Ibaneis pressiona presidente do BRB por desfecho do caso Master e diz não suportar desgaste
14 abril 2026 às 16h51

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Mensagens trocadas em 2025 entre o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, revelam a preocupação do chefe do Executivo com os desdobramentos da tentativa de aquisição do banco Master. Em um dos diálogos, Ibaneis afirma que a operação vinha gerando desgaste político acima do esperado e sinaliza que não suportaria a continuidade da situação. As informações são do O Globo.
O conteúdo está sob análise da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades envolvendo transações entre o BRB e a instituição financeira ligada ao empresário Daniel Vorcaro. A apuração inclui o cruzamento de conversas obtidas em celulares de envolvidos para reconstruir a cronologia das negociações e identificar eventuais interferências externas.
Procurado, Ibaneis confirmou que cobrava uma definição sobre o negócio, mas negou qualquer tipo de influência indevida ou pressão de terceiros. Segundo ele, a preocupação era institucional, diante dos reflexos que a operação poderia causar no Distrito Federal. Já o ex-presidente do BRB não se manifestou.
As tratativas enfrentaram resistência após o Banco Central identificar inconsistências em ativos do Master adquiridos pelo BRB, em operação bilionária. O episódio levou ao aumento da fiscalização e, meses depois, ao veto definitivo da negociação. Sem conseguir se sustentar no mercado após forte saída de recursos, o Master acabou liquidado.
O fracasso da operação agravou a situação do BRB, que passou a enfrentar exigências do Banco Central para recomposição de capital e ajustes contábeis. Entre as medidas cobradas, está a necessidade de provisão bilionária e aporte por parte do governo do Distrito Federal, controlador da instituição.
Antes de deixar o cargo, Ibaneis chegou a acionar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para viabilizar um empréstimo destinado a reforçar o caixa do banco público. As negociações, no entanto, seguem sob responsabilidade da atual governadora, Celina Leão, que busca alternativas junto ao mercado financeiro para equilibrar as contas da instituição.
Entre as possibilidades em discussão está a venda de ativos ligados ao Master, o que poderia gerar entrada imediata de recursos, embora não resolva integralmente o problema estrutural do banco. Enquanto isso, a Polícia Federal aposta na colaboração de Vorcaro para esclarecer se houve interferência política na tentativa de socorro à instituição privada.
