Empresa do Tocantins movimentou R$ 1,8 bilhão em esquema investigado por fraude e cobre furtado
26 junho 2026 às 15h32

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Uma empresa sediada no Tocantins está no centro de uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que apura um esquema bilionário de receptação de cobre furtado, lavagem de dinheiro, crimes tributários e emissão de notas fiscais fraudulentas. A Operação Ecossistemas do Cobre foi deflagrada nesta sexta-feira, 26, e resultou no bloqueio judicial de R$ 239,2 milhões em bens, direitos e valores dos investigados.
Ao todo, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, Minas Gerais, Tocantins e Paraná. No estado, policiais civis deram apoio ao cumprimento das medidas determinadas pela Justiça.
Segundo as investigações, a organização criminosa era formada por dois grupos que atuavam de forma integrada. O primeiro seria responsável pela compra e comercialização de cobre proveniente de furtos de cabos de energia, telefonia e internet. O segundo núcleo teria a função de dar aparência de legalidade ao material por meio de um complexo esquema de empresas de fachada e emissão de notas fiscais frias.
De acordo com a PCDF, uma empresa registrada no Tocantins desempenhava papel estratégico na estrutura investigada. Os policiais identificaram que 21 empresas de fachada, registradas no Distrito Federal e sem atividade econômica real, emitiram mais de R$ 1,4 bilhão em notas fiscais para essa companhia tocantinense.
As chamadas “noteiras”, segundo a investigação, estavam em nome de laranjas e não possuíam funcionários, estrutura física ou movimentação compatível com os valores declarados. Mesmo assim, geravam documentos fiscais utilizados para supostamente regularizar a circulação de cobre de origem ilícita e criar créditos tributários fraudulentos.
A empresa sediada no Tocantins, conforme apontam as apurações, teria movimentado mais de R$ 1,8 bilhão em apenas 11 meses, entre 2023 e 2024. Os investigadores também identificaram saques superiores a R$ 25,5 milhões em espécie realizados pelo operador da companhia.
Outro dado levantado pela polícia mostra que pessoas físicas e empresas ligadas ao ramo de sucatas receberam mais de R$ 45,5 milhões dessa empresa tocantinense em menos de um ano, sem documentação fiscal capaz de justificar os pagamentos.
Após receber as notas fiscais emitidas pelas empresas de fachada, a companhia no Tocantins passaria a emitir novos documentos fiscais para revender o material, principalmente para uma grande empresa do setor metalúrgico e de condutores elétricos localizada em Minas Gerais. Mais de 73% das notas fiscais emitidas pela empresa tocantinense tinham como destino essa companhia mineira.
Somente em 2021, a investigação identificou 212 notas fiscais que somavam cerca de R$ 97,1 milhões em operações entre as empresas.
As apurações também apontam indícios de lavagem de dinheiro. Segundo a PCDF, dezenas de milhões de reais foram transferidos para pessoas físicas sem atividade comercial conhecida ou capacidade financeira compatível com os valores recebidos.
Conversas interceptadas durante a investigação revelaram que o mercado clandestino do cobre furtado operava de forma organizada, com disputas entre receptadores, negociações de preços conforme a origem do material e monitoramento de cargas para identificar depósitos concorrentes.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, receptação, crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, conforme o grau de participação de cada um no esquema.
