Comunidades tradicionais do Tocantins que vivem do extrativismo do babaçu integram o Consórcio Babaçu Livre, iniciativa que organiza a produção e a comercialização de derivados da palmeira no estado. A atuação envolve o aproveitamento das folhas, do fruto e da castanha, utilizados na fabricação de alimentos, cosméticos e artesanato. O trabalho é realizado majoritariamente por Quebradeiras de Coco Babaçu, responsáveis pela coleta e beneficiamento da matéria-prima.

O consórcio conta com apoio do Programa Copaíbas por meio do projeto “Plano de Desenvolvimento Sustentável do Consórcio Babaçu Livre”, que atende 17 organizações de base no Tocantins e no Maranhão e alcança mais de 1.270 famílias. Parte dessas entidades está localizada em território tocantinense.

A estruturação do grupo começou em 2021, quando foi viabilizado o primeiro aporte financeiro. As atividades foram efetivamente iniciadas em 2022. Neto e filho de Quebradeiras, Mayk Arruda é assessor institucional da Central do Cerrado, organização responsável pela formulação e execução da proposta. “Em 2021 recebemos um aporte financeiro que deu o pontapé inicial para a criação do Consórcio Babaçu Livre, que na época ainda era chamado de Rede Babaçu. Começamos apoiando 12 organizações de base”, conta Arruda.

Em 2023, o Consórcio foi selecionado pelo Programa Copaíbas em um modelo que permite executar os dois primeiros anos de um plano de desenvolvimento projetado para cinco anos. “O apoio possibilitou que a gente pudesse seguir com a implementação do consórcio, ampliando a nossa visão para o futuro. O investimento em infraestrutura, assistência técnica e rastreabilidade possibilitado pelo Programa foi fundamental para o consórcio. No último ano, aumentamos o número de organizações, chegando a 17, e abrangemos mais de 1.270 famílias”, comemora.

Entre as organizações participantes, 12 são administradas exclusivamente por mulheres. As Quebradeiras integram a categoria de Povos e Comunidades Tradicionais (PCT), denominação utilizada no feminino devido à presença histórica das mulheres na organização da atividade e na defesa de direitos ligados ao extrativismo. O óleo de babaçu foi o primeiro produto extrativista a obter certificação orgânica, e as entidades que hoje formam o consórcio mantêm negociações com empresas internacionais desde a década de 1990.

“O interesse pelo óleo de babaçu e outros insumos tem crescido nos últimos anos e, por isso, o apoio de programas como o Copaíbas é fundamental. Graças ao trabalho de estruturação das agroindústrias, realizado com verba do Programa, foi possível atender a demanda de um dos nossos maiores compradores que aumentou a compra de 200 para 450 toneladas em um ano”, celebra Mayk.

Certificação e presença internacional

O suporte do programa também possibilitou a emissão da certificação da UEBT, entidade que avalia se os ingredientes comercializados são obtidos com respeito à biodiversidade. O certificado foi concedido à Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco (COPPALJ), responsável por concentrar parte da comercialização dos produtos das cooperadas, incluindo as organizações que atuam no Tocantins.

Em 2026, o consórcio mantém participação na BioFach, feira europeia do setor de orgânicos, pelo terceiro ano consecutivo, e confirma presença, pela primeira vez, na in-cosmetics Global 2026, que será realizada em abril, em Paris. “Nossa expectativa para essas feiras é sempre gerar negócios que sejam positivos para os cooperados e negociar os produtos do babaçu com respeito e dignidade”, afirma Mayk, “Na BioFach foram negociados 12 containeres de óleo de babaçu, cerca de 170 toneladas, o que superou as nossas expectativas. Então, vamos chegar em abril muito animados, mas com o pé no chão”, finaliza.