Mercado imobiliário de Palmas busca equilibrar expansão e poder de compra, avalia Ademi-TO
17 outubro 2026 às 10h45

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O crescimento do mercado imobiliário de Palmas tem sido acompanhado por uma discussão sobre a capacidade de compra das famílias, os custos de construção e a oferta de empreendimentos destinados a diferentes faixas de renda. Embora a capital reúna imóveis voltados tanto à moradia quanto ao investimento, o acesso à casa própria ainda depende de fatores como disponibilidade de entrada, condições de financiamento e compatibilidade entre os preços praticados e a renda dos compradores.
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Tocantins (Ademi-TO), João Paulo Tavares, analisou os fatores que influenciam o setor, desde a formação dos preços até a expansão de apartamentos compactos. Entre os principais desafios, destacou a necessidade de tornar economicamente viáveis empreendimentos destinados à população de renda intermediária.
Questionado sobre as possibilidades de aquisição de imóveis por famílias com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 8 mil, João Paulo explicou que as alternativas variam conforme a situação financeira de cada comprador.
“O mercado imobiliário de Palmas atende diferentes perfis de renda. Para uma família nessa faixa, as possibilidades dependem da entrada disponível, da capacidade de pagamento e das condições de crédito. O desafio é compatibilizar o custo de produção com a realidade financeira das famílias. Nosso compromisso é buscar caminhos para ampliar esse acesso, sem abrir mão da qualidade e da segurança”, afirmou.
Custos de construção influenciam os preços
As diferenças de preços entre imóveis comercializados na capital, segundo o presidente da Ademi-TO, estão relacionadas não apenas à localização e ao padrão dos empreendimentos, mas também às despesas envolvidas em todas as etapas da construção.
“O preço de um imóvel é composto por terreno, materiais, mão de obra, projetos, tributos e custos financeiros. O peso de cada item varia conforme a localização e o padrão do empreendimento. A margem da incorporadora também precisa remunerar o capital investido e os riscos de um projeto de longo prazo. O desafio é manter esse equilíbrio de forma sustentável”, explicou.
Além da composição dos custos, as condições comerciais podem provocar diferenças entre os valores anunciados e os efetivamente pagos pelos compradores. Conforme João Paulo, essa variação depende das formas de pagamento, dos prazos estabelecidos e das estratégias adotadas pelas incorporadoras em cada empreendimento.
Oferta para famílias de renda intermediária
A dificuldade de desenvolver imóveis compatíveis com o orçamento de famílias que não conseguem adquirir unidades de maior valor também foi abordada na entrevista.
“Esse é um desafio que envolve a relação entre o custo de produção e a capacidade de compra. Terrenos, materiais, mão de obra, tributos e financiamento pesam nessa equação. O setor tem interesse em atender essas famílias, mas precisa de condições econômicas e regulatórias que tornem os projetos viáveis, além de buscar mais produtividade e eficiência construtiva”, afirmou.
Na avaliação de João Paulo, a solução não depende exclusivamente das incorporadoras.
“Ampliar o acesso à casa própria exige ação conjunta: melhores condições de crédito, eficiência nos processos de aprovação, infraestrutura urbana e inovação construtiva. As incorporadoras podem contribuir com produtividade, projetos mais racionais e produtos adequados à realidade financeira das famílias. A ADEMI defende um ambiente de negócios estável e o crescimento planejado de Palmas, com oportunidades para diferentes faixas de renda”, destacou.
Apartamentos compactos atraem moradores e investidores
Outro movimento observado no mercado imobiliário da capital é a oferta de studios e apartamentos com áreas reduzidas.
“São dois movimentos simultâneos. Há mudanças no perfil das famílias e uma busca maior por praticidade, mas também existe o interesse de investidores na locação e na valorização. O essencial é desenvolver produtos bem planejados, com qualidade e alinhados à demanda real. A diversificação é positiva quando ocorre com responsabilidade”, avaliou.
A presença desses diferentes perfis de compradores também influencia as decisões das incorporadoras sobre o lançamento de novos projetos. Antes de iniciar um empreendimento, as empresas avaliam a localização, a concorrência, os preços praticados e a demanda potencial para cada tipo de imóvel.
João Paulo explicou que a velocidade de comercialização das unidades e a quantidade de imóveis disponíveis são utilizadas pelas empresas para orientar seus investimentos. Esses indicadores ajudam a identificar a capacidade de absorção do mercado e a definir o momento mais adequado para novos lançamentos.
Para o presidente da Ademi-TO, as perspectivas de expansão do setor estão relacionadas à capacidade de conciliar novos investimentos com as necessidades habitacionais da cidade.
