A Operação Sisamnes, que investiga suspeitas de venda de decisões judiciais, corrupção e vazamento de informações sigilosas envolvendo processos do Superior Tribunal de Justiça (STJ), voltou ao centro do debate nacional após a autorização para que a Polícia Federal investigue formalmente o ministro do STJ Paulo Dias de Moura Ribeiro. O caso também tem relação com o Tocantins, onde uma das fases da operação resultou na prisão de três pessoas em Palmas.

A investigação conduzida pela Polícia Federal apura a existência de uma suposta rede formada por agentes públicos, advogados e operadores externos que teria acesso antecipado a informações protegidas por sigilo e utilizado esses dados para interferir em investigações e processos judiciais.

No Tocantins, a Operação Sisamnes teve como alvos o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, o advogado Antônio Ianowich, o policial civil Marco Albernaz e o advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, sobrinho do governador Wanderlei Barbosa. Todos chegaram a ser presos durante as fases da investigação, mas posteriormente tiveram as prisões revogadas e passaram a responder ao caso em liberdade.Todos alegam inocência.

Segundo a PF, a etapa realizada no Tocantins tinha como objetivo aprofundar as investigações sobre um grupo suspeito de obter e repassar informações sigilosas relacionadas a investigações em andamento no STJ. A corporação afirmou ter identificado indícios de acesso antecipado a dados confidenciais envolvendo agentes públicos, advogados e outros envolvidos.

Investigação chegou ao gabinete de ministro do STJ

O novo desdobramento da Sisamnes envolve o ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do STJ, que passou a ser formalmente investigado pela Polícia Federal após autorização do ministro Cristiano Zanin. A apuração busca esclarecer suspeitas relacionadas à possível negociação de decisões judiciais.

A investigação analisa processos relatados pelo ministro e possíveis vínculos com pessoas apontadas como integrantes do suposto esquema. O gabinete de Moura Ribeiro afirmou desconhecer a decisão e o ministro nega qualquer envolvimento em irregularidades.

Sobre a Operação Sisamnes

Deflagrada pela Polícia Federal em 2024, a Operação Sisamnes recebeu esse nome em referência a um juiz da antiga Pérsia que, segundo relatos históricos, teria aceitado suborno para proferir uma decisão judicial injusta.

A operação investiga crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, violação de sigilo funcional e obstrução de investigações. Ao longo das fases, a PF apurou suspeitas de vazamento de informações de operações policiais e de decisões judiciais sigilosas.

No Tocantins, a investigação ganhou repercussão política por envolver o prefeito da capital e outros dois investigados. As pessoas citadas nas apurações, porém, permanecem na condição de investigadas, sem condenação definitiva