A escolha do tema “Os impactos da sociedade de desempenho na vida contemporânea” para a redação da segunda edição do Exame de Acesso ao Ensino Superior do Tocantins (Exato), aplicada na manhã deste domingo, 18 de outubro, representou uma mudança no perfil da avaliação, segundo o professor de língua portuguesa, redação e literatura Daniel Lino. Na análise do docente, a proposta deixou de abordar diretamente problemas sociais concretos e passou a exigir dos candidatos a compreensão de um conceito filosófico, o que pode ter dificultado a elaboração do texto, especialmente para aqueles que concentraram os estudos nos macrotemas indicados no edital da prova.

Natural de São Paulo e residente no Tocantins há dez anos, Daniel acumula mais de 15 anos de experiência no ensino de língua portuguesa, literatura e redação, com atuação nas redes pública e privada e em plataformas digitais de preparação para vestibulares. Segundo o professor, quatro de seus alunos já conquistaram nota máxima na redação do Exato. Ele também foi professor de Matheus Barros, de Paraíso do Tocantins, apontado pelo docente como o único estudante do estado a alcançar nota mil na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 2024.

Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, Daniel explicou que a principal diferença desta edição está na natureza do assunto apresentado aos candidatos: “Comparando com as edições anteriores, o Exato mudou bastante em relação à redação. A gente pode dizer que o tema saiu de uma coisa concreta para uma coisa mais conceitual. Antes, o aluno versava sobre problemas sociais que afetavam grupos sociais específicos, com questões que envolviam leis e políticas públicas, e agora é um conceito filosófico. O aluno precisava saber o que é essa sociedade do desempenho”, analisou.

Na avaliação do professor, a abordagem se aproxima mais do perfil de propostas encontradas em processos seletivos de outroas instituições: “Parece muito mais temas da Unitins, pensando na região, da Unirg. Então, surpreendeu bastante. E aí foge um pouco da questão dos macrotemas regionais, que é o que estava no edital. Fugiu totalmente do que o edital direcionava em relação aos macrotemas”, afirmou.

Daniel observou, entretanto, que a discussão sobre produtividade não era completamente inédita no exame: “Já houve uma questão da segunda edição de 2025 que falava sobre saúde mental, produtividade na sociedade contemporânea e que dialogava bem com essa proposta de redação. Então, eu acredito que, em relação à preparação, os alunos que ficaram focados apenas nos eixos do material do Exato, pensando somente nos macrotemas, podem ter dificuldade”, explicou.

Exigência de intervenção é outro desafio

Daniel também apontou a dificuldade de elaborar uma proposta de intervenção diante de um tema de caráter filosófico: “Uma outra dificuldade também é que, com um tema tão filosófico, a proposta do Exato exige intervenção. E aí você vai ter que fazer uma intervenção para um conceito filosófico. O aluno pode correr o risco de fazer uma conclusão um pouco genérica. Mas era um tema extremamente necessário, um tema extremamente contemporâneo. Porém, fora dos macrotemas que o edital apontava”, avaliou.

Para o professor, a proposta permite discutir questões como a pressão por produtividade, a cobrança por resultados e os efeitos dessas exigências na vida cotidiana, mas demanda dos candidatos capacidade de transformar reflexões abstratas em argumentos concretos.