A previsão climática divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para este mês de dezembro aponta para variações no comportamento das chuvas no país, com destaque para o Tocantins e demais estados do Norte. Em grande parte da Região Sul, o órgão estima precipitações abaixo da média histórica, enquanto áreas das regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste devem registrar volumes acima do padrão climatológico.

Na Região Norte, o Inmet projeta chuvas de até 50 mm acima da média histórica em grande parte do centro-sul e centro-norte do Amazonas, no centro-sul do Tocantins, na maior parte do Pará e em quase todo o Amapá. Nas áreas mencionadas do Tocantins e do Amapá, os volumes podem superar a média em até 150 mm. Em contrapartida, quase todo o Acre, o oeste do Amazonas e o centro-sul do Pará devem apresentar precipitações abaixo da média climatológica. Nas demais áreas, o prognóstico indica índices próximos ao esperado para dezembro.

Para o Nordeste, o instituto prevê chuva acima da média em praticamente toda a Bahia e no Piauí. Nas demais localidades da região, os volumes devem permanecer próximos à média climatológica. Apenas áreas isoladas do norte do Maranhão podem ter precipitações abaixo da normalidade.

No Centro-Oeste, o Inmet estima volumes acima da média em praticamente todo o território de Goiás, no oeste de Mato Grosso e no leste de Mato Grosso do Sul. Em sentido oposto, áreas do centro de Mato Grosso e do noroeste de Mato Grosso do Sul devem registrar chuvas abaixo da média.

A Região Sudeste deve apresentar volumes superiores ao padrão climatológico em praticamente todo Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em grande parte de São Paulo. No Espírito Santo, a projeção é de precipitações dentro da média histórica.

Para a Região Sul, o prognóstico indica acumulados inferiores à média histórica na maior parte do território. Todo o Rio Grande do Sul deve registrar chuvas abaixo do normal, com até 75 mm de déficit no oeste do estado, além da maior parte de Santa Catarina e do oeste do Paraná.

Temperatura

A previsão de temperaturas para dezembro indica valores acima da média histórica em grande parte do Brasil. Na Região Norte, estão previstos desvios positivos de até 1,5 °C, especialmente no sudeste do Pará, na divisa com o Tocantins, onde as temperaturas podem variar entre 25 °C e 32,5 °C. Em áreas do Amapá, do oeste do Amazonas e do noroeste do Pará, são projetados desvios dentro da média ou negativos, chegando a -0,4 °C.

Na Região Nordeste, a estimativa é de temperaturas superiores ao padrão em todos os estados, com destaque para o sul do Piauí, onde os desvios podem alcançar 1 °C e os valores podem ultrapassar 27 °C. Mesmo nas áreas litorâneas, a previsão indica temperaturas elevadas, variando entre 25 °C e 27 °C. Em grande parte do Rio Grande do Norte, norte da Paraíba e norte do Piauí, os valores devem permanecer dentro da média.

No Centro-Oeste, as temperaturas tendem a ficar acima da climatologia de dezembro, com maiores elevações previstas para o norte e leste de Mato Grosso e para a porção central de Mato Grosso do Sul, onde os desvios podem chegar a 1,5 °C.

Para o Sudeste, as temperaturas médias podem ultrapassar 20 °C, com menores registros no leste de Minas Gerais e valores mais altos no oeste de São Paulo, norte de Minas e em todo o Espírito Santo, onde os desvios podem chegar a 1 °C.

Na Região Sul, as temperaturas devem permanecer dentro da média no centro-oeste do Paraná, na divisa com Santa Catarina, em áreas da faixa litorânea catarinense e no sul do Rio Grande do Sul. No entanto, na região central de Santa Catarina e em grande parte do Paraná, os desvios podem atingir até 1 °C acima da média, com valores superiores a 18 °C.

Possíveis impactos nas culturas agrícolas

No Norte, o prognóstico climático aponta elevação das temperaturas em grande parte da região, associada a precipitações abaixo da normalidade no sudoeste e nordeste do Pará, no oeste e centro do Amazonas e no oeste do Acre. Esse cenário pode aumentar o risco de déficit hídrico, afetando culturas permanentes como cacau, açaí e fruticultura tropical. A limitação de umidade no solo pode reduzir a frutificação, tamanho e peso dos frutos, além de comprometer a qualidade das amêndoas de cacau, principalmente em áreas mais suscetíveis ao estresse térmico. Já no centro-norte do Amapá, no extremo norte e sul do Amazonas, no Baixo Amazonas e no sudeste do Pará, a previsão de chuvas acima da média tende a favorecer o desenvolvimento vegetativo, a reposição hídrica e a recuperação de pastagens.

No Nordeste, a combinação de chuvas acima da média com temperaturas elevadas tende a favorecer cultivos em desenvolvimento, como feijão, milho e fruticultura irrigada. Para as lavouras de feijão e milho em fase de enchimento de grãos, o aumento das precipitações deve contribuir para suprimento hídrico adequado e maior uniformidade dos grãos.

No Centro-Oeste, chuvas e temperaturas acima da média devem favorecer o avanço do desenvolvimento das culturas de soja e milho da primeira safra em fase vegetativa, caminhando para o florescimento nas áreas plantadas mais cedo. Nas regiões com previsão de chuvas abaixo da média, principalmente no norte de Mato Grosso e no oeste de Mato Grosso do Sul, podem ocorrer curtos períodos de restrição hídrica, aumentando o risco de estresse hídrico nas fases iniciais, sobretudo em lavouras implantadas tardiamente. A combinação de calor e alta umidade também pode intensificar pragas e doenças foliares.

Na Região Sudeste, a projeção de chuvas acima da média e temperaturas mais altas tende a favorecer a semeadura e o estabelecimento inicial de cultivos de verão, como soja, milho e feijão, principalmente nas áreas com maior disponibilidade hídrica. Esse cenário também auxilia na reposição da umidade do solo, importante para culturas perenes como café e cana-de-açúcar.

No Sul, a expectativa de chuvas abaixo da média e temperaturas mais elevadas pode favorecer o estágio final das culturas de inverno e as operações de colheita. A menor umidade reduz a incidência de doenças fúngicas, enquanto as temperaturas mais altas aceleram a maturação dos cultivos de verão.

O Inmet integra o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e representa o Brasil na Organização Meteorológica Mundial (OMM) desde 1950.