Palmas integra rota de voos científicos que vão medir carbono e metano sobre o Cerrado
03 agosto 2026 às 15h52

COMPARTILHAR
Palmas está entre as cidades que receberão a passagem da aeronave da campanha científica internacional CoMet 3.0 Tropics, que vai monitorar as concentrações de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) na atmosfera sobre áreas do Cerrado, da Amazônia e do Pantanal. A pesquisa, resultado da cooperação entre Brasil e Alemanha, será realizada até meados de setembro e pretende ampliar o conhecimento sobre a emissão de gases de efeito estufa nos principais biomas brasileiros.
No Tocantins, o foco dos pesquisadores será o Cerrado. Segundo a coordenação da campanha, os voos vão analisar principalmente as emissões de gases relacionadas às queimadas, um dos principais desafios ambientais enfrentados pelo estado durante o período de estiagem. Os dados também permitirão compreender como o bioma influencia o ciclo do carbono e contribuirão para estudos sobre mudanças climáticas.
A campanha é coordenada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Centro Espacial Alemão (DLR). Cerca de 120 pesquisadores participam da iniciativa.
Os voos são realizados pela aeronave HALO (High Altitude and Long Range Research Aircraft), um avião de pesquisa capaz de operar entre 850 metros e 15 mil metros de altitude. O equipamento transporta instrumentos científicos de alta precisão, entre eles um sistema de sensoriamento a laser (Lidar), que mede as concentrações de metano e dióxido de carbono na atmosfera, além de outros sensores utilizados para identificar a composição das massas de ar.
Antes do início da campanha, a aeronave sobrevoou a região da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, no Rio Tocantins, em Minaçu (GO), onde os cientistas investigam a emissão de metano em reservatórios formados sobre áreas de vegetação submersa. O objetivo é entender como a decomposição da matéria orgânica contribui para a liberação desse gás de efeito estufa.
Além de Palmas, a rota dos voos inclui Corumbá (MS), Santarém (PA), Porto Velho (RO) e a região da Torre Alta da Amazônia (ATTO), ao norte de Manaus (AM). Cada bioma terá um foco específico: no Pantanal, os pesquisadores vão medir as emissões de metano das áreas alagadas; na Amazônia, o objetivo é avaliar o balanço de carbono; e, no Cerrado, investigar o impacto das queimadas sobre a atmosfera.
Ao todo, estão previstos cerca de 15 voos, realizados em diferentes horários do dia e da noite. A expectativa é que as informações obtidas complementem dados de satélites, auxiliem na calibração de instrumentos científicos e reduzam as incertezas de modelos climáticos utilizados para monitorar as mudanças no clima.
