Investigado em operação da PF, ex-secretário Afonso Piva é cedido pelo governo do Tocantins à Câmara de Palmas
07 março 2026 às 10h47

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O economista Afonso Piva de Santana, ex-secretário estadual da Saúde e investigado pela Polícia Federal por suspeitas de irregularidades em contratos da área, foi cedido pelo Governo do Tocantins para atuar na Câmara Municipal de Palmas.
A cessão foi oficializada por meio de portaria, publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira, 6. O ato é assinado pelo secretário-chefe da Casa Civil do Tocantins, Deocleciano Gomes Filho.
Conforme apurado pelo Jornal Opção Tocantins, a vereadora Karina Café (Republicanos) solicitou por meio de ofício a disposição de Afonso para seu gabinete.
De acordo com o documento, Afonso, servidor efetivo do Poder Executivo, foi cedido ao Legislativo municipal no período de 9 de março a 31 de dezembro de 2026, com ônus para o órgão de origem, ou seja, os salários permanecem pagos pelo governo estadual.
Investigação da Polícia Federal
O nome de Afonso Piva ganhou notoriedade após ele se tornar alvo da Operação Autoimune, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2023. A investigação apura suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos, organização criminosa e lavagem de dinheiro em contratos firmados pela Secretaria Estadual da Saúde.
Um dos focos do inquérito é um pregão eletrônico para aquisição de seringas hospitalares, realizado em 2021, estimado em cerca de R$ 6,9 milhões. Segundo a PF, há indícios de que empresas com ligação entre si teriam participado do processo licitatório para direcionar a contratação e inflar valores.
Na época da operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados e na própria Secretaria da Saúde.
Saída da Secretaria
Poucos dias após a deflagração da operação, Afonso Piva pediu exoneração do cargo de secretário estadual de Saúde, função que ocupava desde 2021 durante a gestão do governador Wanderlei Barbosa. O governo informou, à época, que o então secretário deixou o cargo para se dedicar à própria defesa e colaborar com as investigações.
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A investigação teve continuidade no ano seguinte com nova fase da operação, conhecida como Operação Autoimune 2, realizada em fevereiro de 2024. Nesta etapa, a Polícia Federal cumpriu novos mandados de busca em imóveis ligados ao ex-secretário em Palmas, além de aprofundar a apuração sobre possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de bens relacionados aos contratos da saúde.
As investigações tramitam na Justiça Federal e, até o momento, não há condenação definitiva contra o ex-secretário.
