A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) deve analisar, no fim deste mês, uma proposta que envolve diretamente comunidades presbiterianas do Tocantins e o movimento cristão Legendários. O tema será debatido durante a reunião do Supremo Concílio, instância máxima da denominação, que começa no dia 26 de julho, em Manaus (AM). As informações são da Folha de S. Paulo.

A discussão tem origem em um documento elaborado por um sínodo da IPB no Tocantins, que recomenda que pastores, presbíteros, diáconos e demais membros da igreja não participem nem incentivem a adesão ao Legendários.

O parecer aponta que o movimento seria incompatível com princípios da tradição reformada, defendida pela Igreja Presbiteriana, por utilizar práticas associadas ao universo de coaching, técnicas motivacionais e experiências de forte impacto emocional.

Segundo o documento, essas metodologias poderiam relativizar a centralidade das Escrituras e da obra de Jesus Cristo, além de transformar práticas religiosas em uma experiência baseada em desempenho e pertencimento a um grupo.

O Legendários é um movimento cristão direcionado a homens, criado na Guatemala e presente no Brasil desde 2018. A proposta envolve retiros com desafios físicos, atividades em ambientes de natureza e mensagens religiosas com foco na chamada “masculinidade bíblica”, no papel familiar e na responsabilidade dos homens como provedores e protetores.

A avaliação apresentada pelo sínodo tocantinense também questiona elementos utilizados pelo grupo, como uniformes, identificação dos participantes por números e expressões próprias do movimento. Para os autores do parecer, essas práticas poderiam criar uma identidade paralela à vida da igreja.

O documento ainda manifesta preocupação com atividades de intenso desgaste físico e emocional, que poderiam levar participantes a interpretar experiências pessoais como manifestações espirituais.

Caso seja aprovado pelo Supremo Concílio, o posicionamento deverá orientar toda a Igreja Presbiteriana do Brasil e poderá servir de referência para que conselhos locais acompanhem a participação de membros em movimentos considerados incompatíveis com a doutrina da denominação.

O Legendários afirma respeitar as decisões de diferentes denominações cristãs e diz atuar para fortalecer comunidades e famílias. Segundo a organização, o movimento está presente em 24 países e reúne mais de 220 mil participantes.

A liderança nacional da Igreja Presbiteriana do Brasil não se manifestou antes da decisão do Supremo Concílio. A reunião, que ocorre a cada quatro anos, deve definir o posicionamento oficial da denominação sobre o tema.