PF aponta esquema com empresas para ocultar R$ 146,5 milhões envolvendo ex-presidente do BRB e dono do Banco Master
17 abril 2026 às 16h33

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A apuração conduzida pela Polícia Federal (PF) identificou a criação e uso de um conjunto de empresas imobiliárias como eixo de um suposto esquema de ocultação patrimonial que envolve Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A PF apontou Hamilton Edward Suaki, cunhado de Daniel Monteiro, operador jurídico de Vorcaro, no núcleo. Suaki aparece como diretor formal das companhias, que teriam encobertos a titularidade real de bens avaliados em R$ 146,5 milhões. Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro foram presos nesta quinta-feira, 16, e Suaki foi alvo de mandados de busca e apreensão.
Os investigadores da Operação Compliance Zero captaram uma troca de mensagens via WhatsApp entre Costa e Monteiro. Os dois conversam sobre viabilizar uma “estrutura” empresarial para ocultar a real propriedade dos imóveis:
- DANIEL MONTEIRO: “A documentação está pronta. Só falta:”
- DANIEL MONTEIRO: “1. Confirmar imóveis e valores. Vou te enviar a seguir para vc validar.”
- DANIEL MONTEIRO: “2. Definirmos quem será o diretor das sociedades que comprarão os imóveis. Por favor vc tem alguém que possamos usar (para não misturar com o restante das estruturas que temos)?”
- DANIEL MONTEIRO: “3. Descer o dinheiro do Astrato para o fundo dono das sociedades que comprarão os imóveis.”
A PF informou que a Operação Compliance Zero investiga “crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa”. No total foram expedidos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.
Confira os alvos dos mandados abaixo:
- Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB – alvo de mandado de prisão;
- Daniel Monteiro, advogado que atua para o Master – alvo de mandado de prisão;
- Thaisa Menzato, sócia de Daniel Monteiro – alvo de mandados de busca e apreensão;
- Arthur Caixeta Nogueira, empresário ligado à gestora de fundos Reag – alvo de mandados de busca e apreensão;
- Monteiro Rusu, escritório de advocacia – alvo de mandados de busca e apreensão;
- Hamilton Edward Suaki, cunhado de Daniel Monteiro – alvo de mandados de busca e apreensão.
Conforme os dados da PF, Suaki foi formalmente designado diretor de seis sociedades anônimas criadas com o objetivo específico de receber aportes de fundos de investimento e adquirir propriedades de luxo. A investigação ainda aponta que as empresas Allora, Lenore, Stanza, Domani, Chesapeake e Milano estão registradas no mesmo endereço do escritório de advocacia em São Paulo ligado ao cunhado de Suaki, Daniel Monteiro. Para a polícia, a estrutura societária tinha como finalidade impedir que o nome de Paulo Henrique Costa fosse diretamente associado aos bens. Suaki é apontado como “interposta pessoa” no esquema, popularmente conhecido como “laranja”.
Dados da Receita Federal indicam que Suaki figura como sócio-diretor das seis empresas, todas com atuação principal no setor imobiliário e constituídas entre julho e outubro de 2024. Entre elas, se destacam a Allora S.A., com capital social de R$ 41 milhões, e a Lenore S.A., com R$ 35,1 milhões. Stanza S.A., a Domani S.A., a Chesapeake S.A. e a Milano S.A., com capitais que variam entre R$ 4,6 milhões e R$ 35 milhões também fazem parte da lista.
Além dessas companhias, Suaki aparece como diretor de outras empresas do ramo imobiliário que não foram incluídas na investigação.
Propina
A apuração mostra que o ex-presidente do BRB negociou pelo menos seis imóveis de Vorcaro, supostamente usados como propina para facilitar os negócios entre os dois bancos. Os imóveis são avaliados em cerca de R$ 140 milhões e dois dos empreendimentos estão sediados em Brasília. Do montante, cerca de R$ 74 milhões foram efetivamente pagos.
Segundo a investigação, o pagamento total dos valores combinados entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique não se concretizou porque o banqueiro soube “da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina” ao ex-presidente do BRB por meio da aquisição e repasse de imóveis.
Confira a nota da defesa de Paulo Henrique da Costa na íntegra abaixo:
A defesa de Paulo Henrique considera a prisão imposta na data de ontem sem necessidade, pois mesmo que se considere a gravidade dos fatos, isso não é fundamento para o encarceramento antecipado. Diga-se, por oportuno, que por ocasião da primeira fase da operação, ele estava nos Estados Unidos, antecipou a volta, entregou passaporte, o telefone com senha e vinha colaborando com a investigação.
