfessor AdrianoDeputado EstadualUnião

É o grupo mais numeroso entre os profissionais da educação. A maioria disputa cadeiras na Assembleia Legislativa.


Professores de Ensino Superior — 3 candidatos

NomeNome na urnaCargoPartido
Mariana Carla de AlmeidaMarycats da Causa AnimalDeputado EstadualPodemos
Fabiano Kenji NohamaProf. Fabiano KenjiDeputado EstadualPT
George Franca dos SantosProf. George FrançaDeputado EstadualPV

Os três candidatos dessa categoria disputam vagas de deputado estadual.


Professor e Instrutor de Formação Profissional — 1 candidato

NomeNome na urnaCargoPartido
Vanderlei Luxemburgo da SilvaVanderlei LuxemburgoSenadorPodemos

O ex-treinador de futebol aparece no cadastro eleitoral com a ocupação declarada de professor e instrutor de formação profissional.

Educação concentrada na disputa proporcional

Dos 21 candidatos ligados à educação, 18 estão na disputa por vagas no Legislativo estadual ou federal, o equivalente a 85,7% do grupo.

A Assembleia Legislativa concentra a maior parte dos nomes, com 13 candidatos, enquanto a Câmara Federal reúne cinco. As demais disputas têm um representante cada: governo do Estado, Senado e primeira suplência.

No recorte partidário, PL, PSD e Podemos aparecem entre as siglas com maior número de candidatos da área, com três nomes cada. As demais legendas têm presença pulverizada entre os representantes da educação.

Professores ainda são sub-representados nas eleições do Tocantins, avalia especialista

Professor e advogado Evandro Borges | Foto: arquivo pessoal

A presença de professores na disputa eleitoral do Tocantins é considerada positiva por ampliar a diversidade de experiências representadas na política, mas ainda está abaixo do peso social da categoria. A avaliação é do advogado e professor universitário Evando Borges, mestre em Direitos Humanos e especialista em Ciências Jurídico-Políticas, Direito Administrativo e Direito Educacional.

Para Borges, embora o número de 21 professores demonstre participação da categoria na política, ele ainda revela uma sub-representação. “A democracia representativa funciona melhor quando diferentes segmentos da sociedade conseguem ocupar os espaços de decisão política. Os professores constituem uma categoria numerosa, presente em praticamente todos os municípios e profundamente ligada a temas centrais da vida pública, como educação, juventude, desenvolvimento social e redução das desigualdades”, afirma.

O especialista ressalta que não é metodologicamente correto comparar diretamente o percentual de candidatos com o número de professores na população, já que se tratam de universos distintos. Ainda assim, considera que os dados indicam uma participação inferior ao peso que a categoria possui na sociedade. “Os profissionais da educação constituem um contingente expressivo da população economicamente ativa e do serviço público. Por isso, uma participação de apenas 5,1% das candidaturas permite falar, ao menos em termos indicativos, em sub-representação política”, explica.

Além da representatividade, Borges destaca que professores podem contribuir para a elaboração de políticas públicas por conhecerem de perto a realidade das escolas e das comunidades.”O professor conhece não apenas a legislação educacional ou as propostas formuladas pelos governos, mas também os efeitos que essas políticas produzem no cotidiano das escolas, das famílias e das comunidades. Essa experiência pode qualificar o debate parlamentar e a formulação de políticas públicas”, afirma.

Outro aspecto apontado pelo pesquisador é a diversidade partidária entre os candidatos. Os 18 professores estão distribuídos por 13 partidos, abrangendo legendas de esquerda, centro e direita.Segundo ele, esse cenário demonstra que a categoria docente não forma um grupo politicamente homogêneo. “Professores, como qualquer outro segmento social, possuem diferentes concepções políticas, econômicas, sociais e culturais”, observa.

Para Borges, essa pluralidade também enfraquece generalizações de que o magistério estaria vinculado a uma única corrente ideológica. “A distribuição partidária dos candidatos, isoladamente, não permite provar nem refutar casos individuais de atuação político-partidária inadequada em sala de aula. Mas constitui uma evidência concreta de pluralidade política entre os próprios professores e, por isso, enfraquece generalizações segundo as quais o magistério brasileiro estaria vinculado a uma única corrente ideológica”, avalia.

O especialista defende que, em uma democracia, o papel da escola é garantir o pluralismo de ideias e a formação crítica dos estudantes, sem exigir que professores deixem de ter convicções políticas como cidadãos. Ao analisar o cenário eleitoral, Borges conclui que os dados apresentam aspectos positivos e desafios.

“Qualitativamente, os números são positivos, porque mostram professores participando da disputa eleitoral em uma grande diversidade de partidos e correntes políticas. Quantitativamente, entretanto, ainda são modestos. Seria desejável que não apenas professores, mas também outros segmentos relevantes da sociedade tivessem maior participação na política institucional. Quanto mais diversificada for a origem profissional, social e cultural dos candidatos, maior tende a ser a capacidade do sistema representativo de incorporar diferentes experiências e perspectivas existentes na sociedade”, conclui.