Moradores da Aldeia Zé Brito Hespôhurê, do povo Xerente, em Tocantínia, denunciam a falta de água na comunidade e cobram medidas emergenciais do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), responsável pelo saneamento básico do território. Segundo os indígenas, o problema no abastecimento persiste há mais de cinco anos e se agrava durante o período de estiagem, quando o córrego utilizado para captação de água reduz o volume e chega a secar.

De acordo com a comunidade, cerca de 110 pessoas, entre adultos, adolescentes e crianças, distribuídas em 19 famílias, dependem do sistema de abastecimento. Os moradores relatam que, atualmente, a bomba responsável pelo fornecimento está quebrada e que a estrutura utilizada para distribuição, incluindo caixa d’água, filtros e tubulações, apresenta problemas de conservação.

O indígena Clevaci Rodriguez Xerente, integrante da comunidade, afirma que a situação tem causado sofrimento aos moradores há anos. Segundo ele, além da falta de água, a qualidade do abastecimento também preocupa a população, devido às condições da estrutura existente.

“Já faz mais de cinco anos que nós temos esse sofrimento por falta de água. O rio que faz o abastecimento seca todo ano, no verão, e cada ano que passa ele diminui mais ainda”, relatou.

Outra moradora, Kamilla Smikadi Xerente, afirma que precisou deixar temporariamente a aldeia com as duas filhas, de 3 e 5 anos, por causa da falta de água.

“Eu saí de lá porque estou com crianças pequenas. A situação está muito difícil. Os que têm transporte estão indo buscar água em outras aldeias, de moto ou carro. Quem não tem transporte está usando o pouco de água que ainda resta”, afirmou.

Segundo Kamilla, o córrego utilizado pela comunidade está praticamente seco e a família também enfrentou dificuldades relacionadas à qualidade da água disponível.

“Quando minha mãe toma essa água suja, ela sente muita dor de estômago. Por isso a gente saiu de lá”, disse.

A moradora conta que o problema é recorrente durante o verão e que a comunidade já buscou alternativas para conseguir água para consumo.

“Todos os anos, quando chega o verão, o córrego seca. As pessoas cavavam poços para conseguir água potável. Esse ano chegou novamente essa fase e começou a secar. Fiz o vídeo para divulgar e tentar que as autoridades tomem alguma medida para nos ajudar”, afirmou.

Ainda conforme Kamilla, moradores já receberam promessas de construção de um poço artesiano, mas a obra não foi executada.

“Minha avó conta que já foram duas pessoas responsáveis pela saúde indígena até a aldeia prometendo que iriam fazer o poço. Chegaram a fazer as medições, mas depois nunca mais deram retorno”, relatou.

A comunidade também aponta preocupação com impactos ambientais na região e afirma que mudanças no território contribuíram para a redução da disponibilidade de água.

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Bomba de água está sem funcionar | Foto: Arquivo pessoal

Além da falta de abastecimento, os moradores relatam que, no período de chuvas, a água do córrego apresenta sujeira e não possui qualidade adequada para consumo.

O Jornal Opção Tocantins solicitou posicionamento ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) sobre a situação da Aldeia Zé Brito Hespôhurê, questionando as medidas emergenciais para restabelecer o abastecimento, o conserto da bomba, a manutenção da estrutura existente e a previsão para implantação de um poço artesiano.

O espaço permanece aberto para manifestação do órgão.

Água da comunidade está suja, dizem moradores | Foto: Arquivo pessoal