Dois homens acusados de homicídio e foragidos há um ano solicitaram à Justiça a realização de um interrogatório por videoconferência. O pedido de Valdimar Carvalho dos Santos e Tiago Pereira dos Santos foi aceito, no entanto, o Ministério Público entrou com recurso causando a revisão da decisão do juiz que  acabou negando o encontro virtual.

Os dois homens são pai e filho, acusados pela morte de Henrique Cardoso de Sousa, de 22 anos. O caso foi registrado em abril de 2025, quando a vítima entrou em um bar na zona rural de Tocantínia durante um tiroteio. O jovem foi atingido na cabeça e morreu dias depois no Hospital Geral de Palmas (HGP).

A Polícia Civil divulgou cartazes de procurados do pai e filho em agosto do ano passado. Na época, eles moravam na zona rural do município de Dois Irmãos e fugiram após as ordens de prisão expedidas pelo Poder Judiciário.

No dia 6 de abril deste ano, a Justiça havia aceitado que Valdimar e Tiago fossem interrogados por videoconferência. A decisão foi assinada pelo juiz Marcello Rodrigues de Ataídes, da 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins. Entretanto, o promotor de Justiça Rodrigo de Souza, da 1ª Promotoria de Justiça de Miracema do Tocantins, pediu para que o juiz reavaliasse a liberação do formato virtual.

Em seu pedido, o promotor comentou que “é imperativo destacar que os réus encontram-se foragidos, com mandados de prisão em aberto. A concessão do direito de participar da audiência via videoconferência, nesta condição, revela-se incompatível com o ordenamento jurídico e com os precedentes do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO), Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF)”.

Histórico do caso

No dia 12 de abril do ano passado aconteceu o crime, por volta das 21h, no Assentamento Água Fria II. A família de Henrique Cardoso havia relatado a suspeita de que ele foi atingido por engano durante o tiroteio que acontecia no bar.

“A discussão não tinha nada a ver com ele [Henrique], estava acabando de chegar neste bar e já estava a confusão, e desta confusão os rapazes [suspeitos] estavam armados e começaram a fazer vários disparos para todo lado”, contou a irmã Esmeralda Farias.

Ainda segundo relatos da irmã da vítima, Henrique teria ido ao bar acompanhado de um amigo. “Ficamos muito assustados, mas nunca imaginamos que fosse com ele, porque ele havia saído para outro lugar. Mas um rapaz chegou aqui [casa] e avisou que Henrique tinha sido atingido na cabeça”.

De acordo com a família, Henrique Cardoso era jogador amador de futebol, muito carinhoso, e não tinha brigas com outras pessoas.