A Justiça do Tocantins determinou que o Google e operadoras de telefonia forneçam novas informações no processo que apura a morte da empresária e servidora pública Deise Carmen de Oliveira Ribeiro, encontrada no Rio Santa Tereza, em Peixe, no primeiro dia de 2026. A medida integra despacho assinado pela juíza Ana Paula Araújo Aires Toríbio no último dia 7, que também rejeitou pedidos apresentados pela defesa de Mateus Viana de Oliveira e marcou para 22 de setembro a audiência de instrução e julgamento do caso.

O novo despacho representa mais um capítulo da ação penal que, em junho, já havia superado as primeiras contestações apresentadas pelos demais acusados. Na ocasião, a magistrada manteve a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra Déborah de Oliveira Ribeiro, Roberta de Oliveira Ribeiro Rosa, José Roberto Ribeiro e Mateus Viana de Oliveira, além de autorizar familiares da vítima a atuarem como assistentes da acusação.

Desta vez, a defesa de Mateus alegou ausência de provas e sustentou que a participação do acusado se limitou à retirada e entrega de um aparelho celular, sem relação com o suposto plano criminoso. O pedido, porém, foi rejeitado. Na decisão, a juíza cita elementos da investigação que apontam que um celular Samsung Galaxy A01 Core retirado pelo réu em Palmas teria sido usado para criar, em 1º de dezembro de 2025, a conta de e-mail “[email protected]”, registrada em nome da vítima quando o aparelho ainda estaria sob sua posse.

Segundo o despacho, também há registros telemáticos e depoimentos que indicam um encontro entre Mateus e as demais acusadas no Hotel Mutucão, em Gurupi, na noite do crime. Para a magistrada, as informações reunidas até o momento são suficientes para manter o acusado na ação penal, cabendo à fase de instrução esclarecer se ele tinha conhecimento ou aderiu ao plano criminoso.

Apesar de rejeitar o pedido de absolvição sumária, a juíza autorizou diligências requeridas pela defesa e aceitas pelo Ministério Público. Foram expedidos ofícios ao Google LLC e às operadoras de telefonia para obtenção de dados que possam ajudar a identificar a autoria da criação da conta de e-mail e a localização da ativação dos dispositivos eletrônicos citados no inquérito.

Com o processo considerado saneado e diante da existência de rés presas — Déborah de Oliveira Ribeiro e Roberta de Oliveira Ribeiro Rosa estão na Unidade Penal Feminina de Formoso do Araguaia —, a magistrada determinou prioridade na tramitação da ação e marcou a audiência de instrução e julgamento para as 13h45 do dia 22 de setembro, por videoconferência.

Deise Carmen desapareceu após sair de Palmeirópolis com destino a Gurupi, em dezembro do ano passado. Dias depois, o corpo foi encontrado por um morador no Rio Santa Tereza, na zona rural de Peixe. Segundo a Polícia Civil, o crime teria sido motivado por disputas familiares e patrimoniais, hipótese contestada pelas defesas dos acusados.