EUA anunciam classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras
29 maio 2026 às 07h17

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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira , 28, que irá classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida, divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano, passa a valer em 5 de junho, após publicação oficial no Federal Register.
Segundo o comunicado, a decisão foi tomada com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e em uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o PCC e o CV estão entre as organizações criminosas “mais violentas do Brasil” e possuem atuação que ultrapassa as fronteiras brasileiras.
Rubio declarou que as facções comandam milhares de integrantes e são responsáveis por ataques contra policiais, agentes públicos e civis. O governo norte-americano também anunciou a inclusão dos grupos na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs), o que permite sanções financeiras e restrições econômicas mais rígidas.
A decisão ocorre em meio à mudança de postura da política externa dos EUA para a América Latina durante o novo mandato de Trump, com foco no combate ao chamado “narcoterrorismo”. Nos últimos meses, o governo norte-americano intensificou operações de segurança na região sob esse argumento.
Integrantes do governo brasileiro vinham manifestando preocupação com a possibilidade da classificação. A avaliação de setores diplomáticos e especialistas em segurança é de que a medida pode gerar impactos na cooperação entre os dois países e abrir espaço para sanções econômicas ou pressões internacionais sobre o Brasil.
Analistas também apontam que a mudança pode alterar protocolos de compartilhamento de informações entre órgãos de investigação brasileiros e norte-americanos, concentrando dados em estruturas ligadas à inteligência e defesa dos EUA. Segundo especialistas, isso poderia dificultar investigações conjuntas em andamento.
No início deste mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Casa Branca e discutiu com Donald Trump medidas de cooperação para combater organizações criminosas transnacionais. Na ocasião, Lula afirmou que não houve debate específico sobre a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas.
O anúncio também ocorreu um dia após encontro entre Marco Rubio e o senador Flávio Bolsonaro, em Washington. Antes disso, o parlamentar havia se reunido com Trump ao lado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Reportagens da imprensa internacional e brasileira apontam que Flávio Bolsonaro defendeu junto ao governo norte-americano a adoção da medida contra as facções brasileiras.
