Justiça bloqueia R$ 21 milhões durante investigação sobre grupo familiar do agro por suspeita de fraudes em contratos no Tocantins
05 maio 2026 às 11h39

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Mandados judiciais foram cumpridos nesta terça-feira, 5, em Divinópolis do Tocantins no âmbito da Operação Laços Quebrados, deflagrada pela 55ª Delegacia de Polícia Civil do município. A ação investiga um esquema de possíveis fraudes financeiras envolvendo uma sociedade familiar ligada ao setor agropecuário, com suspeita de prejuízos que podem ultrapassar R$ 21 milhões.
As apurações indicam que irmãos constituíram fazendas na região e, ao longo do tempo, teriam ocorrido contratos com instituições financeiras em que propriedades rurais foram utilizadas como garantia sem o conhecimento de todos os sócios. Também há suspeita de desvio de recursos originalmente destinados às atividades agropecuárias.
A operação teve apoio das 61ª, 62ª e 63ª Delegacias de Polícia de Paraíso do Tocantins, além da 57ª Delegacia de Pium, da 59ª Delegacia de Polícia e de equipes do Grupo de Operações Táticas Especiais. As ações ocorreram de forma simultânea em áreas urbanas e rurais para evitar perda de evidências.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão que resultaram na coleta de documentos, equipamentos eletrônicos, dinheiro em espécie, objetos de valor e dois veículos. Também foram realizadas diligências em imóveis e propriedades vinculadas aos investigados.
Segundo a investigação, há indícios de uso de documentos e certificados digitais para viabilizar os contratos sob suspeita, além disso, filhos de um dos investigados, “laranjas”, e uma contadora aparecem como possíveis participantes do esquema.
As medidas judiciais incluem quebra de sigilo bancário e telemático, com acesso a dados financeiros, registros de transações, informações de dispositivos e armazenamento em nuvem. Também foi determinado o bloqueio de bens e valores até o limite de R$ 21 milhões.
A Justiça autorizou ainda a apreensão de safras já colhidas e das que seguem em produção nas propriedades ligadas à sociedade, empresas do setor cerealista foram notificadas para reter valores de vendas e depositá-los em conta judicial. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Bruno Monteiro Baeza, as ações buscam reunir elementos que ajudem a esclarecer a dinâmica das movimentações financeiras e interromper possíveis irregularidades.
O material recolhido deve subsidiar a continuidade das investigações, que seguem sob sigilo judicial.
