El Niño muito forte deve agravar risco de seca e queimadas no Tocantins até o início de 2027
30 outubro 2026 às 10h14

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O Tocantins está entre os estados da Amazônia Legal que registraram intensificação dos focos de incêndio em outubro, em um cenário de previsão de chuvas abaixo da média para grande parte da Região Norte nos próximos meses. O alerta consta na quinta edição do boletim do Painel El Niño, divulgado nesta quinta-feira, 29, que prevê a manutenção de um evento muito forte do fenômeno até pelo menos o primeiro trimestre de 2027.
Para o trimestre de novembro a janeiro, a previsão climática indica temperaturas acima da média em quase todo o país, com destaque para o Norte. A combinação de calor e menor volume de chuva aumenta o potencial de propagação de queimadas e pode agravar as condições de seca na região.
Segundo o boletim, as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico nas áreas de referência do fenômeno superaram 3°C acima da média. Para o período de novembro a janeiro, a projeção aponta um El Niño muito forte, com possibilidade de ser o mais intenso desde 1950.
No recorte estadual, o dado mais direto do boletim é o aumento da atividade de fogo no Tocantins. Na Amazônia Legal, foram contabilizados 11.662 registros de eventos de fogo até 23 de outubro. O documento aponta intensificação em Mato Grosso, Maranhão e Tocantins, embora não detalhe quantos registros correspondem a cada estado.
Para novembro, a tendência é de redução das ocorrências, mas o Cemaden alerta que a previsão de chuva abaixo da média pode retardar essa queda. No cenário projetado para o trimestre, 307 municípios brasileiros estão classificados em Alerta Alto para risco de fogo e outros 464 em Alerta, com maior concentração na Região Norte.
O cenário também pode afetar a atividade agropecuária. O boletim aponta que a combinação de calor e falta de chuva no Norte e no Nordeste pode dificultar o plantio e o desenvolvimento de lavouras de sequeiro, reduzir a oferta de pastagens e comprometer a disponibilidade de água para os rebanhos. No Matopiba, região que inclui o Tocantins, a previsão indica possibilidade de atraso no plantio.
El Niño deve persistir até 2027
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e altera os padrões de circulação atmosférica, influenciando a distribuição das chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do país.
De acordo com o Painel El Niño, as previsões indicam que o fenômeno permanecerá até pelo menos o primeiro trimestre de 2027, com intensidade forte a muito forte. A projeção para novembro de 2026 a janeiro de 2027 considera a possibilidade de um dos episódios mais intensos desde 1950.
As instituições responsáveis pelo monitoramento recomendam que estados e municípios acompanhem as atualizações meteorológicas e mantenham seus planos de contingência atualizados. A população também pode receber alertas da Defesa Civil por SMS, enviando o CEP para o número 40199, ou pelos canais oficiais de WhatsApp e Telegram.
