Tocantins registra queda de 73% no desmatamento da Amazônia, mas segue como segundo estado que mais desmata o Cerrado
17 outubro 2026 às 08h43

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O Tocantins registrou redução no desmatamento da Amazônia e do Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026, mas permaneceu entre os estados com maiores áreas de vegetação nativa suprimidas no país. No Cerrado, o território tocantinense apresentou a segunda maior área desmatada do Brasil, com 1.263,06 quilômetros quadrados (km²), atrás apenas do Maranhão. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nesta sexta-feira, 16.
Embora o estado tenha reduzido em 15,2% a área desmatada no Cerrado, o resultado representa aproximadamente 23% de toda a vegetação suprimida no bioma durante o período analisado. Na comparação com o levantamento anterior, a área passou de 1.489,02 km² para 1.263,06 km², uma diferença de 225,96 km².
O Maranhão liderou o levantamento nacional, com 1.718,59 km² de vegetação perdida, seguido pelo Tocantins e pelo Piauí, que registrou 625,24 km². Os três estados integram, juntamente com a Bahia, a região conhecida como Matopiba, considerada uma das principais fronteiras de expansão agropecuária do país.
Juntos, Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia concentraram 74,3% do desmatamento registrado no Cerrado. Em todo o bioma, a supressão de vegetação atingiu 5.516,69 km², uma redução de 23,8% em relação ao período anterior e o menor índice da série histórica iniciada em 2001.
Desmatamento na Amazônia cai 73,3% no Tocantins
Na parcela do território tocantinense abrangida pelo bioma Amazônia, a redução foi mais expressiva. A área desmatada passou de 30 km², entre agosto de 2024 e julho de 2025, para 8 km² no período seguinte, o que corresponde a uma queda de 73,3%.
O resultado colocou o Tocantins entre os estados com maior redução percentual do desmatamento amazônico, superando a média nacional de 41,8%. Em números absolutos, o estado registrou uma diminuição de 22 km² de área desmatada.
Na Amazônia como um todo, o desmatamento passou de 5.731 km² para 3.335 km², segundo o levantamento do Inpe. O resultado é o menor da série histórica iniciada em 1988, considerando a estimativa apresentada pelo órgão.
Entre os estados monitorados, o Pará registrou a maior área desmatada, com 1.130 km², seguido por Mato Grosso, com 849 km², e Amazonas, com 525 km². O Tocantins e o Amapá apresentaram os menores valores absolutos, ambos com 8 km².
Diferença entre os biomas
Os resultados mostram comportamentos distintos do desmatamento nos dois biomas presentes no Tocantins. Enquanto a área desmatada na Amazônia tocantinense diminuiu 73,3%, a redução no Cerrado ficou em 15,2%.
Apesar da queda observada nos dois casos, o Cerrado continua concentrando a maior parte da supressão de vegetação nativa registrada no estado. Somadas as áreas identificadas nos dois biomas, o Tocantins contabilizou 1.271,06 km² de desmatamento no período analisado.
O levantamento também aponta que a redução registrada no Cerrado tocantinense foi inferior à média nacional de 23,8%. Estados como Piauí e Bahia apresentaram quedas de 53,7% e 38%, respectivamente.
Monitoramento e fiscalização
Os dados fazem parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), desenvolvido pelo Inpe. O sistema utiliza imagens de satélite para acompanhar a perda de vegetação nativa e produzir informações sobre a evolução do desmatamento no território brasileiro.
De acordo com o governo federal, as ações de prevenção e controle envolvem fiscalização ambiental, monitoramento remoto, ordenamento territorial e incentivos à produção sustentável.
Entre 2023 e 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou 76.095 ações de fiscalização em todo o país e aplicou R$ 11,8 bilhões em multas relacionadas a infrações contra a flora.
No mesmo período, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) registrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, com multas que totalizaram R$ 2,4 bilhões.
O governo também informou a ampliação de investimentos em sistemas de monitoramento ambiental, incluindo um projeto de R$ 147,6 milhões destinado à integração de dados sobre vegetação nativa e desmatamento nos biomas brasileiros.
Os números divulgados para o Cerrado são consolidados, enquanto os dados da Amazônia ainda correspondem a uma estimativa. A taxa definitiva do desmatamento amazônico deverá ser apresentada no primeiro semestre de 2027, após a análise completa das imagens de satélite.
