Pré-candidato ao Governo do Tocantins pelo PSOL, o professor e geógrafo Witer Naves apresenta uma candidatura construída a partir de uma trajetória de quase quatro décadas na esquerda e de uma atuação ligada à educação, aos movimentos sociais e ao debate sobre desenvolvimento urbano e territorial. Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, ele afirmou que pretende disputar o Palácio Araguaia com um projeto voltado “para os desprivilegiados” e defendeu um Estado com maior participação na redução das desigualdades regionais.

Nascido em Goiânia e radicado no Tocantins há décadas, Naves deixou o Partido dos Trabalhadores após 37 anos de filiação e migrou para o PSOL, sigla que, segundo ele, representa atualmente sua visão política e ideológica. Durante a conversa, o pré-candidato apresentou os pilares do seu plano de governo, falou sobre saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, economia, agronegócio e preservação ambiental, além de fazer críticas ao atual modelo de desenvolvimento adotado no Estado.

Quem é, primeiramente, Witer Naves?

Bem, primeiro, o Witer é um professor, um educador, geógrafo, nascido em Goiânia, mas que tomou a decisão ainda muito jovem de vir para o Tocantins.

Eu me casei com uma tocantinense na época e tomei a decisão de vir para o Tocantins. Naquele período, minha sogra tinha falecido em um acidente automobilístico, eu vim sepultá-la e acabei tomando a decisão de ficar. Ela sempre insistiu para que a gente viesse, mas eu nunca tinha pensado nisso. Acabei vindo.

Eu confluí com o Estado do Tocantins, como diz o Nego Bispo. Vim ao encontro de pessoas, de gente. Aqui também nasceu meu filho caçula. Como diz Dorivan, Passarim do Jalapão, tem uma música chamada Imperador, que diz que quem bebe da água do Tocantins passa a ser tocantino. Então, eu sou um tocantino.

Hoje, na minha vida pública, sou professor do Instituto Federal do Tocantins, sou professor concursado do município de Pium, onde dou aula para o ensino fundamental. Eu amo dar aula para crianças, especialmente para o sexto ano.

Tenho uma construção acadêmica. Sou mestre e estou terminando meu doutorado. Sou mestre em Geografia Eleitoral. Acho que isso ajuda no preparo para aquilo que me propus a fazer.

Meu trabalho de dissertação foi sobre as relações de disputas territoriais nos processos eleitorais durante o período do governo Marcelo Miranda.

Meu trabalho de doutorado é sobre as relações de poder e governança do mercado imobiliário na produção do espaço urbano de Palmas. Ou seja, como um dos atores da produção do espaço urbano articula suas relações de poder na governança do município e nas leis urbanísticas para favorecer o mercado imobiliário.

Esse entendimento das cidades ajuda a compreender que precisamos promover políticas públicas na Secretaria de Cidades do Estado. Acho que temos uma facilidade muito grande para fazer isso.

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O senhor passou 37 anos no PT. O que motivou sua saída e por que escolheu o PSOL?

Primeiro, eu tenho uma formação marxista, leninista e trotskista. Tenho uma formação teórica de longa data. O primeiro livro do Marx que eu li foi A Ideologia Alemã, quando eu tinha 14 anos. Foi um presente que minha tia me deu. Ela ainda é viva e é uma das fundadoras do PT nacional.

Eu comecei a construir minha militância e minha história na esquerda a partir daí, como professor de ciências humanas, como geógrafo.

Ao longo desse período, especialmente desde 2018, comecei a analisar minha condição de militante e filiado dentro do Partido dos Trabalhadores. Aqui no Tocantins, sempre fui orgânico ao partido. Ajudei a fundar uma corrente interna importante, que é a Democracia Socialista.

Mas, a partir de 2018, comecei a rever e analisar os caminhos que o Partido dos Trabalhadores estava tomando. Isso sempre me deixou atento a uma questão: a defesa intransigente da classe trabalhadora.

Nesse processo, entendi que não cabia mais permanecer dentro do partido porque, especialmente aqui no Tocantins, vejo que nós perdemos o protagonismo do processo político.

Independentemente de ser um Estado tradicionalmente conservador, de direita, com o avanço do agronegócio, nós somos a última fronteira agrícola do país, através do Matopiba, que é uma fronteira agrícola institucionalizada. Existe uma lei federal que criou essa fronteira agrícola e isso trouxe um acúmulo de setores conservadores do ponto de vista da produção do agronegócio e da estrutura econômica do Estado.

Eu sempre coloquei que a esquerda precisava ter protagonismo nesse processo, mas isso foi se diluindo ao longo dos processos eleitorais.

Ao analisar o cenário eleitoral deste ano, concluí que era o momento da minha retirada do Partido dos Trabalhadores e da migração para um partido em que eu pudesse garantir o protagonismo e tentar construir as fileiras do partido, como dizem os trotskistas.

Por isso fui para o PSOL. Eu sempre digo que não saí do PT, eu fui para o PSOL. Existe uma diferença semântica. Sair e ir são coisas diferentes. Eu não acredito que seja uma ruptura. Acredito que seja um processo dialético, como dizia Marx.

É um processo de amadurecimento e, nesse processo, a minha decisão de ir para o PSOL coincide com tudo aquilo que, ao longo da minha vida política e dos meus estudos, eu construí.

O senhor disse que sua candidatura é a única de esquerda. O que diferencia sua candidatura dos demais candidatos?

Quando você olha para o cenário político eleitoral de 2026 no Tocantins, vê que existe uma multiplicidade de candidatos. Hoje somos cinco candidatos: Professora Dorinha, Laurez Moreira, Vicentinho Júnior, Ataídes e eu.

Essa multiplicidade não significa uma diversidade de conceitos. Você tem vários candidatos, mas apenas dois campos ideológicos.

Todos os quatro candidatos que eu nomeei representam o campo da direita e da extrema-direita. Eu represento a esquerda.

Por que eu represento a esquerda? Por tudo isso que eu falei: pela minha formação, pelo partido do qual hoje eu milito e pelo qual eu integro.

Isso diferencia porque o Partido dos Trabalhadores, apesar de ser considerado um partido de esquerda, hoje tem um candidato que representa a direita.

Laurez Moreira é um candidato que, há menos de dois meses, falava que iria votar no Ronaldo Caiado, que é do partido dele, o PSD, e é candidato à Presidência da República.

Além disso, a tomada de decisão do pré-candidato Laurez Moreira mostra claramente a percepção política que ele tem. Ele escolhe um coronel da Polícia Militar para ser seu vice, um coronel bolsonarista.

Então, percebemos que esse processo não representa, de fato, o acúmulo histórico que o Partido dos Trabalhadores tem.

Por isso, como eu disse anteriormente, o Partido dos Trabalhadores foi se diluindo ideologicamente e, hoje, dentro do Tocantins, é um partido que se constrói muito mais em relações de poder e articulações para candidaturas. Ele deixou de ser protagonista.

É por isso que afirmo que somos a única candidatura de esquerda no Estado do Tocantins. Somos genuinamente um partido de esquerda. Somos um partido que expressa, dentro do Congresso Nacional, uma posição clara de defesa intransigente da classe trabalhadora.

É a primeira vez que o senhor se candidata?

Eu fui subsecretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação na gestão do prefeito Raul Filho, no primeiro mandato dele. É importante lembrar que o governo Raul Filho inaugura, no processo eleitoral de Palmas, a reeleição. Até então, nenhum prefeito havia sido reeleito. Raul foi o primeiro prefeito a conseguir a reeleição.

Fiquei no primeiro mandato entre 2005 e 2007 e, depois, fui assessorar a governadora Ana Júlia Carepa, no Estado do Pará, como assessor direto da governadora, que também era do Partido dos Trabalhadores. Saí daqui e fui trabalhar no gabinete dela.

Minha construção na vida pública se dá pela minha formação teórica e pelos meus estudos. Sempre fui um ator pensante dentro do partido, participando da elaboração de planos de governo e de projetos políticos.

Durante muito tempo, fui esse personagem que ajudava na construção das articulações políticas. Agora, em função desse momento de mudança na minha vida, passo a ser protagonista do processo. Deixo de estar atrás das cortinas e vou para frente delas. Essa foi a grande mudança.

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Se o senhor for eleito, quais são as três principais prioridades para o Tocantins?

Nós temos como prioridade, sem dúvida alguma, a educação e a saúde. Pode parecer um chavão, mas essa é uma realidade histórica do nosso país.

Porém, em função da minha formação e da leitura que fazemos do Estado do Tocantins desde sua criação, em 1988, e sua instalação em 1989, percebemos que o Estado possui grandes desequilíbrios territoriais.

Existe uma diferença regional muito grande. Você tem o extremo norte do Estado com índices elevados de baixa qualidade de vida, pobreza e dificuldades sociais. Ao mesmo tempo, existe uma concentração de terras, especialmente na região centro-sul do Tocantins.

O agronegócio constitui parte desse processo de desequilíbrio do ponto de vista da concentração de renda. Precisamos gerar equilíbrio e uma maior homogeneidade territorial para o Estado.

Como vamos fazer isso? A partir de políticas públicas e de uma governança do Estado tocantinense. Essas prioridades estão centradas na proposta do nosso plano de governo.

O nosso plano de governo está estruturado em três princípios lógicos para constituir o governo do PSOL, da Rede e do governador Witer Naves.

O primeiro princípio é o direito da gente tocantinense. Esse princípio garante, por meio das políticas públicas e de um sistema estadual de políticas, acesso à segurança, habitação, saúde, juventude, cultura e todas as áreas que garantem direitos à população tocantinense.

As políticas públicas estão organizadas dentro dessa estrutura, que reúne 12 unidades de gestão, entre administração direta e indireta, como secretarias estaduais, autarquias e agências públicas.

O segundo princípio é o bem-estar da gente tocantinense. O bem-estar da população será estruturado também dentro de um sistema estadual de políticas públicas que garanta a construção da independência da população tocantinense, especialmente por meio do emprego e da renda.

A organização do Estado precisa garantir a emancipação econômica da população. Dentro desse princípio, teremos o agronegócio, mas também a agricultura familiar, o cooperativismo e as relações institucionais para que esses diferentes setores econômicos possam se desenvolver.

Teremos a Jucetins, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio e uma estrutura voltada ao cooperativismo e à economia solidária.

Precisamos, por exemplo, organizar a economia do Jalapão diante do avanço do agronegócio. Precisamos compreender o artesanato do povo do Jalapão, dos quilombolas e dos povos tradicionais e manter essa economia solidária, que está ligada à agricultura familiar, diante do grande capital.

Precisamos ter clareza de que o Estado precisa atuar diante dessas diferenças, que são diferenças próprias da economia capitalista.

Não existe condição de a agricultura familiar competir em igualdade com o agronegócio, mas vamos construir, por meio de políticas públicas, a garantia de que o Estado seja responsável por apoiar essa população.

Então, isso gera democracia e garante a ação econômica do povo do Tocantins.

Hoje, um grande gargalo que temos é a logística. Temos pontes condenadas pelo DNIT, além de outros problemas estruturais. Como pretende trabalhar nisso? 

Partindo desses dois princípios, a logística e a Secretaria de Infraestrutura do Estado estão dentro do segundo princípio, que é o princípio do bem-estar.

Nele, teremos toda uma política voltada para garantir essa especificidade do Estado do Tocantins, porque o Tocantins tem uma particularidade diante de todos os estados brasileiros: nós somos a centralidade territorial do nosso país.

O Tocantins está a uma distância média de qualquer estado brasileiro. Se você sair do Amazonas em direção ao Rio Grande do Sul, vai encontrar o Tocantins no meio desse percurso. Se sair do Rio de Janeiro em direção a Brasília, o Tocantins também está nessa centralidade.

Então, do ponto de vista logístico, seja na relação latitudinal, de norte a sul, ou longitudinal, de leste a oeste, o Estado do Tocantins ocupa uma posição estratégica.

A valorização dessa condição só vai acontecer a partir de uma política que garanta esses elementos da logística. E isso está associado a outro elemento, que está no terceiro princípio, que é o princípio do bem-querer.

O que é o princípio do bem-querer? É onde articulamos as relações republicanas do Estado e a governança estadual.

Você falou de pontes que estão caindo e citou uma autarquia que não pertence ao governo estadual, mas ao governo federal, que é o DNIT, um departamento do Governo Federal.

Enquanto governo do Estado, enquanto ente federado, precisamos ter uma relação próxima com o Governo Federal. Precisamos ter respeitabilidade e manter uma relação de compromisso com a União e com os municípios do Tocantins.

Dessa forma, vamos conseguir desenvolver e expandir políticas que tragam qualidade para nossas rodovias, ferrovias e hidrovias, porque somos um grande corredor logístico.

Temos a hidrovia Araguaia-Tocantins, que precisa ser implementada. Temos um polo multimodal em Luzimangues, que está sendo privatizado, depois de receber investimentos significativos do Governo Federal e do Governo Estadual.

Foi uma estrutura construída com um grande volume de recursos e que, pela falta de política pública estadual e de uma relação adequada com o Governo Federal, está sendo entregue à iniciativa privada.

Agora, se vamos privatizar, precisamos criar condições de gestão, fiscalização e acompanhamento. A iniciativa privada também pode funcionar, porque nem tudo no Estado precisa ser conduzido pela máquina pública. A morosidade e a burocracia estatal muitas vezes dificultam os processos.

Precisamos ter celeridade e reduzir esse excesso de burocracia. Esse Estado burocrático cansa.

Então, essa condição está dentro dos dois princípios: o bem-estar, onde estará a Secretaria de Infraestrutura, e o bem-querer, onde estarão as secretarias responsáveis pela governança do Estado, como Casa Civil, Secretaria de Governo, Gabinete do Governador e Casa Militar.

Todas essas estruturas da administração direta e indireta precisam atuar de forma integrada para que a logística funcione no Tocantins.

Não adianta fazer uma estrada e acontecer o que está acontecendo. Não adianta ter uma ponte federal, construída com recursos públicos federais, e ficar em disputa com o Governo Federal.

Independentemente de quem esteja na Presidência da República, precisamos ter uma relação republicana com o presidente, com os ministérios e com as instituições que possuem recursos para fazer a logística funcionar, não apenas no Tocantins, mas em todo o território brasileiro.

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Muitos questionam a situação do Hospital Geral de Palmas (HGP), que enfrenta problemas como filas de cirurgias e dificuldades de acesso. Como o senhor pretende melhorar a saúde pública do Tocantins considerando esses desafios?

Primeiro, é importante colocar que a saúde está dentro do primeiro princípio, que é o princípio do direito da gente tocantinense.

A saúde pública precisa ser compreendida a partir das responsabilidades de cada ente federativo. Nós, enquanto Estado, temos a responsabilidade da vigilância e do controle da saúde pública estadual.

A única atuação direta do Estado na ponta está relacionada à média e alta complexidade da saúde.

A unidade básica de saúde, o posto de saúde, que está nos municípios de Palmas, Pium, Carrasco Bonito, Esperantina, Sampaio e tantos outros, não é uma responsabilidade direta do Estado. É responsabilidade municipal.

O Estado tem como atribuição fazer a vigilância e o controle dessas políticas. Os recursos são vinculados. O Ministério da Saúde envia recursos diretamente aos municípios por meio dos mecanismos de controle público, como as comissões bipartite e tripartite.

Dentro dos princípios do SUS, que são a integralidade, a universalidade e a equidade, precisamos garantir cada vez mais acesso à saúde.

Os municípios precisam atuar na atenção básica, com vacinação, atendimento médico generalista e acompanhamento da população. Nós, enquanto Estado, vamos cuidar dos hospitais regionais.

Lembra que falei sobre o equilíbrio territorial? Isso está dentro do princípio do bem-querer.

Quando unimos o direito da gente tocantinense e o bem-querer da gente tocantinense, conseguimos garantir, dentro desses três princípios que orientam nossa proposta, qualidade para a saúde pública do Estado.

A gestão dos recursos públicos da saúde, que são vinculados — com 25% dos recursos do Estado destinados à área — será garantida.

Vamos fortalecer o Conselho Estadual de Saúde e também os conselhos bipartite e tripartite.

O conselho tripartite envolve três atores: trabalhadores, usuários e Estado. Precisamos fortalecer essa participação porque ela garante democracia e acesso à saúde.

Também precisamos acabar com o problema das filas de cirurgias eletivas.

Eu já falei em algumas entrevistas que recentemente passei por uma cirurgia. Esperei cerca de cinco meses para realizar um procedimento de 15 minutos. Eu sou usuário do SUS, não tenho plano de saúde. Eu utilizo o Sistema Único de Saúde para cuidar da minha saúde.

Precisamos garantir e respeitar toda a estrutura do SUS. O Sistema Único de Saúde é um direito universal, baseado nos princípios da universalidade, equidade e integralidade.

Precisamos fazer com que o Estado seja sério e consiga resolver esses problemas.

E, dentro do princípio da governança, do bem-querer, o Estado precisa equilibrar a gestão dos recursos da saúde entre todos os municípios e regiões do Tocantins, utilizando a estrutura dos hospitais regionais.

Hoje temos uma sobrecarga no Hospital Geral de Palmas. O HGP está sobrecarregado.

Mas por quê? Muitas pessoas vêm do Pará, do Maranhão e de outras regiões. Passam por Augustinópolis, que possui hospital regional, mas continuam até Palmas.

Precisamos entender o que está faltando nesses hospitais regionais. Em Augustinópolis, por exemplo, pode faltar equipamentos ou médicos especialistas.

É para isso que o Estado precisa atuar: ter responsabilidade na gestão dos recursos e da política de saúde, especialmente na média e alta complexidade, na vigilância e no controle da saúde estadual.

Na educação, percebemos uma evolução nos últimos anos. Existem programas federais, como o Pé-de-Meia, que ajudam na permanência dos estudantes. Como o senhor avalia hoje a educação no Tocantins e de que forma pretende melhorar?

Sem dúvida alguma, o Estado brasileiro, a União e o Governo Federal, especialmente nos governos democráticos populares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, garantiram aos jovens brasileiros e aos adultos uma ampliação do acesso à educação de qualidade.

A educação é uma política pública de direito universal de todos os brasileiros.

No primeiro e segundo governos Lula e também no governo Dilma, tivemos programas como o Ciência sem Fronteiras, que enviou estudantes, pesquisadores e cientistas brasileiros para fora do país. Esse programa foi encerrado posteriormente.

Quando olhamos para a educação atual, percebemos avanços, como o Pé-de-Meia, que é um programa federal, mas atinge diretamente os estudantes da rede estadual, especialmente do ensino médio.

Ele trabalha com a política de permanência escolar. Os resultados já demonstram impacto: houve redução da evasão dos jovens em função desse programa.

O Governo do Estado também pode contribuir com políticas complementares.

A educação do Tocantins passou por um processo de mudanças e crescimento, principalmente do ponto de vista estrutural.

Mas temos problemas. Ficamos mais de 15 anos sem concurso público na educação. Recentemente tivemos um concurso, mas nem todos os professores aprovados foram chamados. Ainda existem vagas.

Esse é um problema sério no Tocantins, porque o Estado acaba segurando o chamamento dos professores concursados por uma relação de poder com a Assembleia Legislativa, que possui representantes ligados às unidades escolares do Estado.

Então, hoje existe uma utilização das vagas nas escolas e dos contratos temporários de professores como uma forma de barganha política com deputados. Nós precisamos acabar com isso.

A gente faz política e precisa entender, do ponto de vista da governança, dentro do princípio do bem-querer, que a relação entre o Executivo e o Legislativo precisa passar por outros caminhos, e não por esse tipo de relação que desrespeita o povo tocantinense.

Isso quebra a relação de formação e também a relação de empatia do profissional da educação com o aluno, porque todos os anos os professores precisam voltar para uma disputa de contratos, em uma relação de favor, mostrando quantos votos têm para determinado deputado para conseguir permanecer.

E, muitas vezes, nem sempre é um profissional qualificado. Não necessariamente possui titularidade, especialização, mestrado ou doutorado.

Precisamos entender que o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração da educação precisa ser respeitado.

Outro ponto é que vamos construir um programa de atenção e cuidado com a categoria profissional da educação.

Eu sou professor há 34 anos. Sou professor da rede pública estadual, federal e também municipal, em Pium.

O grande problema hoje da minha categoria é a saúde mental. O adoecimento dos professores é um elemento crucial para a construção de uma política pública de atenção, formação e capacitação dos docentes.

Hoje temos professores com sobrecarga de carga horária, sobrecarga de disciplinas e professores que possuem problemas pessoais, mas precisam deixar essas questões de lado para estar dentro da escola.

Para piorar, não existe uma política de integração entre aquilo que chamamos de direito da gente tocantinense — onde estão saúde e educação —, o bem-estar, que envolve emancipação econômica, e o bem-querer, que envolve a governança, com a situação da violência contra os profissionais da educação.

Hoje temos crianças que enfrentam problemas dentro de casa, que vêm de ambientes violentos, que convivem com a criminalidade e chegam à escola. Muitas vezes, o único espaço em que elas encontram um limite, onde escutam um “não”, é dentro da escola, na figura do professor.

E aí surge a resistência a essa autoridade, gerando violência contra os professores, ameaças constantes e até influência de facções criminosas dentro das escolas.

Isso não está apenas nos presídios ou em outros espaços do Estado brasileiro. Está dentro das escolas também.

Por isso, precisamos compreender que esse problema exige uma atuação integrada da Secretaria de Assistência Social, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Secretaria da Juventude, Secretaria de Segurança Pública e da área de inteligência do Estado.

A segurança pública no Tocantins não deve ser uma secretaria para promover violência. Deve ser uma secretaria de inteligência, de combate aos problemas que enfrentamos no Estado brasileiro de forma estratégica.

O senhor falou sobre segurança. Qual seria sua proposta para essa área?

Na segurança pública, vamos reestruturar toda a secretaria.

A primeira coisa que precisamos entender é que somos totalmente contra as escolas militares. Lugar de polícia é na polícia. O papel da polícia é constituir uma segurança pública cidadã e garantir a segurança da gente tocantinense.

Ela não pode chegar aos bairros pobres das cidades do Tocantins para violentar o povo negro. A segurança precisa garantir segurança. O próprio nome já diz.

A polícia não deve ser um braço violento do Estado. Deve ser um braço inteligente do Estado. É para isso que ela existe.

Vamos aparelhar a segurança do ponto de vista tecnológico, capacitar os profissionais e fortalecer internamente a segurança pública por meio do controle e da vigilância de quem atua dentro da própria estrutura.

Precisamos ter uma polícia que fiscalize a própria polícia. Precisamos ter uma polícia que prenda policiais corruptos.

Por isso, entendemos que a segurança pública precisa passar por uma reestruturação completa, e essa mudança exige um fortalecimento da inteligência.

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O Tocantins também tem enfrentado o avanço de grupos criminosos e denúncias envolvendo milícias. Como combater esse cenário?

Precisamos combater isso prendendo quem comete crimes, independentemente da função que ocupa.

Se for coronel, precisa responder. Se for capitão, tenente, sargento, policial militar ou policial civil, também precisa responder.

A corrupção está presente em diferentes áreas e precisamos acabar com isso.

Lugar de polícia é fazendo segurança, não cometendo violência, principalmente contra a população negra.

Na economia, o senhor defende uma maior presença do Estado? Como pretende melhorar a economia do Tocantins?

Essa pergunta, com todo respeito, muitas vezes acaba sendo uma caixa de ressonância do discurso do capital e das elites que dominam a economia do nosso Estado e do nosso país.

É um grande engano, uma falácia, dizer que o Estado precisa estar ausente da economia.

O Estado só é chamado de ausente quando se trata das cooperativas e da agricultura familiar.

Quando o grande capital quer implementar um polo multimodal em Luzimangues utilizando recursos públicos do Estado e da União, ele participa. Depois, muitas vezes, quer privatizar aquilo que é um bem público e de interesse da população.

Então o Estado nunca esteve distante da economia. Em nenhum momento da história brasileira.

Nós temos, por exemplo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Agora, no governo do presidente Lula, a direita questiona programas para financiar carros elétricos para motoristas de aplicativo.

Por que posso financiar um carro elétrico para um trabalhador de aplicativo, mas posso financiar um jatinho para o dono de uma usina de açúcar?

Por que eu não posso financiar o trabalhador que trabalha com comunicação visual, que tem uma pequena empresa, uma máquina de impressão, que precisa de uma router para cortar material e que custa R$ 40 mil, por meio do banco de fomento do Estado, da agência de fomento? Por que eu posso financiar uma agroindústria em Gurupi, mas não posso financiar esse pequeno empreendedor?

Precisamos ter clareza de que o Estado está aqui para dar acesso aos recursos.

Nós vamos criar programas de fundo perdido, porque existe condição de aportar R$ 14 milhões. E o que são R$ 14 milhões diante do agronegócio no Tocantins e no Matopiba? R$ 14 milhões é muito pouco para o agronegócio.

O que queremos fazer é entender que o Estado do Tocantins vai trabalhar para a gente tocantinense.

Através do princípio do bem-estar da gente tocantinense, vamos fomentar o desenvolvimento econômico, o desenvolvimento das cooperativas e uma política de solidariedade para as mulheres do Tocantins, que precisam gerar renda para suas casas.

Não é apenas trabalho, é renda.

Ela precisa dividir seu tempo entre a criação dos filhos, o cuidado da casa e a garantia da renda familiar.

Então, vamos fazer com que a política econômica do Estado tenha fluidez para a população tocantinense.

Agora, dentro disso, evidentemente, também existe o agronegócio. E dentro do agronegócio existe uma agricultura moderna, altamente tecnológica.

Como podemos ver um grande produtor rural, dono de uma grande fazenda no Tocantins, que compra uma colheitadeira de R$ 8 milhões ou R$ 12 milhões, querer pagar dois salários mínimos para o trabalhador que vai operar essa máquina?

Esse trabalhador estudou em uma escola técnica criada pelo presidente Lula, estudou agronegócio, mecatrônica, tecnologia, fez um curso técnico e está qualificado para operar um equipamento milionário.

Isso é uma lógica do Brasil colônia, em que os objetos, a posse e a terra valiam mais do que o ser humano.

Nós vamos criar políticas públicas que garantam a valorização da mão de obra do jovem que está saindo da educação formado e qualificado.

As escolas técnicas, os institutos federais, têm elevados índices de qualidade. Quando você observa o Enem e outros indicadores, percebe que os alunos dos institutos federais estão entre os que alcançam melhores resultados.

Como podemos pegar um profissional recém-formado e pagar um salário de peão, como antigamente se fazia com o vaqueiro?

Hoje, um trabalhador de uma fazenda precisa entender de zootecnia, nutrição animal, saber quanto de ração será necessário para determinada quantidade de animais em uma pecuária intensiva.

Precisamos dar dignidade ao trabalhador.

E, como eu disse, as mulheres do Tocantins também precisam estar inseridas nesse processo econômico. As mulheres do Jalapão, as quebradoras de coco, as mulheres do Cantão, todas precisam ter condições de gerar renda.

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O senhor fala do agronegócio, que muitas vezes é apontado como um setor que pode causar impactos ambientais. Como pretende dialogar com esse setor? Não podemos ignorar que ele existe.

Quando falamos sobre como lidar com o agronegócio, precisamos entender que ele já é uma realidade e faz parte de todo o processo econômico.

O Matopiba, que é regulamentado por uma lei que criou essa fronteira agrícola, garante incentivos fiscais ao agronegócio.

Quando o produtor vai comprar uma máquina, uma colheitadeira, um avião, um drone ou até uma caminhonete, existem benefícios fiscais que reduzem o custo desses equipamentos.

Essas pessoas precisam entender que o Estado brasileiro é responsável por isso.

O governo Dilma, por exemplo, aprovou o Matopiba. A então ministra da Agricultura e senadora Kátia Abreu, uma mulher que eu respeito muito e considero extremamente inteligente e preparada, foi responsável pela criação desse marco enquanto ministra.

Mas essa última fronteira agrícola precisa ter cuidado e zelo.

Por quê? Porque a expansão do Matopiba está afetando as águas do Tocantins.

E essa é a questão que você me perguntou: como vamos lidar com a devastação provocada pelo avanço da fronteira agrícola?

Precisamos ter controle e garantir recursos para a Secretaria de Meio Ambiente, que, na minha visão, deveria inclusive mudar de nome.

Essa é uma discussão interna com a equipe que auxilia na construção do plano de governo.

Alguns entendem que a mudança pode dificultar o acesso a recursos que já estão garantidos pela secretaria, mas, na minha visão, ela deveria se chamar Secretaria de Patrimônio Natural.

Isso dialoga com conceitos como os do Acordo de Paris e outros tratados internacionais, que trabalham a ideia de patrimônio natural, preservação, recursos e sustentabilidade.

Essa visão também tem relação com a minha construção de mundo, com pensadores como Ailton Krenak e Nego Bispo, que defendem uma relação de simbiose com a natureza.

Precisamos entender que o agronegócio tem o seu espaço, mas precisa respeitar os limites ambientais.

O que está acontecendo no nosso Estado é uma devastação do Cerrado brasileiro. Nós somos o Planalto Central do Brasil, e nossas chapadas estão sendo degradadas, justamente onde estão as nascentes das águas do Tocantins.

Somos um Estado que tem uma característica de Mesopotâmia: temos, de um lado, o Rio Araguaia e, do outro, o Rio Tocantins.

As terras tocantinenses são cercadas por duas grandes bacias hidrográficas importantes para o Brasil e para a América do Sul.

Precisamos cuidar dessas águas.

A cada ano, nossas nascentes estão sendo degradadas pelo avanço do agronegócio. Precisamos acabar com isso.

O agronegócio precisa entender que deve respeitar as águas do Tocantins.

E a Secretaria de Meio Ambiente tem um papel decisivo nesse processo.

A autarquia, que é a administração indireta, no caso o Naturatins, precisa ter recursos para garantir a fiscalização.

Quem faz a política de meio ambiente é a Secretaria de Meio Ambiente, mas quem fiscaliza é o Naturatins, que é a área-fim. A área-meio é a Secretaria, que faz a formulação da política, e a área-fim é o Naturatins, que executa a fiscalização.

E em relação ao meio ambiente, como o senhor pretende combater as queimadas e enfrentar as mudanças climáticas? Estamos vivendo um período de intensificação do El Niño, com previsão de impactos ao longo dos próximos meses.

A gente precisa dar a César o que é de César.

O governo que está aí tem, dentro dele, uma disputa entre o agronegócio e o meio ambiente.

Sem dúvida alguma, a Secretaria de Meio Ambiente do Tocantins avançou muito do ponto de vista da gestão e da fiscalização das queimadas e da preservação do Cerrado.

Existe hoje um programa de vigilância dentro da Secretaria de Meio Ambiente com elevado grau de tecnologia, ligado ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São Paulo.

E a Secretaria de Meio Ambiente, com um recurso muito pequeno, muito pequeno mesmo, tem feito um trabalho grandioso. Não dá para negar que o secretário Marcelo Lelis tem feito isso.

E aquilo que é bom precisa ser ampliado.

Nós, sendo governo, vamos ampliar esse programa de vigilância, que hoje é monitorado por meio da tecnologia.

Precisamos ampliar o monitoramento e criar aquilo que eu já coloquei: conceitualmente, acredito que poderíamos mudar o nome da secretaria. Ela deixaria de ser Secretaria de Meio Ambiente e passaria a ser Secretaria de Patrimônio Natural.

Isso, do ponto de vista da construção da secretaria, também garantiria outros elementos para fortalecer a preservação do nosso patrimônio natural, que é o Cerrado brasileiro, a nossa região de transição com o Maranhão, as matas de cocais e os buritizais do Tocantins. Precisamos fazer isso.

Precisamos frear o avanço do agronegócio nos nossos limites com a Bahia, especialmente na região sul e sudoeste do Estado, como Dianópolis, Almas e a região próxima a Luís Eduardo Magalhães. Precisamos preservar essas águas.

Somado a isso, com a integração com a Secretaria de Turismo e mostrando as potencialidades econômicas dentro do princípio do bem-estar da gente tocantinense, vamos criar programas que viabilizem a economia do Jalapão, do Cantão e das Serras Gerais.

Precisamos trazer esse desenvolvimento de forma solidária e colaborativa, envolvendo as famílias que vivem secularmente nessas regiões, os quilombolas e os povos tradicionais, que têm uma relação de preservação ambiental.

E essa é justamente a questão que você colocou sobre o avanço do agronegócio.

Por exemplo, ao meu ver, é um equívoco o governo atual dizer que está trazendo progresso para o Jalapão por meio da construção de uma rodovia.

Não estou dizendo que a rodovia não tenha importância. Estou dizendo que essa estrada que está sendo feita para o Jalapão não é para o povo do Jalapão, é para o capital que avança naquela região, é para o agronegócio.

Aquilo não tem como objetivo fomentar o turismo e o desenvolvimento econômico das comunidades do Jalapão. O objetivo é permitir o avanço do agronegócio, o desmatamento e a retirada das árvores do Jalapão.

Esse é o problema: usar um discurso dizendo uma coisa, quando, na prática, é outra realidade.

Falando sobre o governador Wanderlei Barbosa, qual avaliação o senhor faz da gestão dele? O que faria diferente?

Eu faria tudo diferente, principalmente porque temos posições ideológicas totalmente diferentes. O governador Wanderlei Barbosa é um governador de direita.

Sem dúvida alguma, ele tem integrantes no governo que possuem uma percepção de mundo diferente. Eu mesmo citei o secretário de Meio Ambiente, que é do Partido Verde e integra a base do presidente Lula.

Sabemos que, dentro do campo democrático, mesmo sendo um governo de direita, ele respeita pessoas com outras visões, e isso faz parte da democracia brasileira.

Mas existe uma diferença conceitual sobre aquilo que queremos enquanto governabilidade para o Tocantins.

O nosso interesse é governar para a gente tocantinense, para o coletivo do Estado, gerando equilíbrio territorial, reduzindo diferenças regionais e garantindo acesso às políticas públicas para todo cidadão que vive aqui, seja tocantinense ou alguém que chegou ao Estado.

Essa é a grande diferença entre nós e o governo atual.

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O PSOL nunca governou o Tocantins. Por que o eleitor deveria confiar no partido?

A primeira coisa que o eleitor precisa entender é que ele precisa conhecer o PSOL.

Precisa saber quem são os deputados, senadores e prefeitos que já governaram pelo partido. Precisa entender quais são as políticas públicas que queremos construir para a população tocantinense.

Precisa conhecer quem é o professor Witer Naves. Quem sou eu para o povo do Tocantins? O que eu quero?

Eu quero governar para a gente tocantinense.

A diferença está no convencimento de que vamos governar para todos, mas principalmente para aqueles que são historicamente desprivilegiados.

Nós teremos que governar para os diferentes. Não se trata de tratar todos de forma igual. É preciso tratar de forma diferente aqueles que têm necessidades diferentes.

Essa é a razão pela qual o PSOL e a Federação Rede-PSOL querem governar o Estado: pelo interesse do bem comum, pelo bem-querer, pelo bem-estar e pelo direito da gente tocantinense.

O Legislativo tem muita influência na governabilidade do Executivo. Se eleito, como pretende dialogar com a Assembleia Legislativa?

Essa é uma tarefa republicana.

Precisamos entender que existem diferenças políticas, ideológicas e partidárias, mas o Legislativo, o Executivo e o Judiciário precisam convergir para um bem comum.

E qual é o bem comum? A gente tocantinense.

Não é de forma panfletária ou politiqueira dizer que o Estado é isso ou aquilo. Precisamos ter responsabilidade.

Quanto mais o Estado assume sua responsabilidade com seu povo, mais democrático ele é.

E quando falo Estado, não estou falando apenas do Executivo. Estou falando do Estado enquanto instituição jurídica: Judiciário, Legislativo e Executivo.

Todos precisam ter responsabilidade com o povo tocantinense.

Precisamos ter diálogo, compromisso político, compromisso com avanços e desenvolvimento, mas um desenvolvimento que gere sustentabilidade e emancipação econômica para o povo do Tocantins.

Então essa será sua marca de governo: governar para o povo tocantinense?

Exatamente. A governabilidade para a emancipação do povo do Tocantins.

Qual mensagem o senhor deixa para o eleitor que nunca votou no PSOL?

Que ele não se preocupe, porque o PSOL é um partido da gente tocantinense.

É um partido que tem um espírito de solidariedade humana, de civilização pública e, evidentemente, de emancipação da gente tocantinense.