Ministro Marco Buzzi é afastado do STJ após duas denúncias de assédio sexual
10 fevereiro 2026 às 15h41

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O ministro Marco Buzzi foi afastado pelo pleno do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após denúncias de assédio sexual contra ele surgiram. Nesta terça-feira, 10, Buzzi tentou apresentar atestado de 90 dias, mas os colegas decidiram retirá-lo do cargo até a finalização do caso. Há ainda apurações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão do pleno pelo afastamento cautelar foi unânime dentro de sindicância já instaurada na Corte. No período em que a decisão permanecer, o ministro ficará impedido de usar seu local de trabalho, o veículo oficial e as demais prerrogativas inerentes ao exercício da função. Uma comissão de sindicância para deliberar sobre o resultado das apurações foi marcada para o dia 10 de março.
Buzzi foi alvo de duas denúncias de assédio sexual. A primeira mulher que o denunciou foi uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro. O segundo relato de assédio sexual chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Fontes ouvidas pela coluna afirmaram que o corregedor nacional, ministro Mauro Campbell Marques, ouviu declarações da nova vítima e registrou oficialmente a denúncia.
A Corregedoria Nacional de Justiça informou oficialmente que segue realizando diligências sobre o caso e relatou oitiva com possível nova “vítima de fatos análogos àqueles objeto de procedimento em curso, tendo sido aberta nova reclamação disciplinar para apuração destes novos fatos. Tais procedimentos tramitam sob sigilo legal”.
O atestado apresentado por Buzzi antes de a sessão extraordinária ocorrer, nesta terça, 10, foi assinado por uma médica psiquiatra. A profissional relatou que Buzzi é portador de comorbidades, como diabetes e hipertensão, e que, devido ao tratamento com medicamentos, será necessário que ele seja acompanhado por um neurologista.
Carta ao STJ
Buzzi escreveu uma carta aos ministros do STJ dizendo que é inocente e que provará isso no curso do processo. O ministro, que apresentou atestado médico de 10 dias após a divulgação da primeira denúncia, afirmou que se encontra “internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional”.
“De modo informal, soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio. Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência”, diz o ministro em trecho da carta. Na declaração, o ministro afirma que provará ser inocente. “Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado”, disse.
Após o afastamento, a defesa de Buzzi afirmou que “manifesta respeitosa irresignação com o afastamento cautelar determinado em sede de sindicância administrativa”. Disse ainda que “sustenta-se a desnecessidade da medida, sobretudo diante da inexistência de risco concreto à higidez procedimental da investigação e também porque o ministro já se encontra afastado para tratamento médico”, disse a defesa.
