Médico é indiciado por homicídio culposo após atropelar idoso e fugir sem prestar socorro em Palmas
23 junho 2026 às 17h19

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Quase três meses após o atropelamento que matou o ciclista Benedito Souza Freitas, de 70 anos, a Polícia Civil do Tocantins concluiu as investigações e indiciou o motorista Daniel Vitor Pereira, de 41 anos. Ele responderá por homicídio culposo na direção de veículo automotor, qualificado pela omissão de socorro e pela fuga do local do acidente.
O crime aconteceu na Avenida Parque, região sul de Palmas no dia 9 de maio deste ano. Conforme a apuração da PCTO, Benedito trafegava regularmente de bicicleta quando foi atingido na traseira pela caminhonete conduzida pelo suspeito, que seguia no mesmo sentido da via. As investigações também apontaram que, logo após o impacto, o motorista chegou a parar o veículo e descer da caminhonete, mas deixou o local sem prestar qualquer assistência à vítima, apesar de ser médico.
Testemunhas acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros, porém Benedito não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.
Após o ocorrido, as equipes policiais localizaram a caminhonete Chevrolet S10 prata abandonada nas proximidades do Aeroporto de Palmas. Segundo a PCTO, após o acidente, o condutor teria ainda alugado outro veículo antes de retornar para sua residência. Durante a perícia no automóvel foram encontrados um copo no porta-copos do motorista e uma caixa térmica contendo bebidas alcoólicas na carroceria.
O laudo pericial aponta que a causa determinante do acidente foi a reação tardia do motorista, associada à velocidade incompatível com as condições de tráfego. A perícia concluiu ainda que, se o veículo estivesse dentro do limite de velocidade da via, de 60 km/h, e o condutor mantivesse atenção adequada ao trânsito, seria possível evitar a colisão.
Em depoimento prestado na DRCT, acompanhado de advogado, o investigado afirmou que se assustou após a colisão, acreditando inicialmente tratar-se de uma tentativa de assalto, e que não conseguiu prestar socorro em razão do desespero. O suspeito ainda alega que ligou para o Samu após deixar o local e negou ter ingerido bebida alcoólica ou qualquer substância que alterasse sua capacidade psicomotora.
O delegado-chefe da DRCT, Márcio Girotto Vilela, comentou que a conclusão do inquérito teve como base um conjunto robusto de provas técnicas e testemunhais. “A investigação demonstrou, por meio da perícia e dos depoimentos colhidos, que o acidente poderia ter sido evitado caso o condutor observasse o limite de velocidade e dirigisse com a atenção exigida. Além disso, ficou comprovado que ele deixou o local sem prestar socorro à vítima, circunstâncias que fundamentaram o indiciamento”, disse.
O inquérito policial foi remetido ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis.
Histórico do caso
O médico Daniel Vitor Pereira chegou a comparecer à Polícia Civil três dias após o crime, no dia 12 de maio, em Palmas. Segundo a defesa, o médico confirmou em depoimento que estava ao volante no momento do acidente, registrado no dia 9. Conforme o advogado, Daniel Vitor Pereira foi ouvido e liberado em seguida.
A defesa ainda disse que as condições da via na região da Arso 151 (antiga 1.503 Sul) contribuíram para o acidente. Segundo o advogado, o trecho possui pouca iluminação e falta de sinalização. Além disso, ainda argumentam que o médico relatou ter deixado o local por não ter certeza do que havia acontecido e por estar em estado de choque.
“Ele entrou em choque, essa é a situação. Ele não tem como afirmar se a bicicleta atravessou o canteiro ou se estava em linha reta. Vamos ter que aguardar a perícia, porque ele não estava em alta velocidade. Nem ele [Daniel] sabe qual foi a dinâmica”, disse o advogado.
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