Investigação sobre “núcleo político” do PCC cita Palmas como ponto de entrega de R$ 2,5 milhões em dinheiro vivo
04 maio 2026 às 10h11

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A investigação da Polícia Civil de São Paulo que apura a atuação de um suposto “núcleo político” do Primeiro Comando da Capital (PCC) cita o Tocantins como um dos pontos de movimentação de grandes quantias de dinheiro vivo ligadas ao esquema. Segundo documentos obtidos pelo portal Metrópoles, um encontro realizado em Palmas teria sido utilizado para a entrega de aproximadamente R$ 2,5 milhões em espécie.
O caso integra a Operação Contaminatio, deflagrada na última segunda-feira, 27, e que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a fintech 4TBANK e pessoas apontadas pela polícia como operadores financeiros da facção criminosa.
De acordo com a investigação, mensagens extraídas do celular de João Gabriel de Melo Yamawaki, apontado como articulador financeiro do grupo, mostram negociações envolvendo transporte de dinheiro em espécie, inclusive por aeronaves fretadas, para o empresário goiano Adair Antônio de Freitas Meira.
A polícia afirma que parte dos encontros entre os investigados ocorreu presencialmente e um deles teria acontecido em um posto de combustíveis ligado à família de Yamawaki, em Palmas. Conforme a representação enviada à Justiça, o local teria sido usado para a entrega de cerca de R$ 2,5 milhões em espécie, em uma operação descrita pelos investigadores como o “caminho de volta do dinheiro”.
As apurações apontam que empresas e fundações ligadas a Meira realizavam pagamentos à 4TBANK por meio de boletos considerados “possivelmente fraudulentos”. Depois disso, segundo a polícia, os valores retornariam ao empresário em dinheiro vivo, transportado principalmente por helicópteros e voos para Brasília.
Mensagens analisadas pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes mostram conversas entre Yamawaki e Meira sobre reservas de numerário, entregas presenciais e deslocamentos aéreos. Em um dos diálogos, o operador pede que o empresário “leve uma bolsinha” para um encontro em Brasília, o que, para os investigadores, indicaria entrega direta de valores.
A investigação também aponta movimentações milionárias realizadas entre 2021 e 2022. Um dos episódios envolve o saque de R$ 1,38 milhão em espécie, retirado de forma fracionada em quatro datas diferentes por Matie Obam, enteada de Yamawaki e também alvo da operação.
O nome de Yamawaki já havia aparecido anteriormente na Operação Decurio, deflagrada em 2024, que investigou um suposto esquema de infiltração política ligado ao PCC nas eleições municipais daquele ano. Segundo o Metrópoles, mensagens encontradas em celulares apreendidos indicavam discussões sobre estratégias para eleger pessoas ligadas à facção.
A investigação começou após uma apreensão de drogas realizada em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, em 2023. A partir da análise de celulares apreendidos com investigados, a polícia afirma ter identificado conexões entre integrantes da facção, operadores financeiros e articulações políticas.
Em nota ao Metrópoles, a defesa de Adair Antônio de Freitas Meira negou qualquer envolvimento com organizações criminosas e afirmou que as acusações se baseiam em “menções frágeis” e registros cuja autenticidade é contestada.
“A defesa refuta de forma categórica qualquer tentativa de associá-lo a organizações criminosas ou a práticas ilícitas”, diz o posicionamento. Os advogados afirmam ainda que o empresário está disposto a prestar esclarecimentos às autoridades.
