O economista Afonso Piva de Santana, ex-secretário estadual da Saúde e investigado pela Polícia Federal por suspeitas de irregularidades em contratos da área, foi cedido pelo Governo do Tocantins para atuar na Câmara Municipal de Palmas.

A cessão foi oficializada por meio de portaria, publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira, 6. O ato é assinado pelo secretário-chefe da Casa Civil do Tocantins, Deocleciano Gomes Filho.

Conforme apurado pelo Jornal Opção Tocantins, a vereadora Karina Café (Republicanos) solicitou por meio de ofício a disposição de Afonso para seu gabinete.

De acordo com o documento, Afonso, servidor efetivo do Poder Executivo, foi cedido ao Legislativo municipal no período de 9 de março a 31 de dezembro de 2026, com ônus para o órgão de origem, ou seja, os salários permanecem pagos pelo governo estadual.

Investigação da Polícia Federal

O nome de Afonso Piva ganhou notoriedade após ele se tornar alvo da Operação Autoimune, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2023. A investigação apura suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos, organização criminosa e lavagem de dinheiro em contratos firmados pela Secretaria Estadual da Saúde.

Um dos focos do inquérito é um pregão eletrônico para aquisição de seringas hospitalares, realizado em 2021, estimado em cerca de R$ 6,9 milhões. Segundo a PF, há indícios de que empresas com ligação entre si teriam participado do processo licitatório para direcionar a contratação e inflar valores.

Na época da operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados e na própria Secretaria da Saúde.

Saída da Secretaria

Poucos dias após a deflagração da operação, Afonso Piva pediu exoneração do cargo de secretário estadual de Saúde, função que ocupava desde 2021 durante a gestão do governador Wanderlei Barbosa. O governo informou, à época, que o então secretário deixou o cargo para se dedicar à própria defesa e colaborar com as investigações.

A investigação teve continuidade no ano seguinte com nova fase da operação, conhecida como Operação Autoimune 2, realizada em fevereiro de 2024. Nesta etapa, a Polícia Federal cumpriu novos mandados de busca em imóveis ligados ao ex-secretário em Palmas, além de aprofundar a apuração sobre possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de bens relacionados aos contratos da saúde.

As investigações tramitam na Justiça Federal e, até o momento, não há condenação definitiva contra o ex-secretário.