A Prefeitura de Palmas abriu chamamento público para selecionar uma organização da sociedade civil que ficará responsável pela gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) 24 Horas Norte e Sul. A iniciativa prevê a terceirização da administração e execução dos serviços das duas unidades, com valor estimado de R$ 81,85 milhões para 12 meses.

O edital foi publicado nesta segunda-feira, 21, pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus). O valor previsto corresponde a uma média de R$ 6,82 milhões por mês.

A seleção envolve a UPA Norte, José de Souza Dourado, e a UPA Sul, Gerson Pires de Aguiar. As duas unidades funcionam 24 horas por dia e prestam atendimento de urgência e emergência em Palmas. As organizações interessadas poderão apresentar propostas e os documentos exigidos até 21 de outubro. A abertura das propostas está prevista para 22 de outubro, em sessão pública.

Depois da análise das propostas, a organização classificada em primeiro lugar terá a documentação avaliada. O resultado final será divulgado após a conclusão das etapas previstas no edital e a análise de eventuais recursos.

Relembre o último caso de terceirização das UPAs

A nova seleção ocorre após uma tentativa recente de terceirizar a gestão das duas UPAs. Em abril de 2026, a Prefeitura de Palmas passou a adotar um modelo de gestão compartilhada com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, que assumiu a operação das unidades Norte e Sul. A parceria substituiu mais de 20 contratos separados de serviços por um único termo de colaboração.

O acordo, porém, passou a ser questionado por órgãos de controle e foi alvo de investigação da Polícia Civil. Em maio, a Operação Falsa Emergência apurou suspeitas de irregularidades na formalização da parceria. Segundo a investigação, havia indícios de inconsistências em documentos utilizados no processo de contratação.

Em junho, o Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO) determinou a suspensão do Termo de Colaboração nº 001/2026. O contrato previa o gerenciamento das duas UPAs e envolvia R$ 139,1 milhões por ano. A decisão estabeleceu um período de transição para que o município reassumisse o controle dos serviços.

Em agosto, a Secretaria Municipal de Saúde informou que estava cumprindo a determinação do TCE-TO e preparando um novo chamamento público para definir a gestão das unidades. Durante a transição, a Santa Casa de Itatiba permaneceu responsável pela gestão compartilhada das UPAs.

Em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia autorizado a continuidade temporária da parceria após pedido da Prefeitura, mas a decisão do TCE-TO posteriormente determinou a suspensão do termo, com transição planejada para evitar a interrupção dos atendimentos.