A entrada em vigor da nova mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, prevista para 1º de agosto, é vista com cautela pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Tocantins (Sindiposto-TO). Embora o governo federal estime uma redução média de cerca de R$ 0,03 por litro, a entidade afirma que ainda não é possível prever se esse desconto chegará ao consumidor.

O presidente do Sindiposto-TO, Wilber Silvano de Sousa Filho, disse ao Jornal Opção Tocantins que os postos compram a gasolina já misturada das distribuidoras, o que impede uma estimativa sobre o impacto da medida no preço final.

“É muito difícil fazer essa avaliação. Nós compramos gasolina diretamente das distribuidoras e o produto já vem misturado. Cada distribuidora vai decidir se repassa ou não essa redução, de acordo com sua formação de custos, com o valor de compra do produto e outros fatores”, afirmou.

Segundo ele, mesmo que haja redução, o consumidor pode não perceber diferença significativa nas bombas.

“Quando se fala em três centavos, é menos de 1% do valor do combustível. É muito difícil até para o consumidor perceber se houve redução, porque durante esse período podem ocorrer outros movimentos de alta ou de baixa nos preços”, avaliou.

Preocupação com rendimento e veículos

Além da incerteza sobre os preços, o sindicato manifesta preocupação com o aumento da participação do etanol na gasolina, que passará de 30% para 32%.

De acordo com Wilber Silvano, o maior percentual de etanol pode reduzir o rendimento do combustível e afetar veículos movidos exclusivamente a gasolina.

“O aumento na quantidade de etanol na gasolina é visto por nós com bastante preocupação. O etanol tem um rendimento menor e isso pode diminuir o rendimento da gasolina. Também nos preocupam veículos que não são flex, principalmente carros importados, veículos mais antigos e motocicletas”, afirmou.

O presidente acrescentou que a preocupação também é compartilhada por entidades nacionais do setor de combustíveis.

Medida busca reduzir dependência da gasolina importada

O governo federal argumenta que o aumento da mistura de etanol anidro tem como objetivo reduzir a dependência da gasolina importada, ampliar o uso de biocombustíveis e diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

Para o presidente do Sindiposto-TO, a intenção da medida é positiva, mas os resultados precisarão ser acompanhados.

“A tentativa é essa, reduzir o impacto do preço da gasolina no mercado interno. Mas é importante lembrar que, em outros momentos, o etanol anidro chegou a ser mais caro do que a própria gasolina. Precisamos analisar com muita frieza quais serão os impactos de fato”, disse.

Consumidores podem criar expectativa elevada

Outro ponto levantado pelo sindicato é o risco de a expectativa criada em torno da redução dos preços não se confirmar.

Segundo Wilber Silvano, a economia estimada pelo governo é pequena diante das oscilações naturais do mercado de combustíveis.

“Cria-se uma expectativa em relação à redução, mas é um valor muito pequeno. Fica difícil afirmar se o consumidor perceberá essa diferença na prática”, afirmou.

O presidente informou ainda que o Sindiposto-TO não recebeu manifestações dos revendedores do Estado sobre a mudança, já que o anúncio foi recente.

Formação de preços

Questionado sobre o comportamento da gasolina no Tocantins após a entrada em vigor da nova mistura, Wilber Silvano afirmou que não é possível fazer projeções e reforçou que o sindicato não interfere na definição dos preços.

“Cada empresa toma sua decisão de forma independente. O sindicato não define preço nem participa da formação dos valores cobrados pelos postos. O setor é bastante competitivo e cada revendedor tem seus próprios custos operacionais”, concluiu.