Número de empresas ativas no Tocantins cresce 7,1% em oito meses e chega a 158,5 mil em 2026, aponta Sebrae
29 agosto 2026 às 10h30

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O Tocantins chegou a mais de 158 mil empresas ativas em agosto de 2026, segundo dados do Sebrae Tocantins. O número já supera o total registrado em todo o ano de 2025, quando o estado contabilizou 148.088 empresas ativas, até então o maior volume da série histórica.
Em oito meses, foram acrescentadas 10.482 empresas ao estoque registrado no ano anterior, o equivalente a um crescimento de 7,1%. A expansão também aparece na comparação com os últimos anos. Em 2020, o Tocantins tinha 92.889 empresas ativas. Até agosto de 2026, o número chegou a 158.570, aumento de 65.681 empresas e crescimento acumulado de 70,7% no período.
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o analista do Sebrae Tocantins Bruno Vila Verde aponta a digitalização dos processos como um dos fatores relacionados à abertura de novos negócios. “O primeiro fator que relaciono a isso é a questão da facilidade de se abrir uma empresa. Com a digitalização dos processos, hoje em dia você consegue abrir o seu CNPJ de forma muito mais fácil e rápida, se compararmos com alguns anos atrás.”

Segundo o analista, a mudança é especialmente percebida entre os microempreendedores individuais, que passaram a ter acesso a processos de formalização mais rápidos. “Uma pessoa que quer ser um microempreendedor individual consegue, em questão de minutos, sair de lá já com o seu CNPJ. Então esses processos facilitaram muito a abertura de pequenos negócios.”
Ele acrescenta que a facilidade para formalizar um negócio, somada ao acesso rápido a informações sobre empreendedorismo, também contribui para a abertura de novas empresas. “Então a facilidade tanto para abrir quanto a oportunidade de conhecimento na palma da mão, hoje facilita muito a abertura de novas empresas.”
De renda extra a negócio próprio na área da beleza
A busca por uma fonte de renda levou Isleny Gonçalves a iniciar, em 2020, a trajetória como empreendedora na área da beleza, em Palmas. Naquele período, ela havia deixado um emprego com carteira assinada e decidiu utilizar o dinheiro recebido no acerto trabalhista para investir em uma atividade que pudesse gerar retorno financeiro.
“Eu não queria simplesmente gastar aquele dinheiro; queria investir em algo que pudesse me gerar uma renda.”
A princípio, a intenção não era abrir um espaço próprio ou transformar a atividade em profissão principal. Isleny começou a procurar cursos na área da beleza com a ideia de complementar a renda. “Mas, no início, eu não pensava em abrir um studio nem em viver exclusivamente disso. A minha ideia era fazer apenas uma renda extra, ‘um bico’.”

O primeiro curso realizado foi de design de sobrancelhas. Depois de começar a atender, ela passou a enxergar novas possibilidades profissionais na área. “Eu comecei pelo curso de design de sobrancelhas e, quando comecei a atender, eu me apaixonei pela área e percebi que aquilo poderia dar muito certo e que existia a possibilidade de viver da área da beleza.”
Os primeiros atendimentos foram realizados a domicílio. Posteriormente, Isleny recebeu uma oportunidade para trabalhar em outro studio e decidiu ampliar a formação profissional com um curso de extensão de cílios. A partir disso, passou a atuar com os dois serviços, cílios e sobrancelhas.
Com o crescimento da atividade, veio também o planejamento para ter um espaço próprio. “A partir daí, fui crescendo profissionalmente, desejando e me organizando para ter o meu próprio espaço.” Em 2023, ela conseguiu abrir o próprio studio.
“Então, em 2023, consegui abrir o meu studio e, graças a Deus, deu tudo certo.” Segundo Isleny, a abertura do negócio ocorreu em meio a receios e dificuldades, mas ela contou com a fé e com o suporte da família durante o processo. “Apesar dos medos e das dificuldades, Deus sempre esteve comigo, me sustentando e me dando coragem. E o apoio do meu esposo e da minha família também foi fundamental para me manter firme.”
A atuação profissional também se expandiu para além dos atendimentos. Atualmente, Isleny ministra cursos de extensão de cílios e design de sobrancelhas para outras mulheres interessadas em iniciar atividades na área da beleza.
“E hoje eu não só atendo, mas também ministro cursos de extensão de cílios e design de sobrancelhas, ajudando outras mulheres que também desejam começar a empreender na área da beleza!”
Do início do negócio à conquista de espaço no mercado
Entre os desafios enfrentados durante a trajetória como microempreendedora, Isleny aponta o medo de começar como uma das principais dificuldades. Para ela, o processo de sair da situação inicial e construir o próprio negócio exigiu superar uma barreira pessoal.
“Acredito que um dos maiores desafios foi enfrentar o medo e começar do zero, porque o medo muitas vezes toma conta da gente. Até conseguir quebrar essa barreira é uma batalha muito grande entre você e você mesma.”
Depois da decisão de começar, outros desafios passaram a fazer parte da rotina, como a construção de uma clientela e a conquista de espaço no mercado. Isleny também precisou desenvolver conhecimentos que não estavam diretamente ligados aos procedimentos de beleza.
“Depois veio o processo de colocar meu nome no mercado, conquistar a confiança das pessoas e aprender muitas coisas que vão além da minha profissão, como administração, organização financeira e marketing.”
Aperfeiçoamento e relacionamento com as clientes
Para continuar atuando no mercado, Isleny afirma que busca manter uma rotina de aprendizado e atualização profissional. O aperfeiçoamento de técnicas e a qualidade dos serviços estão entre os aspectos que fazem parte da estratégia adotada por ela.
“Para me manter no mercado, é muito importante não parar no tempo. Eu busco sempre me aperfeiçoar, aprender novas técnicas e oferecer um serviço de qualidade para as minhas clientes.”
O atendimento também ocupa espaço na forma como a microempreendedora conduz o negócio. Além da execução dos procedimentos, ela considera a experiência proporcionada às clientes como parte do trabalho.
“Também acredito muito no atendimento e na experiência da cliente. Não é apenas realizar o procedimento, mas fazer com que ela se sinta bem atendida e tenha vontade de voltar e indicar o meu trabalho para outras pessoas.”
Outro recurso utilizado para acompanhar o mercado e divulgar os serviços são as redes sociais. Islene procura acompanhar as novidades do segmento e manter presença nas plataformas digitais.
“Além disso, procuro acompanhar as novidades da área e estar presente nas redes sociais, porque hoje elas também são uma ferramenta muito importante para divulgar o nosso trabalho.”
Casa e construção lidera entre os segmentos
De acordo com um estudo recente realizado pelo Sebrae Tocantins para o planejamento da instituição, o segmento de casa e construção concentra o maior número de empresas no estado. “Realizamos um estudo recente para o nosso planejamento. Hoje o segmento de casa e construção é o segmento que tem mais empresas no Tocantins”, afirma o analista. Bruno relaciona ainda a presença do segmento ao crescimento da construção nas cidades tocantinenses. “Isso a gente vê porque é uma cidade que está em grande expansão também em termos de construção.”
Além de casa e construção, o analista Bruno cita logística e transporte como uma área que apresenta crescimento e que pode ganhar espaço nos próximos anos. “Mas tem um setor que está se mostrando muito promissor para os próximos anos, que é a questão de logística e transporte”. Segundo ele, a expansão inclui diferentes atividades e modelos de prestação de serviços. “Tanto que centro de distribuição, quem é Uber também tem CNPJ, então toda essa questão, táxi, mototáxi, tudo que é transporte e logística também está em crescimento aqui no estado do Tocantins.”
Cerca de metade não ultrapassa cinco anos
Apesar do crescimento no número de empresas ativas, o Sebrae aponta que a permanência dos negócios no mercado representa outro aspecto a ser considerado. Segundo Bruno Vila Verde, cerca de metade das empresas abertas não ultrapassa cinco anos de atividade.
“Apesar de nós termos esse boom na quantidade de empresas, ainda temos uma preocupação. Por mais que nós tenhamos um grande número de empresas abertas, grande parte dessas empresas não consegue se perpetuar no mercado.” Ele afirma que parte dos negócios encerra as atividades antes de completar cinco anos. “Dessas que abrem, cerca de metade delas não consegue ultrapassar mais de cinco anos no mercado e elas fecham as suas portas.”
Para o analista, o desafio passa pela continuidade das empresas depois da abertura. “Então hoje o grande desafio não é você abrir uma empresa, é você se manter no mercado. Esse é o grande desafio.”
Bruno Vila Verde também aponta planejamento e conhecimento como aspectos relacionados à permanência dos negócios. “E o diferencial para uma panificadora, por exemplo, que abre e consegue permanecer no mercado, e o modelo de negócio que abre e fecha, o grande diferencial é o planejamento, o conhecimento do empresário que está à frente do negócio”. É nesse processo que, segundo ele, entra a atuação do Sebrae. “É aí que o Sebrae entra, é aí que o Sebrae pode ajudar.”
Planejamento antes da abertura
O analista destaca ainda que o planejamento pode começar antes da abertura formal da empresa, com uma avaliação prévia sobre a viabilidade do negócio. “Muitas vezes a pessoa abre um pequeno negócio e ela não pára pra pensar que o primeiro ponto onde ela precisa de apoio, de planejamento, é antes mesmo de abrir esse pequeno negócio.”
Bruno Vila Verde explica que o Sebrae também atua na etapa em que o empreendedor ainda possui apenas uma ideia de negócio. “Então o Sebrae atua desde quando eu tenho uma ideia, quero pôr em prática, não sei se vai dar certo. Ao invés de se arriscar no mercado, você pode fazer uma análise de viabilidade deste negócio.”
Segundo ele, a análise pode ajudar o empreendedor a avaliar os riscos antes de iniciar as atividades. “Então você diminui muito o risco daquilo dar errado e você entrar para aquela estatística de que metade das empresas não ultrapassa os cinco anos depois de abertas.”
Entre os primeiros procedimentos citados pelo analista está a elaboração de um plano de negócio. “Então o primeiro passo é um plano de negócio, avaliar se aquilo é viável, se o local onde eu vou abrir aquela empresa é adequado para aquilo.”
A análise também envolve questões relacionadas ao mercado em que a empresa pretende atuar. “Então todas essas análises, todas essas perguntas, quem são os meus concorrentes naquele lugar, quais são os melhores fornecedores, todas essas perguntas são respondidas pelo plano de negócio antes mesmo de você se aventurar a abrir aquele pequeno negócio.”
Vila Verde resume essa etapa como o ponto de partida para a estruturação do empreendimento. “Então começa daí. O Sebrae te ajuda aí e, depois que você abre a sua empresa, você começa a sua atividade, o Sebrae também pode te ajudar na gestão daquele pequeno negócio.”
Após a abertura, o acompanhamento pode envolver questões relacionadas a produtos, preços e margem de lucro. “Como eu posso inovar no meu produto, como eu posso conseguir um preço atrativo garantindo uma margem de lucro consistente.”
Segundo o analista, o suporte pode ocorrer nas diferentes etapas do negócio. “Então o Sebrae pode te ajudar tanto antes de abrir essa empresa quanto depois que você já está com ela no mercado.”
