A produção independente de histórias em quadrinhos do Tocantins estará representada no Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ 2026), realizado de 4 a 8 de novembro, no Minascentro, em Belo Horizonte (MG). Os artistas Pablo Marquinho e Álvaro Maia participam da programação do evento, considerado um dos principais encontros do setor no país, levando ao público os trabalhos desenvolvidos no estado, entre eles a HQ Vicente – Terra Morta, lançada em 2026.

Os quadrinistas integram o catálogo da Brasa Editora, que ocupa o estande 13 do festival. No espaço, estarão disponíveis os dois títulos da série protagonizada por Vicente: Vicente – Lua Cheia (2022) e Vicente – Terra Morta (2026). As publicações são resultado da parceria entre os artistas e apresentam elementos da identidade cultural tocantinense por meio de narrativas voltadas ao público infantojuvenil.

A agenda dos autores inclui atividades de discussão sobre a linguagem dos quadrinhos e os desafios da produção artística. Na sexta-feira, 6, às 13h, Álvaro Maia participa do debate “Minha primeira língua é o quadrinho”. Às 14h30, Pablo Marquinho integra a conversa “Obstáculos e desafios de elaborar obras para a infância”, na qual deve compartilhar experiências relacionadas à educação, pesquisa e produção visual.

No sábado, 7, às 15h, os dois artistas participam de uma sessão de autógrafos nas mesas 6 e 7 do festival.

Para Pablo Marquinho, estar no FIQ representa a oportunidade de apresentar trabalhos construídos a partir de referências regionais e estabelecer contato com profissionais e leitores de diferentes partes do país.

O artista também destaca a importância do intercâmbio entre criadores e da valorização das identidades culturais brasileiras. Segundo ele, o festival é um espaço de troca de experiências e de reconhecimento da diversidade presente na produção nacional de quadrinhos.

Álvaro Maia ressalta que a participação no evento contribui para ampliar o alcance dos quadrinhos produzidos no Tocantins. O artista também chama atenção para o papel das políticas públicas de incentivo à cultura na viabilização de projetos independentes, desde a criação até a publicação e circulação das obras.

HQ apresenta referências culturais e ambientais do Tocantins

O destaque da participação tocantinense é Vicente – Terra Morta, segundo volume das aventuras do personagem criado por Pablo Marquinho e Álvaro Maia. Publicada pela Brasa Editora, a obra tem 80 páginas, acabamento em capa dura e mistura aventura, humor e terror em uma narrativa que aborda questões ambientais e aspectos históricos e culturais do Tocantins.

Na história, Vicente enfrenta uma ameaça ancestral que coloca em risco sua família e o equilíbrio da natureza. Durante o percurso, a trama incorpora personagens e referências do imaginário regional, aproximando o leitor de elementos da cultura tocantinense.

Entre as figuras retratadas está Tutawa Ãwa (in memoriam), liderança indígena do povo Ãwa, também conhecido como Avá-Canoeiro, cuja trajetória está ligada à história da Ilha do Bananal.

A inclusão do personagem representa uma homenagem à resistência e à atuação de Tutawa na defesa de seu povo. As falas presentes na HQ foram traduzidas para a língua materna Ãwa por Wapoxire Ãwa. A publicação conta ainda com prefácio de Kamutaja Ãwa, neta da liderança indígena, que aborda a história de seu povo e a luta pela preservação do território e da identidade cultural.

Incentivo cultural contribui para a circulação das obras

A produção dos quadrinhos contou com recursos de políticas públicas de fomento, entre elas o Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC), a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e a Lei Paulo Gustavo (LPG). Os mecanismos de financiamento contribuíram para o desenvolvimento e a publicação dos projetos, além de favorecer a participação dos artistas em espaços de circulação cultural.

Vicente – Terra Morta também integra uma iniciativa de circulação financiada pelo Fundo Municipal de Apoio à Cultura, por meio do Termo nº 020/2026/FCP. O projeto prevê apresentações e lançamentos em diferentes regiões e eventos brasileiros.

Entre os locais contemplados está a Ilha do Bananal, que serve de cenário para parte da narrativa. A proposta inclui a apresentação da obra ao povo Ãwa e aos familiares de Tutawa, aproximando o trabalho artístico das comunidades e das referências culturais que inspiraram a história.

A participação no FIQ 2026 amplia a presença dos quadrinhos tocantinenses no circuito editorial brasileiro e abre espaço para que histórias produzidas no estado alcancem novos leitores.

Conheça os autores

Pablo Marquinho é artista visual, escritor e professor do Instituto Federal do Tocantins (IFTO). Graduado em Educação Artística, com habilitação em Artes Plásticas, pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), é mestre em Performances Culturais e doutorando pela Universidade Federal de Goiás (UFG). É um dos fundadores do Núcleo de Gravura do Tocantins e do Selo Teiú de Quadrinho Tocantinense. Desenvolve trabalhos nas áreas de desenho, graffiti, xilogravura e histórias em quadrinhos.

Álvaro Maia é quadrinista e ilustrador, natural de Teresina (PI), com atuação profissional em Palmas (TO). Além dos dois volumes de Vicente, publicados em parceria com Pablo Marquinho, é autor de Kriança Índia (2021), com Rafa Campos Rocha. Também participou como ilustrador do livro As Instituições Estão Funcionando Normalmente (2021).