A pesquisa Paraná divulgada no sábado, 25, mostra que a boa avaliação do governador Wanderlei Barbosa ainda não encontra correspondência direta na candidatura da senadora Dorinha Seabra ao Palácio Araguaia. Enquanto 67,8% dos entrevistados aprovam a administração estadual, Dorinha registra 34,4% das intenções de voto e aparece tecnicamente empatada com Vicentinho Júnior, que tem 33,5%. Os números não significam que metade dos eleitores de Wanderlei rejeite a senadora, mas indicam que a ligação entre o governo e sua candidata ainda não está consolidada.

A primeira explicação possível é que a avaliação positiva esteja concentrada na figura do próprio governador. Wanderlei construiu uma comunicação direta, de linguagem popular, presença frequente nos municípios e relação próxima com prefeitos e lideranças locais. Dorinha tem outra trajetória, outro perfil e uma atuação política mais associada atuação congressista, onde acumula indicações de parlamentar influente. Para transformar aprovação administrativa em voto, não basta que Wanderlei declare apoio ou apareça ao lado dela. O eleitor precisa identificar na senadora a continuidade das decisões, obras e prioridades que atribui ao atual governo.

A presença mais constante do governador será parte desse processo. Wanderlei já participou de atos com Dorinha em Araguaína e reuniu integrantes do Republicanos, secretários, servidores e lideranças em Palmas para pedir participação na campanha. A escolha de um nome ligado ao seu núcleo político para a vice pode reforçar a associação, mas não resolve sozinha o problema. Vice não transfere automaticamente a popularidade do governador. A ligação terá de aparecer no discurso, no programa, nas agendas municipais e, sobretudo, na defesa clara do governo que Dorinha pretende suceder.

Vicentinho ocupa justamente o espaço deixado por essa associação ainda incompleta. Embora nunca tenha governado o Estado, ele pode disputar com Dorinha parte do eleitorado que aprova Wanderlei sem se considerar obrigado a votar na candidata governista. Seu estilo mais informal e sua comunicação também podem produzir identificação com eleitores próximos do perfil alcançado pelo governador. A pesquisa, porém, não permite afirmar que o eleitor considere Vicentinho mais parecido com Wanderlei. Essa é uma hipótese que a campanha e os próximos levantamentos poderão confirmar ou descartar.

O trabalho de Wanderlei, portanto, não será apenas pedir votos para Dorinha. Será apresentar a senadora como parte do governo que recebe avaliação positiva e convencer o eleitor de que a sucessão preservará aquilo que ele aprova na atual administração. Do outro lado, Dorinha precisará assumir essa condição sem parecer apenas uma candidata escolhida pelo governador. A diferença entre a avaliação de Wanderlei e as intenções de voto da senadora mostra que o apoio está declarado no campo político, mas ainda precisa ser reconhecido pelo eleitor como uma proposta concreta de continuidade.