Primeira vacina contra a malária predominante no Brasil começa a ser testada em humanos
11 outubro 2026 às 10h05

COMPARTILHAR
A primeira vacina desenvolvida para combater a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes em humanos. Produzido com tecnologia integralmente nacional, o imunizante é direcionado à espécie responsável pela maioria dos casos da doença registrados no Brasil.
Em comunicado, o Ministério da Saúde informou que a vacina, denominada Vivaxin, foi desenvolvida a partir de pesquisas realizadas pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A pasta prevê destinar R$ 12 milhões ao desenvolvimento da tecnologia, contemplando os ensaios clínicos das fases I, II e III.
Na primeira etapa dos testes clínicos, a pesquisa avaliará a segurança do imunizante, as possíveis reações à aplicação e sua capacidade de estimular uma resposta imunológica. O estudo contará com 48 participantes com idades entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção pelo parasita. O acompanhamento clínico dos voluntários terá duração de 360 dias.
“O avanço na pesquisa da tecnologia representa um marco e abre a possibilidade de uma nova forma de prevenção contra a doença que, em 2025, registrou 118.037 casos no território nacional”, avaliou a pasta no comunicado.
Atualmente, as duas vacinas contra a malária recomendadas pelas autoridades sanitárias foram desenvolvidas para combater outra espécie de parasita, o Plasmodium falciparum, predominante no continente africano. A Vivaxin, por sua vez, tem como alvo o Plasmodium vivax, encontrado principalmente nas Américas e na Ásia.
A doença
A malária é uma doença infecciosa provocada por parasitas do gênero Plasmodium. A transmissão para os seres humanos ocorre pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido popularmente como mosquito-prego. Esses insetos têm maior atividade nos períodos crepusculares, especialmente ao entardecer e ao amanhecer.
“Não é uma doença contagiosa, ou seja, uma pessoa doente não é capaz de transmitir malária diretamente a outra pessoa”, reforçou o ministério.
A doença também é conhecida por diferentes denominações, como impaludismo, paludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna e febre terçã maligna. Entre os nomes populares utilizados estão maleita, sezão, tremedeira, batedeira e febre.
“Toda pessoa pode contrair a malária. Indivíduos que tiveram vários episódios de malária podem atingir um estado de imunidade parcial, apresentando poucos ou mesmo nenhum sintoma. Porém, uma imunidade esterilizante, que confere total proteção clínica, até hoje não foi observada”, destacou a pasta.
O Ministério da Saúde também alerta que, sem o tratamento adequado, uma pessoa infectada pode continuar sendo fonte de transmissão da doença por meses ou até anos, a depender da espécie do parasita responsável pela infecção.
No Brasil, a maior parte dos casos de malária está concentrada na região amazônica, que abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
“Na região extra-amazônica, composta pelas demais unidades federativas, apesar das poucas notificações, a doença não pode ser negligenciada, pois a letalidade nesta região é maior que na região amazônica”, concluiu a pasta.
