A Polícia Federal (PF) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para a abertura de um terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desta vez, a corporação busca apurar suspeitas de tráfico de influência relacionadas ao suposto favorecimento de empresas parceiras.

Na quinta-feira da semana passada, 30 de julho, o ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar se Lulinha teria cometido os crimes de tráfico de influência e corrupção passiva no âmbito do Ministério da Saúde para beneficiar o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Agora, a nova solicitação de investigação trata da suspeita de que Lulinha teria utilizado o nome do presidente da República para favorecer empresas parceiras. Entre elas está a 3Structure It LTDA, empresa do setor de tecnologia que possui contratos em vigor com o governo federal no valor de R$ 55.721.051,62.

Criada em 2019 e sediada em Florianópolis, a 3Structure It firmou seu primeiro contrato com o Centro Integrado de Telemática do Exército em novembro de 2022. O acordo prevê o fornecimento de solução de tecnologia da informação e comunicação de backup para ampliar a infraestrutura de armazenamento do Sistema de Telemática do Exército. Inicialmente firmado por R$ 21,8 milhões, o contrato recebeu um aditivo de R$ 3,6 milhões em julho deste ano.

A defesa de Lulinha afirmou que ele tem sido vítima de perseguição pelo fato de ser filho do chefe do Executivo.

“É inadmissível que uma instituição tão importante (como a PF) preste esse tipo de desserviço. Quero reconhecer que o diretor da Polícia Federal tem nosso respeito. Ele tem fortalecido a independência e autonomia da PF, mas alguns setores estão usando isso de maneira desnecessária”, disse o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

“Ao que parece, esses setores estão promovendo uma pesca probatória, que só teve precedentes na história do país na chamada Operação Lava Jato. Esses setores estão fazendo uma verdadeira caçada contra o Fábio, que carrega o peso do sobrenome. Se ele não fosse o filho do presidente Lula, esse inquérito jamais teria sido instaurado e os anteriores teriam sido arquivados”, acrescentou.

Inquéritos contra Lulinha

Ministério da Saúde — Suspeito de tráfico de influência e corrupção em negociações ligadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal. Inquérito autorizado pelo STF.

Dataprev — A PF apura a suspeita de que um empresário do setor de tecnologia da Dataprev tenha atuado com Lulinha, o Careca do INSS e a empresária Roberta Luchsinger na tentativa de firmar contratos com o governo federal. Inquérito autorizado pelo STF.

3Structure It — Filho do presidente é suspeito de utilizar o nome de Lula para favorecer empresas parceiras. O pedido de abertura do inquérito está sob análise.

Operação Sem Desconto

Os elementos que embasaram as suspeitas surgiram a partir das quebras de sigilo autorizadas no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos indevidos e não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

De acordo com a Polícia Federal, Lulinha teria utilizado sua proximidade com o governo federal em benefício próprio e para favorecer pessoas interessadas na comercialização do canabidiol, substância natural extraída da planta da maconha com diversas aplicações clínicas.

Entre os beneficiados, segundo a investigação, estaria o Careca do INSS, apontado em investigações e operações da Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema de descontos fraudulentos e desvios de recursos de aposentados e pensionistas.

O ministro André Mendonça também autorizou a abertura de outro inquérito para apurar a suposta atuação de Lulinha em favor de um empresário durante negociações envolvendo a Dataprev, empresa pública responsável pela gestão de dados de programas sociais, como o INSS, o seguro-desemprego e o Bolsa Família.