Estudantes da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Palmas, realizaram na noite desta segunda-feira, 6, uma manifestação contra mudanças administrativas adotadas pela instituição, especialmente a centralização das coordenações dos cursos. O ato ocorreu no estacionamento externo do campus e integrou uma mobilização que também foi registrada em outras unidades da universidade.

Os participantes afirmam que as medidas podem afetar a qualidade do ensino, a proximidade entre estudantes e gestores acadêmicos e o desenvolvimento de atividades de pesquisa e extensão. Durante a mobilização, alunos utilizaram roupas pretas e vermelhas como forma de simbolizar, respectivamente, a preocupação com o futuro da instituição e a união em defesa da educação.

Uma das organizadoras do movimento, a estudante de Engenharia de Software, Ana Clara Zanetti, afirmou que as recentes decisões causam preocupação entre os acadêmicos. Segundo ela, grande parte dos projetos desenvolvidos pelos estudantes depende do acompanhamento direto realizado pelas coordenações presenciais.

“Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade incrível de integrar projetos riquíssimos em aprendizado, iniciativas que só se sustentam graças ao amparo direto e ativo da nossa coordenação presencial. Todo semestre, conseguimos construir pesquisas e artigos de excelência ao lado de docentes extremamente qualificados. É muito doloroso ver professores tão apaixonados pelo ofício de ensinar sendo submetidos a condições de trabalho que tornam a educação de qualidade um desafio quase impossível. Eu testifico aqui, se não fosse pelo apoio direto dos meus coordenadores, certamente já teria desistido do curso”, declarou.

Entre os principais questionamentos apresentados por estudantes e professores está a extinção das coordenações locais dos cursos. Conforme relato de um professor da instituição, que pediu para não ser identificado, a medida concentra a gestão acadêmica em coordenadores nacionais e reduz a autonomia dos campi para lidar com demandas específicas.

Segundo o docente, a mudança pode dificultar a defesa de estruturas como laboratórios, clínicas-escola, projetos de pesquisa e ações de extensão. Ele também aponta preocupações relacionadas às condições de trabalho dos professores, à substituição de docentes experientes, cortes de remuneração em até 50%, além da redução de investimentos em atividades acadêmicas.

O professor afirma ainda que há relatos sobre a descontinuidade da clínica-escola de Psicologia em Palmas, redução de laboratórios utilizados por cursos da área de Tecnologia da Informação e falta de insumos em cursos da área da saúde. Outra preocupação levantada envolve alterações na oferta de disciplinas e possíveis impactos na formação dos estudantes, ele ressalta que de 76 horas passarão a oferecer aproximadamente 60 horas efetivas de aula, mantendo, porém, a mesma cobrança financeira ao estudante.

As críticas não se limitam ao Tocantins, alunos de outros campi da Ulbra também têm divulgado manifestações públicas questionando mudanças semelhantes implementadas pela administração da universidade.

O que diz a Ulbra

Em nota oficial, a Ulbra Palmas informou que a criação da Coordenação Nacional de Cursos faz parte de uma atualização do modelo de gestão acadêmica, com o objetivo de fortalecer os processos de ensino e reduzir atribuições administrativas dos professores. Segundo a instituição, os atuais coordenadores passarão a dedicar maior tempo às atividades acadêmicas, como planejamento de aulas, orientação de projetos e acompanhamento dos estudantes.

A universidade afirmou que o atendimento presencial continuará sendo realizado normalmente em cada unidade, por meio das Secretarias e das Direções Acadêmicas, enquanto a Coordenação Nacional ficará responsável pela gestão estratégica dos cursos em todo o país.

Sobre os relatos envolvendo a Clínica-Escola de Psicologia, a Ulbra Palmas negou que haja descontinuidade das atividades e informou que está em andamento um projeto de reorganização e ampliação do espaço, com o objetivo de qualificar as atividades práticas do curso e ampliar os atendimentos prestados à comunidade.

Em relação às críticas sobre redução de laboratórios e estrutura acadêmica, a instituição afirmou que não há descontinuidade de espaços. Segundo a nota, as adequações realizadas fazem parte de um processo de reorganização institucional voltado à otimização da estrutura e ao fortalecimento das atividades de ensino e dos serviços oferecidos à população.

A Ulbra Palmas também informou que as demais atividades acadêmicas seguem sendo desenvolvidas regularmente, incluindo a abertura de edital de monitoria. Sobre as condições de trabalho e a composição do corpo docente, a instituição reforçou que a nova estrutura de gestão busca fortalecer os processos acadêmicos.