A Associação Clube de Mães de Carmolândia, que recebeu doações de salários anunciadas pelo prefeito Douglas Aparecido de Oliveira (União Brasil) e por integrantes de sua gestão, passou a ser alvo de um inquérito civil do Ministério Público do Tocantins (MPTO). A investigação busca esclarecer se a Prefeitura também usou dinheiro, servidores e veículos públicos para beneficiar a entidade de forma irregular. O Jornal Opção Tocantins solicitou posicionamento à Prefeitura de Carmolândia e aguarda um retorno.

O caso começou com uma denúncia anônima à Ouvidoria do Ministério Público. O relato apontou que recursos municipais estariam custeando o aluguel de uma associação ligada à família do prefeito e que informações no Portal da Transparência teriam sido alteradas para ocultar a irregularidade. A ligação familiar é uma alegação da denúncia e ainda está sob apuração.

À frente do caso, o promotor Pedro Jainer Passos Clarindo da Silva quer saber quais servidores municipais trabalharam para o Clube de Mães e quais veículos da Prefeitura foram utilizados pela associação em 2025 e 2026. A Secretaria Municipal de Administração e Finanças terá dez dias úteis para apresentar essas informações.

O MPTO também requisitou o estatuto e a ata de eleição da última diretoria da entidade. Os documentos devem ajudar a esclarecer sua organização e quem a administra.

Doações anunciadas pela gestão

O Clube de Mães ganhou destaque quando Douglas anunciou a doação integral do valor líquido de seu salário à associação. Conforme o texto de divulgação da iniciativa, o prefeito recebe R$ 15 mil brutos e formalizou os descontos diretamente em folha para cumprir uma promessa de campanha.

A publicação também informou que a primeira-dama e secretária de Modernização e Gestão de Projetos Sociais, Luiza Oliveira, e o assessor especial Edilson Assunção vinham doando seus salários. Os recursos seriam destinados às atividades sociais da entidade, incluindo o projeto de uma Creche do Idoso.

Na ocasião, a associação se comprometeu a divulgar relatórios mensais sobre a aplicação das contribuições. A presidente, Elane Noleto Angé, afirmou que a ajuda havia fortalecido os projetos, que incluem atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade e cursos para geração de renda.

As doações de salários foram anunciadas como contribuições voluntárias. O inquérito, por sua vez, examina o custeio de aluguel, a cessão de estrutura municipal e a legalidade dos repasses públicos à associação.

O que falta esclarecer

A apuração começou no último dia 28 e passou por uma etapa preliminar antes da abertura do inquérito. Segundo o promotor, novos fatos aumentaram a complexidade do caso, exigindo o aprofundamento da investigação.

A portaria foi assinada na quarta-feira, 30, e publicada na quinta-feira, 1º de outubro. O documento não informa quanto teria sido gasto com aluguel ou outros repasses, quais familiares do prefeito teriam vínculo com a associação nem quais dados teriam sido alterados no Portal da Transparência.

O MPTO apura se houve dano aos cofres públicos ou violação dos princípios da administração pública.